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Desafios da Interoperabilidade: A Integração de Dados e Processos – Parte VII

publicado por Marcus Vinicius da Costa

Desafios da Interoperabilidade: A Integração de Dados e Processos - Parte VIISemana passada abordamos a dimensão processos, segunda dimensão de nosso artigo, analisando as iniciativas empreendidas com o uso do padrão Business Process Model and Notation (BPM) que evidenciam sua relevância estratégica e a Visão de Negócios agregada à dimensão dados. Nesta semana abordaremos um alternativa para criação de uma cadeia de valor para a administração pública brasileira, considerando a viabilidade e compatibilização entre instrumentos e informações disponibilizados atualmente pelo Governo Brasileiro.

Dando inicio a solução: A Identificação de uma Cadeia de Valor

Se em uma organização uma cadeia de valor envolve muito mais aspectos gerenciais do que se pode imaginar, consideremos o esforço, a importância – e a necessidade – de se identificar uma Cadeia de Valor na Administração Publica Brasileira.  Se por um lado a extensão, os níveis e as especializações são quase imensuráveis, por outro não se pode tratar todos estes aspectos separadamente, sob o risco de perder-se o foco das características dos serviços prestados pelo Governo ao Cidadão e fatores críticos de sucesso em conjunto.

Tomando como ponto de partida a visão da cadeia de valor de Porter, podemos dar um enfoque bastante aderente ao que é pretendido hoje pelos governos de todo o mundo, onde a cadeia de valor é constituída por um conjunto de atividades criadoras de valor, desde as fontes de matérias-primas básicas, passando por fornecedores e indo até o produto final entregue nas mãos do consumidor, ou melhor ainda, a sociedade.  Com base nesta visão é possível identificar os principais fluxos dos macroprocessos, especificados em alto nível e, portanto, com menor variabilidade, interligados e que possam ainda ser divididos em processos, subprocessos e atividades de apoio.  Ainda neste entendimento, as atividades de valor são pontos de fundamental importância para a identificação da cadeia de valor, destacando que, mesmo parecendo inicialmente independentes, elas guardam enorme interdependência entre si, ou seja, são relações entre o modo como uma atividade de valor é executada e o custo ou o desempenho de uma outra.

A visão compartilhada de uma Cadeia de Valor é foco prioritário e necessidade urgente dos gestores atuais, conscientes do elevado grau de sobreposições, redundâncias e lacunas existentes em suas organizações.  Independente de seus esforços internos para modelagem, melhoria e até mesmo gestão de seus processos, o conhecimento necessário a ampliação deste trabalho para uma ação transversal às organizações públicas esbarra hoje justamente nesta ausência de visão de cadeia compartilhada.  Cada gestor está restrito ao segmento em que atua ou mesmo a organização que administra.

Uma alternativa viável para construção da pretendida Cadeia de Valor para a Administração Publica Brasileira, é partir-se da compatibilização entre as informações do SIORG e das Cartas de Serviço que, por definição deste próprio instrumento, declara os principais serviços prestados pelas Organizações à sociedade, ou seja, aquilo que é entendido na aplicação da metodologia como “processos de negocio”.  Deles as Organizações derivariam seus demais processos organizacionais, ou “processos de apoio”, sucessivamente, montando suas cadeias de valor.

O desenvolvimento e atualização destas Cadeias de Valor, estruturadas por Organização, poderiam ser acompanhadas pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, como articulador e disciplinador do tema no âmbito da Administração Pública Federal, em conformidade com as premissas do GesPública, possibilitando a identificação e manutenção de uma Cadeia de Valor para a Administração Publica Brasileira, atendendo também as determinações do Decreto 6.944/20093, que trata do SIORG – Sistema de Organização e Inovação Institucional do Governo Federal.  Ressalta-se que, simultaneamente, estariam sendo identificados e validados também os macroprocessos e, por consequência, fazendo a vinculação das estruturas de dados, seus provedores e seus consumidores.

É necessário salientar os esforços empreendidos hoje por aquele Ministério na revisão da Carta de Serviços, que deverá ser denominada como “Carta Compromisso”, explicitando a nova abordagem e uso pretendido pelo Governo, de entregar a sociedade os serviços certos de forma mais eficiente possível.  Isto confere aos responsáveis e envolvidos na  iniciativa uma oportunidade única para ouvir os usuários (gestores e sociedade) sobre suas necessidades, identificar indicadores e permitir que, a partir de um debate mais amplo, cidadãos e gestores possam ter um entendimento mais profundo sobre serviços prestados pelo Governo.

Neste contexto, a criação de um Modelo Integrado de Processos torna-se um fator de extrema relevância para a viabilizar a identificação, manutenção e atualização de uma Cadeia de Valor para o Governo, possibilitando sua integração tanto em alto nível – entre macroprocessos e em baixa granularidade, bem como sua integração com processos e subprocessos, mais detalhados e, portanto, em alta granularidade.  Este modelo deve utilizar-se de racionalidade como forma de definir métodos e padrões de notação que, de forma simples e objetiva, possam ser utilizados pelos diferentes entes da Administração Pública, gerando diagramas de forma ágil e com qualidade.

Experiência interessante neste sentido é o Plano de Classificação em desenvolvimento pelo Governo da Grã-Bretanha, Esquema de Classificação do Governo Local, ou LGCS da sigla em inglês Local Government Classification Scheme, que tem origem no principio que a medida em que o governo se torna cada vez mais complexo se torna necessário implementar uma classificação da categoria ou categorias de atividades, de forma que, agrupados, possam ser mantidos por uma organização ou pessoa na transação de negócios ou na condução de assuntos de governo.  Este mesmo esquema apoia a área de proteção de dados, a medida em que evidenciam os responsáveis, tanto provedores como consumidores de informações.  Em síntese, de forma análoga, ele implementa uma estrutura de Domínios, Macroprocessos, Processos e Subprocessos, que é a mesma utilizada pelo padrão Modelo Global de Dados trazendo também a parte de Metadados e Dados.

Em tempos onde ganha importância a Governança Corporativa, a compreensão e consequente visibilidade quanto aos processos de negócios, que representam os serviços prestados pelo Estado Brasileiro, atende a um de seus quatro princípios, o principio da transparência que, realizada de forma adequada, resulta e reforça o clima de confiança nas relações entre as partes interessadas na melhoria constante da gestão e da prestação de serviços pelo Governo.

Este é o foco das discussões que se iniciam no âmbito do SGT BPM/GT 5/e-PING, a partir da parceria com o Programa GesPública para a revisão do Guia de Gestão de Processos do Governo.  O Modelo Integrado de Processos pretende manter sua aderência ao Modelo Global de Dados, visto que o objetivo final é viabilizar uma constante melhoria na capacidade de atendimento do Governo às demandas da sociedade, com constantes ganhos de gestão que possam ser revertidos em beneficio dos cidadãos.

Paralelamente ocorrem discussões convergentes também no âmbito do Projeto Plataforma de Integração e Interoperabilidade para e-Servicos, conduzido pelo SERPRO em conjunto com o  Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, no sentido do desenvolvimento de uma proposta de Metodologia para Identificação e Formação de Cadeia de Valor Administração Publica Brasileira (Processos de Negócios do Governo).

A convergência entre estas discussões e seus respectivos atores é, conforme registrado anteriormente, de uma forma sinérgica, uma oportunidade única para ouvir os usuários (gestores e sociedade) sobre suas necessidades, identificar indicadores e permitir que, a partir de um debate mais amplo, cidadãos e gestores possam ter um entendimento mais profundo sobre serviços prestados pelo Governo.

Na próxima semana abordaremos última dimensão envolvida no desafio de integração de dados e processos: a dimensão pessoas.

[Crédito da Imagem: Integração – ShutterStock]

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Autor

Marcus Vinicius da Costa ingressou no Serpro em 1982, atuando nos segmentos de produção de serviços, gestão empresarial, marketing e assessoria à Alta Administração, tendo tido experiências também em gestão estratégica no Ministério da Fazenda e na Companhia Nacional de Abastecimento. É pós-graduado em Organização, Sistemas e Métodos e Análise e Projeto de Sistemas, possui MBA nas áreas de Estratégia Empresarial, pela Fundação Getúlio Vargas - FGV, e de Comunicação com o Mercado, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM. Coordenador do Projeto de Plataforma de Integração e Interoperabilidade de Serviços Públicos (P2IGov) no Serpro, foi titular da Superintendência de Integração de Dados e Processos, Unidade responsável pelo desenvolvimento dos modelos abordados neste artigo, participa da Coordenação-Geral e também como coordenador do GT 5 (Áreas de Integração para o Governo Eletrônico), na Arquitetura e-PING de Interoperabilidade para o Governo Brasileiro.

Marcus Vinicius da Costa

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