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Colaboração: não existe magia, apenas topologia!

publicado por Carlos Nepomuceno

Uma Revolução Cognitiva, da qual estamos fazendo parte, querendo ou não, entendendo ou não, entretanto, é algo bem diferente. É fazer a melhor colaboração possível, porém em um ambiente tecnológico/topológico diferente. A colaboração é trazida pela mudança da tecnologia, da topologia e não apenas pela ideologia! O esforço ideológico é muito menor, pois a Revolução Cognitiva traz a colaboração para o mundo como uma saída sistêmica.

Se não entendermos que estamos vivendo uma mudança topológica do mundo, acabaremos  nos iludindo sobre projetos para melhorar a colaboração nas organizações.

Colaboração é algo que sempre foi desejável, na ideia de aumentar o trabalho mais coletivo do que individual.

  • Paulo Freire, na década de 60, defendia uma escola mais participativa, mudando o papel do professor, era uma proposta com alta taxa ideológica de colaboração para aumentar a troca entre os alunos;
  • O livro “Virando a própria Mesa” do Ricardo Semler defendia há duas décadas uma empresa mais colaborativa,  era uma proposta com alta taxa ideológica de colaboração para aumentar a troca entre os trabalhadores e os gestores;
  • As iniciativas do PT, já quase abandonadas, do orçamento participativo nas cidades era algo nessa linha,  pois era uma proposta com alta taxa ideológica da colaboração para aumentar a troca entre os cidadãos;
  • As redes presenciais dos Alcoólatras Anônimos (AA), idealizadas por Bill Wilson e pares, que hoje ajudam milhares de doentes é uma proposta com alta taxa ideológica da colaboração para aumentar a troca entre os alcoólatras.
Defendiam uma nova topologia, porém dentro de uma sociedade que existia uma topologia hegemônica, na qual a colaboração desse tipo era uma exceção e não a regra.
Taxibeat quando estabelece a colaboração entre passageiros para avaliar os motoristas está propondo também colaboração, mas de outra natureza.  É uma  proposta com alta taxa tecnológica e topológica de colaboração, com baixa taxa de ideologia. É a regra do novo ambiente tecnológico/topológico e não a exceção.
  • A colaboração pela ideologia  é aquela que muda algo dentro do mesmo ambiente topológico;
  • colaboração pela topologia/tecnológica é aquela que procura a melhor colaboração possível, porém dentro de outro ambiente topológico.

Note que os pensadores acima citados tinham uma visão de mudar algo dentro do mesmo ambiente tecnológico/topológico, seja na educação, na empresa, na política, na saúde procurando brechas para aumentar a participação das pessoas, através de uma nova visão, mas dentro de um ambiente tecnológico/topológico, no qual eles eram a minoria insatisfeita.

Era uma proposta de colaboração fortemente ideológica por não aceitar as regras do jogo.

Era algo que levava a colaboração ao limite possível do mesmo ambiente cognitivo, forçando, ao máximo, todas as possibilidade. Colaborar daquela maneira era algo opcional, que passava por uma ideologia forte, pois acreditava-se que podia se inovar de forma radical, ampliando a colaboração e tendo melhores resultados.

  • O DNA da colaboração estava ali como alternativa, procurava-se uma nova topologia.
  • Os movimentos da Primavera Árabe, dos jovens da Espanha e dos americanos já tem essa nova topologia, na qual a colaboração é a regra,  falta-lhes a nova ideologia.

É invertido, típico dos tempos que estamos vivendo: uma mudança social imposta pela tecnologia e não pela ideologia. Eis a marca estranha e pouco compreendida de uma Revolução Cognitiva!

Uma Revolução Cognitiva, da qual estamos fazendo parte, querendo ou não, entendendo ou não, entretanto, é algo bem diferente. É fazer a melhor colaboração possível, porém em um ambiente tecnológico/topológico diferente. A colaboração é trazida pela mudança da tecnologia, da topologia e não apenas pela ideologia! O esforço ideológico é muito menor, pois a Revolução Cognitiva traz a colaboração para o mundo como uma saída sistêmica.

Revoluções Cognitivas mudam os ambientes e as topologias cognitivas e estabelecem uma nova forma de comunicação/produção, na qual muda-se a colaboração não por uma nova visão ideológica, mas pelo uso adequado de uma nova tecnologia/topologia, que impõe a colaboração com algo intrínseco ao uso.

Assim, é algo bem diferente!

O problema é que olhamos para a colaboração que ocorre nestes novos ambientes tecnológicos/topológicos e queremos, num passe de mágica, adotá-la, como se bastasse dizer:

Abracadabra colaboração!

E ela se inicia.

Note que o modelo piramidal topológico que vivemos só admite a colaboração com uma alta taxa de ideologia para que possamos tirar leite de pedra, pois a topologia atual de trocas produtivas e de comunicação não foi feita topologicamente para isso.

E com o seu longo período de uso está com alta taxa de intoxicação. Os interesses já aprenderam como se utilizam do ambiente para continuarem no topo. O esforço para mudar isso é completamente desproporcional aos resultados que serão obtidos.

Para termos a nova colaboração tecnológica/topológica, é preciso criar ambientes, plataformas, para que ocorra, que muda completamente a cultura de trabalho e de comunicação que estávamos até então  acostumados.

Só teremos a nova colaboração topológica/tecnológica dentro de ambientes dessa natureza, criando a plataforma.

Assim, não vamos entrar nas redes sociais, mas criar redes sociais para poder vivenciar os benefícios da nova topologia da colaboração.

Qualquer tentativa de implantar a colaboração mantendo o mesmo ambiente é  apenas ideológica e terá que enfrentar todas as resistências que Freire, Semler, o PT e o povo do AA enfrentaram (e não foram pouca).

Não existe magia, apenas topologia.

O difícil é aceitar e encarar a mudança que isso significa.

É isso, que dizes?

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Autor

Carlos Nepomuceno é Doutor em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense/IBICT Instituto Brasileiro em Ciência e Tecnologia com a tese “Macro-crises da Informação”. Jornalista e consultor especializado em estratégia no mundo Digital, desde 1995 com foco no apoio à sociedade a lidar melhor com essa passagem cultural, reduzindo riscos e ampliando oportunidades. Atualmente, se dedica a implantação de projetos de “Gestão de Desintermediação”, que é uma metodologia criada integrada para preparar pessoas, metodologias e tecnologias para o mundo das redes sociais digitais corporativas. Professor nos seguintes cursos do Rio: MBA de Gestão de Conhecimento do CRIE/Coppe/UFRJ, Gestão Estratégica de Marketing Digital e/ou Mídias Digitais nos cursos de Pós-graduação da Faculdade Hélio Alonso (IGEC), Mídias Digitais Interativas no Senac/RJ e Marketing Digital na Fundação Getúlio Vargas. Escolhido como um dos 50 Campeões brasileiros de inovação, pela Revista Info, em 2007. É também co-autor junto com Marcos Cavalcanti do primeiro livro sobre Web 2.0 no Brasil: Conhecimento em Rede, da Editora Campus/Elsevier, utilizado em vários concursos públicos, incluindo o do BNDES. Diretor Executivo da Pontonet, primeira empresa de Consultoria da Web Brasileira, fundada em 1995, que reúne em sua carteira mais de 340 projetos de consultoria estratégica em Internet, mais recentemente tem trabalhado na Vale, BNDES, Petrobras, Dataprev, Prodesp, Embrapa e Natura. Site: nepo.com.br

Carlos Nepomuceno

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