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Carreira: Entrando pra Equipe

publicado por Israel Bovolini Jr

Ano novo, vida nova. E clichês não. Decidi aproveitar o começo deste ano para escrever sobre o começo de um novo emprego.

Pois bem, você mandou o currículo, de algum modo convenceu os entrevistadores de que o que está escrito é verdade, e a nova empresa abre-se para você como um novo e maravilhoso quadro em branco onde você vai pintar cenas épicas de novos projetos, novas perspectivas, novas idéias, tudo novo, enfim. E sendo pago pra isso, o que é ainda melhor.

Mas é um quadro em branco mesmo? A não ser que seu único colega de trabalho chame-se Wilson e tenha os cabelos bem arrepiados, tem outros pintores mexendo nessa tela. Nesse caso, como se comportar? Temos alguns exemplos que podem te ajudar (ou não) a se adaptar a uma nova realidade (que com a observação vai parecer cada vez mais antiga).

Diferente do que divulgam as pesquisar americanas, onde parece que todo mundo é travado, brasileiros de um modo geral são expansivos e não costumam encontrar muita dificuldade em se relacionar – e é justamente aí que está o problema.

<h3PRIMEIRO DIA:

Esquece. Tudo tem que começar ANTES do primeiro dia – a menos que o processo seletivo seja MUITO estranho, você algum dia teve que ir fazer entrevista no seu futuro local de trabalho. Antes disso, você viu a vaga em algum lugar. E é aí que começa seu processo de adaptação.

Viu a vaga, gostou da proposta, mandou o currículo? Ótimo. Parece básico, mas já viu o site da empresa? Pois é; NORMALMENTE o site da empresa oferece algumas informações sobre como é a cultura organizacional. O site é despojado, formal, criativo, chato? Comece a formar suas impressões observando como a empresa passa sua imagem para o mercado. Mas não se baseie UNICAMENTE nisso – nunca despreze o poder do Marketing de te enganar.

Viu o site? Legal. Tem a entrevista marcada? Melhor ainda. De novo, estamos falando de um processo seletivo normal, então no e-mail te convocando deve ter o nome da pessoa que vai te entrevistar. Hora de bisbilhotar: como estamos em um mundo de redes sociais, seu entrevistador deve ter um perfil PELO MENOS no LinkedIn ou Facebook. Pesquise um pouquinho, veja como é a pessoa, como ela se comunica, qual é o tipo de linguagem, tudo para ser usado a seu favor. A pessoa só reclama do trânsito? Você já tem um ponto para estabelecer empatia. A pessoa gosta de comentar filmes? Ponto. Esportes? Ponto. Tudo vale para saber como reagir.

Dia da entrevista. Chegue CEDO, observe os arredores antes de entrar – é um bairro boêmio, conservador, familiar, alternativo? Veja se o ambiente te deixa a vontade. Ao entrar na empresa, OBSERVE. Aliás, observação é sua melhor arma no começo. Se você não foi conduzido por um túnel da entrada até a sala de entrevista, observe: como os empregados estão em suas mesas? Conversando? Quietos? Atirando papel uns nos outros? Agindo como monges em uma abadia, entoando cânticos? Dançando lambada? Olhando para o infinito com armas na mão? Como eles se cumprimentam? Houve um caso em que eu estava mudando de empresa, vindo de uma pequena e extremamente informal, onde todos os dias era normal os homens apertarem-se as mãos e darem beijinhos nas meninas ao chegar no trabalho. Ao entrar na nova empresa, grande multinacional e ainda não tendo sacado o ambiente (burrice) resolvi replicar o comportamento anterior. A cara de “cara, te conheço de onde?!?! Para com isso!!!” que recebi das pessoas foi impagável. Mesmo cometendo uma dita “gafe”, mantenha a posição. Não recue no primeiro dia, mas adapte-se a cultura com o passar dos dias e a gafe será esquecida. Mas voltando a entrevista: observe a linguagem do seu entrevistador. Parece a %@#$% de um pedreiro proverbial (sem ofensa), que de cada 10 palavras manda 5 palavrões, $@#$%%@$? Assemelha-se a um causídico, a quem a putrefação do vernáculo causa ojeriza e malquerência? De novo, não tome isso como regra, muitas pessoas agem diferente de seu dia-a-dia em uma entrevista (ah, sério????) – mas vale como indício de cultura. Vale também perguntar na entrevista como é o dia-a-dia, afinal você está entrando para um ambiente novo e é natural que esteja querendo se adaptar. Aliás, demonstrar esse tipo de interesse é válido e contribui com suas chances de sucesso. Se o seu entrevistador não souber responder a uma pergunta genérica dessas, seja mais específico. Por exemplo: “como é o código de vestuário?”, “quais são as práticas de relacionamento?”, “reparei que as pessoas são bastante (quietas, alegres, despojadas, etc), é isso mesmo?” e por aí vai.

Enfim. Chegou o primeiro dia. Você passou na entrevista, está com a carteira assinada, e vai começar a trabalhar. Direto pra sua mesa! Opa, cadê a mesa? Outra péssima característica nacional é a falta de planejamento, então PROVAVELMENTE <sarcasm alert> seu lugar ainda não estará pronto. NÃO RECLAME! Isso é normal nesta cultura. Boa educação também se traz de casa, então falar “bom-dia” não vai matar ninguém. Se as pessoas te cumprimentarem pelo nome, ótimo – significa que seu futuro gestor já fez uma prévia apresentação não-presencial de sua pessoa para seus colegas. Mesmo que isso não tenha acontecido, espere para ver a reação das pessoas. Quando um lobo chega em uma alcatéia estabelecida ele não sai alardeando – deixa os outros cheirarem e tecerem suas conclusões sobre o novo membro. Se for cumprimentado, pergunte o nome da pessoa, repita o nome para não esquecer, diga “muito prazer” e todos os rapapés sociais que mamãe e papai ensinaram. E fique na sua. Seu gestor provavelmente vai fazer um tour pelas dependências e te apresentar pra todos. Com certeza você não vai lembrar do nome de mais do que 5 pessoas, mas isso é normal. O importante é ser visto.

O primeiro dia também costuma ser complicado, pois normalmente existe uma série de procedimentos que ainda não foram tomados: login de rede, crachá, computador, etc. Nesse caso, tende a ser um dia CHATO. Mas JAMAIS deve ser subaproveitado. Você já está na empresa, OBSERVE O QUE ACONTECE. Se quiser ir ao banheiro e não sabe onde é, pergunte. “Ah, mas isso é básico!”, você diz. Então me dê sua opinião sobre um grande amigo com quem trabalhei que, por 2 semanas, no horário de almoço, sumia da mesa por cerca de 10 minutos e voltava com uma cara bem feliz. Razâo: ele tinha vergonha de perguntar onde era o banheiro, então segurava a onda e esperava os horários de almoço e de saída pra se aliviar. E eu não estou exagerando, isso realmente aconteceu, até que um de nós notou o comportamento e perguntou o que estava acontecendo, e depois de 3 horas de risadas explicamos onde era o banheiro para o infeliz.

Com o correr dos dias, imagine a seguinte situação: eu entro na sua casa, abro sua geladeira e seus armários e critico tudo o que você escolheu e arrumou dizendo que sou melhor que você. É uma situação legal? Então. Na empresa funciona da mesma maneira. Você pode até abrir a geladeira e os armários e notar que tem coisa errada, mas POR ENQUANTO guarde pra você. Já existe uma cultura estabelecida, e se você vir que ela REALMENTE não funciona, COM O TEMPO e a intimidade você pode INTRODUZIR o assunto  – Inception style – pra provocar uma curva de mudança. Mas NUNCA no começo.

Com o tempo você verá que o choque cultural diminui e que as mudanças que você propuser e for persistente (não chato) irão ocorrer. O importante é manter a calma, respeitar para ser respeitado, dar sua opinião quando requisitado e tentar se integrar a cultura da empresa. Se o choque for muito grande, nada mais natural e necessário que baixar a bola e tentar outro emprego. É preferível passar um perrengue por um tempo pra se recolocar do que viver seus dias em um ambiente que te frustre, mas é confortável.

Em resumo, OBSERVE e RESPEITE. Todos os grandes generais já discorreram sobre a importância de estudar o terreno e o “inimigo”, recuar um passo para tomar impulso e só aí atacar. Se deu certo nos últimos 2000 anos, por que não daria certo agora?

Sucesso!

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Minimum Way

Autor

Trabalho na área de tecnologia há 12 anos, tendo sempre um perfil generalista, atuando desde o levantamento de requisitos, passando por análise de sistemas, desenvolvimento, implantação e fazendo acompanhamento pós-venda. Atualmente me dedico à liderança e coordenação de equipes de desenvolvimento, procurando sempre extrair o máximo de cada um e aplicando seus talentos para que todos saiam satisfeitos. Acredito que não exista um profissional cujos talentos não possam ser aproveitados em algum aspecto de um projeto, basta saber estimulá-lo a isso. LinkedIn: http://br.linkedin.com/in/ibovolini

Israel Bovolini Jr

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