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Até quanto o mercado paga ou o profissional prostitui seu ganho?

publicado por Ivan Kallas

Quando Augusto Vespermann se disse emocionado com meu artigo, Inteligência Corporativa, fiquei aliviado. Afinal eram décadas de reputação construída, ora de forma sofrida, ora divertida. Às vezes quase perdida, por um fio.

Escrevi Prostituição, Regulamentação, Qualificação? E outros temas. Somando mil leitores em pouco mais de mês, agora fico preocupado novamente. Como manter qualidade para retribuir carinho e generosos comentários de vocês?

Com 65 anos, pretendendo trabalhar mais 35, que imagem permanecerá? Com qual fantasia, entre tantas que vesti, gostaria de me apresentar? Já que todos queremos ser admirados? Principalmente pelos valores materiais acumulados.

Foi quando o acaso, como sempre, definiu rumos, num curioso incidente.

Sentados no meio da avenida (isto mesmo) em cadeiras emprestadas do bar, o premiado fotógrafo Serbinenko registrava maravilhosa promoção: No domingo a rua é nossa.

 

Crianças, jovens, pais, avós, cachorros, bicicletas, atletas, cadeirantes, passeavam na avenida movimentada. Não! Não há risco de atropelamento. Acontece todo domingo. BH não tem praia, mas a prefeitura fecha ruas para lazer das famílias. Breve momento para compartilhar. Chamo comunhão.

Mas continuemos o caso. Ou acaso.

Sentado, apreciava bela paisagem ambulante, censurada no paintbrush, quando, ao debruçar à direita, pressenti possível click. Instintivamente desviei o corpo para outro lado. Era tarde. A foto em que não queria aparecer fora registrada pelo fotógrafo, que não pretendia tirá-la. E olhem que o zoom do cara tem dois palmos de comprimento.

 

– Ka! Ka! Ka! – Olha vc na foto. Como é que apareceu aqui?

Pronto! Tornou-se minha imagem no Linkedin. Eu mesmo. Sem pose, disfarce, terno ou gravata. Chapéu caribenho. R$2,50 na liquidação. Digo que comprei nas bermudas. Minha nua e crua realidade. Até chuquinha na barba, que minha esposa detesta. Eu adoro, mesmo que apenas para fazer-lhe ciúme, coitada, quando velhas donzelas riem prá mim. Ou de mim?

Dito isto num fórum de especialistas só posso concluir que Rh=(Rm.13/1600+OS)∆.

Compreenderam? Nem eu, na primeira vez, mas … Traduzindo, é o algoritmo de nossa prostituição ou qualificação. A Remuneração/hora é igual à mensal, vezes 13 salários, dividida por 1.600 horas trabalhadas por ano, mais 45 a 110% de Obrigações Sociais e o Delta da terceirização. É o que explica o diferencial entre 70% do atravessador e 30%, ou menos, para nossa remuneração.

É a equivalência do preço da prostituição horária ou mensal. Existe permanente?

Observem. Como somos manipulados! Alguém aqui disse que OS, antes rateada para melhorar remuneração foi apropriada pelo atravessador. PJ (pessoa jurídica) perdeu direitos sociais. O delta, antes auto-administrado, agora virou sobre-lucro. Terceirizado não tem 13º salário. As 1.600 horas/ano, descontadas férias e feriados, voltaram a 2.400. Para quem, como eu, já trabalhou sábados e até domingos. Largando família para tomar avião na hora do Ponto Zero. Ou seja, o pico ou ponto crítico da implantação.

A engenharia reversa agora retroage o cálculo contra celetistas. A quem interessa esta fraude? O governo mal globalizado continua dissimulando para compor sindicatos, que pleiteiam ganho, com corporações, que pleiteiam custos chineses ou indianos. Pagando juros e câmbio forjados.

Como cada qual deve enfrentar este dilema? Posso decidir apenas por mim!

Minha cidade, chamada de Vale da Eletrônica, tem como lema: Recanto Feliz. Descobri isso já quase velho. Ou amadurecido?

Saí de lá com 11 anos. Após colegial, vivi buscando carreira e lugar para ser feliz. Em 15 anos estourava limites de promoção em tres empresas e vários bicos. Larguei cada qual pois não satisfizeram. Salvo por salário e amigos.

 

Resolvi assumir prostituição (desculpem) de luxo. A cada trabalho, aumentava preço para descobrir limites do mercado. Cheguei a US$400.00/hora. Se Collor não f* o mercado, seriam US$ 1,000.00 ou 2,000.00 quem sabe. Ainda saí ganhando para recuperar empresas quebradas e créditos duvidosos.

Optei finalmente por voltar à terra natal para pesquisa tecnológica. Estive entre os tres cientistas do ano, Sucesu. Estimulado por autoridades C&T, investi US$500,000,00 em idéia protótipo, testado, comprovado e elogiado pelo mercado… Quebrei, esperando fomentos prometidos.

Depois de voltar para BH, ganhando de R$ 20,00 a 80,00/hora e reconstruir vida, vivo modestamente e sou voluntário em inovação e TI. Poderia, ou ainda posso, ficar rico. Afinal, o Cyber RV é desafio mundial.

Será que errei? Fracassei? Talvez. Mas acho que sou feliz!

E você? O que deseja da vida?

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Minimum Way

Autor

Ivan Kallas, autor e conferencista na área de metodologia e ICT, tem rica carreira e vasta experiência da micro à mega organização. Natural de Santa Rita do Sapucaí, MG, Br, seu pai ajudou Sinhá Moreira a fundar o Vale da Eletrônica. Amigos e irmão mais velhos foram os primeiros eletrônicos formados no país. Ainda criança viu seus brinquedos evoluirem do pião, bola de gude para laser e parabólica. Daí sua vocação para lidar com gaps entre humanização e tecnologia. Formou-se em Direito, UFMG, Administração, UNA, mestrado, equivalência de Doutorado, Ohio University e pós-doutorado na FAI, Santa Rita do Sapucaí. Foi professor, Diretor de Faculdade, pós-graduação e formação de executivos para ambiente inovador. Executivo e consultor em corporações de porte ou transnacionais, ocupou cargos de Superintendente, Diretor e Adjunto à Presidência. Acompanhou toda a evolução da TI, sendo responsável ou partícipe na implantação de sistemas pioneiros mundiais. Prêmio Sucesu 1997 e MS Partner, 2009-11. Hoje dedica-se a voluntariado social e construção de Mentor Autômato para aprendiz e prático do desenvolvimento, com uso de tecnologias atuais e futuristas.

Ivan Kallas

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