Gerência de Projetos

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Arquitetura em TI – teoria e prática

publicado por Edson Palomares

Muitas vezes quando estamos sem rumo e precisamos demonstrar que temos um “GPS” para nos apoiar na condução de TI dentro da nossa empresa, seja para conseguirmos alguma certificação, seja para demonstrarmos que sabemos que caminho trilhar, usamos o modelo de Arquitetura que estava na gaveta, ou no diretório de Governança da rede. E depois de dar uma olhada mais cuidadosa nesse modelo, entendemos que precisamos revê-lo e deixa-lo mais alinhado com a realidade da empresa, pois as iniciativas anteriores foram muito teóricas ou estão desatualizadas.

Agora, por que muitas vezes os profissionais de arquitetura e os seus modelos são vistos como teóricos? Provavelmente porque muitas vezes nas organizações a visão de arquitetura não é usada no dia a dia, no momento das decisões estratégicas, e nem sempre é considerada como uma etapa importante do Projeto, ou mesmo na manutenção do nosso ambiente e dos nossos sistemas.

Existe bastante documentação interessante em diversos sites, que falam sobre a conceituação e sobre abordagens que vão desde alternativas mais técnicas (design patterns), até abordagens que consideram as diversas dimensões de uma empresa, ou seja, dimensões operacionais, táticas e estratégicas.

Podemos citar os sites: IASA http://www.iasaglobal.org/iasa/default.asp; IFEAD http://www.enterprise-architecture.info/index.htm, etc e diversos outros que são aplicações dos modelos de arquitetura, como por exemplo: sites de empresas de consultoria, dos próprios fabricantes de produtos, ou de prestadores de serviços, onde são demonstrados os modelos de arquitetura de redes, arquitetura de processamento, arquitetura do produto, etc. Essa palavra Arquitetura é utilizada para tantas situações que às vezes podemos substituí-la pela palavra modelo, mas Arquitetura é muito mais do que isso.

Mudando um pouco de assunto, algumas empresas que começaram a avaliar as soluções sob o ponto de vista arquitetônico, acabaram ficando refém do Architecture Man, ou seja, dependendo apenas de algumas poucas pessoas, que tomam decisões e orientam as soluções. Essas pessoas muitas vezes também não têm com quem trocar ideias e fazer um “Benchmarking”.

É!… Mas não podemos esperar. Temos que decidir se vamos ou não processar nossos serviços fora do ambiente da empresa (na nuvem: Cloud), se vamos fazer um novo sistema ou comprar um pacote de mercado, se devemos virtualizar nossos servidores e cobrar pelo uso, etc, etc, etc. Não podemos esquecer que todos esses problemas são oportunidades reais que tem que ser tratadas com uma abordagem arquitetônica e não com uma visão imediatista. É lógico que falar é muito fácil, mas na prática é muito arriscado não pensar estrategicamente antes de tomar esse tipo de decisão.

Bom, mas e aí? O que podemos fazer? Caso na sua empresa não exista cultura de arquitetura, você pode começar definindo alguns “templates”, documentar melhor os principais serviços e incentivar a reutilização. Essas ações, com certeza já irão mudar a forma de fazer as coisas em TI, mas uma abordagem arquitetônica deve começar pela visão estratégica, pois as soluções sejam técnicas ou funcionais devem estar alinhadas aos requerimentos estratégicos da empresa. E para isso precisamos entender um pouco melhor o negócio da empresa e quais são seus requisitos e restrições. Ou seja, quais são as características do negócio. Por exemplo: ter um tipo de prestação de serviços 24hs por dia x 7 dias por semana, ou então as características de tolerância à falha do negócio, de agilidade, de flexibilidade, de time to marketing, etc.

É sempre muito saudável demonstrar esses requerimentos e restrições através de parâmetros concretos e não de direcionamentos subjetivos, para que ao invés de termos um requisito genérico de agilidade no atendimento, termos um requisito de tempo de resposta mínimo, ou um prazo máximo de parada do ambiente por mês, etc. Lógico que esses são somente exemplos para tornar a informação mais mensurável, pois dizer que temos o requisito de ter uma solução ágil é a mesma coisa que não dizer nada.

Muitas vezes esse começo, não é tão fácil, pois não existe espaço na empresa para se entender estrategicamente o negócio, mas precisamos evoluir a forma de construir soluções em TI nas nossas empresas, e existem diversas maneiras de começar: contratar uma consultoria, contratar alguém com experiência, complementar a formação em Arquitetura dos profissionais mais alinhados com essa abordagem, etc. Mas se preferir começar já para ganhar conhecimento e estar melhor preparado para as decisões estratégicas que precisam ser tomadas, pode-se começar por uma forma simplificada de abordagem arquitetônica, e para tanto usar os seguintes passos:

1 – Documentar a solução atual (elaborar modelos que demonstrem os sistemas e suas integrações, os principais bancos de dados e os sistemas que os utilizam e os ambientes em que os serviços são executados. Tudo documentado de uma forma simples, que facilite a manutenção do conteúdo e atualização dessa documentação a cada mudança);

2 – Documentar requisitos atendidos e restrições das soluções atuais (lista das principais características positivas da solução atual e suas restrições, mas de uma forma mensurável);

3 – Contrapor os anseios estratégicos da sua empresa contra os requisitos atendidos e restrições da Arquitetura Atual (validar os sonhos do negócio contra a realidade das soluções, mas principalmente ter uma lista de requisitos pretendidos e restrições aceitas para comparar com a lista que você fez no item 2);

4 – Definir Arquitetura Objetivo ou Arquitetura Alvo (começar com modelos bem simples, mas que demonstrem a evolução pretendida. Lembrando que deve estar acompanhada pela lista de requisitos e restrições que as soluções terão que respeitar daqui para frente);

5 – Definir um plano de migração e incluir as ações na lista de prioridades da empresa, do contrário, elas ficarão em uma lista de intenções que nunca serão priorizadas;

6 – Definir o que muda no dia a dia dos projetos e da manutenção para que essa visão de arquitetura faça parte da realidade concreta de TI;

7 – Faça acompanhamento trimestral, para verificar o que evoluiu e principalmente para avaliar se a Arquitetura Alvo não precisa ser ajustada, principalmente a lista de requisitos e restrições.

Sem dúvida existem diversos modelos no mercado, mas para não fazermos apenas uma coisa que está na moda, vale a pena sempre definir um processo que garanta a transparência e praticidade de uso das regras. Isso já faz uma diferença muito grande. É uma mudança que realmente vale a pena e diversas empresas estão aí para provar que essa visão arquitetônica pode fazer com que ao invés dos gestores de TI serem vistos  como aqueles que restringem a expansão dos negócios da empresa, sejam cada vez mais capazes de criar soluções que mudem o paradigma dos negócios.

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Autor

Especialista em Gestão Estratégica e Arquitetura Corporativa - Atualmente é Sócio Diretor da Foco Consultoria em TI, tendo como responsabilidade a gestão técnica e estratégica da operação; site : www.focoemti.com.br - Atuação por 5 anos como Gerente Sr. de Tecnologia da Informação, exercendo a função de CIO da CPM Braxis Capgemini, direcionando estrategicamente soluções de infraestrutura e sistemas; - Experiência de 15 anos na gestão das áreas de Sistemas, Infraestrutura, Gestão de Projetos, Service e Operation Center, Segurança da Informação, Compliance, Governança de TI, Arquitetura, Administração de Dados, Banco de Dados, Administração de Componentes e Metodologia, em grandes Empresas como CPM Braxis, Capgemini, Unibanco e ITAU BBA; - Atuação no início da carreira como Analista de Sistemas, Administrador de Dados, Arquiteto de Soluções e Gerente de Projeto, adquirindo significativo conhecimento técnico; - Graduado em Engenharia Civil pela Unesp, com Pós-graduação em Ciências da Computação na USP, em Análise de Sistemas na PUC, e com especialização em Gestão Estratégica na ESPM.

Edson Palomares

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