Cloud Computing

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Arquitetura cliente-servidor e o ambiente de Cloud Computing

publicado por Cezar Taurion

Conversa típica de happy hour de profissionais de TI: tecnologia. Mais precisamente, Cloud Computing. Um debate interessante que apareceu em um desses eventos foi a questão das diferenças entre a arquitetura cliente-servidor e o ambiente de Cloud. Bem, vivenciei a mudança do modelo centralizado para o cliente-servidor e agora vivencio a mudança para o paradigma de cloud computing. E acho que podemos batizar esta nova arquitetura de client-cloud.

O modelo cliente-servidor substituiu como força dominante o ambiente centralizado, onde havia um mainframe ligado a terminais 3270 de fósforo verde… Alguns ainda lembram. Os terminais, não chamavamos na época de equipamentos clientes, não tinham inteligência nenhuma. Simplesmente eram tela e teclado. O modelo cliente-servidor apareceu com a chegada dos PCs e sua imensa (para época) capacidade computacional. Com interfaces gráficos e sua maior usabilidade, disseminou-se rapidamente e o modelo cliente-servidor, tornou-se o modelo dominante. Aliás, hoje, é o nosso modelo mental de arquitetura de sistemas corporativos. Para recordar, acessem o Wikipedia.

Depois do frenesi do então chamado downsizing, caimos na real e descobrimos que o modelo distribuído, cliente-servidor, apesar de sua usabilidade gerava custos de propriedade bastante altos. Com a proliferação de servidores, a complexidade de gerenciamento do ambiente tornou-se imenso e altamente custoso. Inúmeras análises mostram que a média de utilização dos servidores é muito baixa, gravitando em torno dos 5% a 10%. E pela dificuldade de gerenciamento, quanto mais capacidade computacional precisamos, mais servidores instalamos, mesmo com esta baixíssima média de utilização. É uma conta que não fecha.

Ao mesmo tempo, começamos a usar equipamentos móveis altamente sofisticados. Um smartphone é um computador que carregamos no bolso, onde o telefone é apenas um dos seus diversos periféricos e talvez um dos menos usados. Sua capacidade computacional é muitas vezes maior que a dos PCs da época da transição para o cliente-servidor. E, com o processo de BYOD (Bring Your Own Device) o custo de aquisição dos equipamentos começa a sair das mãos das empresas para os dos próprios usuários.

O que estamos buscando? Um gerenciamento melhor que o modelo atual cliente-servidor e mantendo ao mesmo tempo a flexibilidade e usabilidade das plataformas cliente. Ora, se substituirmos os servidores por um data center ou melhor por diversos data centers interligados e vistos como uma única entidade, uma nuvem, temos o modelo cliente-nuvem ou client-cloud.

O modelo de computação em nuvem torna o ambiente do data center, onde ficam os servidores, muito mais eficiente, pelo uso de tecnologias de virtualização e automação. O modelo leva naturalmente a um maior compartilhamento, o que eleva consideravelmente a média de utilização destas máquinas. Além disso, pagamos apenas pela capacidade realmente utilizada. Não precisamos manter um parque computacional subutilizado, esperando aqueles momentos de pico de utilização. Passa-se do modelo financeiro capex (capital expenses) para opex (operating expenses). Um atrativo e tanto para os CFOs. Como no modelo cliente-servidor, o modelo client-cloud tem equipamentos cliente poderosos, processando bastante código e regras de negócio. Também mantém a camada de interface com o usuário que, aliás, é muito mais intuitivo que o teclado-mouse anterior.

Assim, a conversa acabou chegando a um denominador comum. O modelo dominante para os próximos anos, pelos atrativos oferecidos é o de cloud computing. Aliás, vamos deixar de falar em cloud computing para falarmos apenas em computing. Cloud será nosso modelo mental de pensar computação. E a arquitetura dominante será client-cloud, com os usuários utilizando o modelo rich client (mesmo HTML5 é rich client) com interfaces intuitivos, explorando a potencialidade dos equipamentos móveis (geolocalização, acelerometros, cameras, etc) e novas tecnologias de interação como reconhecimento e controle por gestos (Kinect) e “natural-language question answering” exemplificados pelo Watson da IBM e o Siri da Apple. O processamento será, portanto, distribuido em parte na camada cliente (rich client) para exploração de interfaces sofisticados e na camada cloud, onde estarão os imensos volumes de dados (Big Data) e capacidades computacionais quase infinitas em escalabilidade e elasticidade. Uma vantagem deste modelo é que as aplicações cliente tenderão a ser gerenciadas pela própria nuvem em appstores ou lojas de aplicativos e os dados serão compartilhados por quaisquer dispositivos. Resultado do happy hour: os arquitetos de software presentes sairam de lá com criativas ideias para seus novos aplicativos.

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Autor

Cezar Taurion é head de Digital Transformation da Kick Ventures e autor de nove livros sobre Transformação Digital, Inovação, Open Source, Cloud Computing e Big Data.

Cezar Taurion

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