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Aprendizagem e Neurociência

publicado por Luiz A. Castanha

Aprendizagem e NeurociênciaAprender é uma das atividades que está na rotina dos seres humanos. Durante nosso desenvolvimento aprendemos a reconhecer rostos familiares, andar e falar. Começamos a estudar e passamos a escrever e calcular. Mesmo depois da infância continuamos adquirindo conhecimento. Mas como funciona este processo tão natural ao ser humano, mas ao mesmo tempo tão nebuloso? Podemos investigar a questão utilizando os conceitos da Neurociência, o estudo científico do sistema nervoso.

Começar estudando o sistema nervoso é fundamental, pois ele é responsável por monitorar e coordenar a maior parte das funções de um organismo e a regular as atividades cerebrais. Os neurônios e os nervos são partes integrantes do sistema nervoso e desempenham papéis importantes na coordenação motora.

A Neurociência passou por um crescimento vertiginoso nos últimos 25 anos, impulsionado por descobertas científicas e a possibilidade de tratamentos de doenças neurológicas comuns, como o Mal de Parkinson e o Alzheimer. Prova disso é o fato da quantidade de associados da Society for Neuroscience, sociedade internacional de neurocientistas, ter aumentado de 500 em 1969 – ano da sua fundação – para mais de 40 mil em 2010.

E como a Neurociência explica o processo de aprendizagem? Diferente da Psicologia, a Neurociência tenta entender a aprendizagem por meio de experimentos comportamentais e do uso de aparelhos como os de ressonância magnética e tomografia, que permitem observar as alterações cerebrais durante seu funcionamento.

De acordo com a Neurociência, o aprendizado acontece em quatro estágios: primeiro temos uma experiência concreta, depois desenvolvemos uma observação reflexiva e conexões, criamos hipóteses abstratas e, finalmente, testamos ativamente estas hipóteses até obter uma nova experiência concreta. Em outras palavras, obtemos uma informação e damos algum significado para ela, depois criamos novas ideias a partir deste significado e as colocamos em prática. Durante este processo são utilizadas diversas áreas diferentes do córtex cerebral, cada uma apresentando uma finalidade única. Por isso, quando passamos pelos quatro estágios, ampliamos ou geramos uma nova conexão cerebral e essa é a maneira natural de aprender.

O aprendizado é uma conexão física que acontece no cérebro, assim como o significado. Por isso precisamos de exemplos, de associações com o que já temos conhecimento. Quando a nova informação faz referência a objetos ou eventos já conhecidos, o cérebro reforça essas sinapses e dá um significado. Sem referências prévias, não há significado.

A quantidade de neurônios e as sinapses mudam de acordo com as experiências vividas pelo indivíduo. Estudos comprovam que ambientes ricos e estimulantes aumentam o número de sinapses cerebrais, mas o que é considerado estimulante varia de pessoa para pessoa.

No seu livro “Art of changing the brain”, o Dr. James Zull explica este processo e afirma que a chave para o aprendizado está na motivação e no senso de apropriação. O estímulo é algo muito pessoal, por isso o importante não é arranjar uma nova vontade para dar às pessoas, mas sim encontrar aquilo que já as motiva. As pessoas sempre estarão incentivadas a aprender o que já é do seu interesse, mas resistirão ao que, para elas, representa uma ameaça à sua felicidade e controle da situação.

Sem motivação não conseguimos aprender, e o responsável por isso é o nosso cérebro. Estudos comprovam que existe no cérebro um sistema dedicado ao incentivo e à recompensa. Quando o indivíduo é afetado positivamente, a região que cuida dos centros de prazer produz dopamina, neurotransmissor responsável pelas sensações de prazer. Este estímulo de bem-estar mobiliza a atenção e reforça o comportamento em relação ao objeto em questão. Tarefas muito difíceis acabam sendo abandonadas porque geram frustração do cérebro e desmotivação. O mesmo acontece com as tarefas exageradamente fáceis.

A Neurociência não proporciona “receitas prontas” para estimular a aprendizagem, mas mostra alguns caminhos. Um educador deve respeitar três regras para realizar o processo com sucesso: é preciso ajudar o aprendiz a perceber que é ele quem está no controle, fazê-lo entender o quanto aquilo é importante para a sua própria vida e ajudá-lo a encontrar a emoção, ensinando-o a lidar com ela. A aprendizagem que oferece senso de controle e percepção de progresso é muito estimulante para o aluno.

Quando se fala em “aluno” muitos associam diretamente à crianças em idade escolar. No entanto as questões aqui discutidas podem ser desenvolvidas com pessoas de todas as idades. A Neurociência deve ser utilizada para melhorar o rendimento em uma sala de aula ou até mesmo em treinamentos de colaboradores de uma empresa, tanto que grandes empresas têm alcançado resultados bem interessantes.

[Crédito da Imagem: Aprensizado – ShutterStock]

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Autor

Luiz Alexandre Castanha, administrador de Empresas com especialização em Gestão de Conhecimento e Storytelling aplicado a Educação, atua em cargos executivos na área de Educação há mais de 10 anos.

Luiz A. Castanha

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