Carreira

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A motivação da equipe não é só financeira

publicado por Alexandre Fernando

Que as empresas de TI são essencialmente ancoradas em pessoas e dependem delas todos sabem . … Será?

Os casos de empresas que não conseguem conciliar os interesses econômicos e mercadológicos com os interesses dos seus colaboradores é mais comum do que se imagina.

Normalmente o caminho escolhido é o da compensação financeira. Essa técnica motivacional sozinha é inócua. Várias pesquisas sobre mercado de trabalho e recursos humanos concluem que o salário tem uma relevância na carreira de um profissional diferente do que os gestores pensam, normalmente eles são mais valorizados pelo gestor do que pelo profissional, que se apóia em outros fatores com peso maior para sua carreira, dependendo dos valores defendidos por cada profissional, mas, certamente bem mais complexo do que uma simples conta de adição.

Uma de muitas pesquisas relacionadas ao tema que já observava essa tendência é a de  EVANS, Paul. (1996) no artigo Carreira, Sucesso e Qualidade de vida ( http://www16.fgv.br/rae/artigos/315.pdf ) Paul é professor de comportamento organizacional no INSEAD, em Fontainebleu, na França. O artigo relata casos de sucesso e fracasso de executivos diante da incapacidade de conciliar seus interesses pessoais com os interesses de suas carreiras. Os resultados de fracasso refletem na vida da organização, pois, traduzem-se alterações na estratégia empresarial da companhia e inevitavelmente em prejuízos financeiros. Os casos de sucesso, obviamente, são fatores geradores de dividendos.  Essa relação já era observada e estudada a mais de 10 anos atrás.

Ou seja, de nada adianta um salário elevado que impõe  a renúncia de valores pessoais ou familiares ou um ambiente corporativo péssimo, ou vice-versa

Os cases de empresas que prosperaram e atualmente ocupam lugar de destaque no mercado são essencialmente as que souberam conciliar os interesses envolvidos.

O mercado de TI além de ser baseado em uma mão de obra altamente especializada, têm a entrada de muitos jovens  anualmente. Esses jovens profissionais além de estarem cada vez mais capacitados e especializados, já estão transformados pelo desenvolvimento e pela globalização e são cada vez mais exigentes e com valores cada vez mais apurados.

Muitos profissionais, independente da idade,  não estão mais dispostos a trocar horas de descanso por horas de trabalho. Algumas empresas ainda não entenderam isso. Muitas vezes os profissionais são convocados a trabalharem 10, 12 horas por dia, ganham relativamente bem e mesmo assim não estão contentes e sistematicamente procuram se colocar em empresas que valorizam mais as relações humanas.

Enxergo uma tendência neste ponto. A especialização cada vez mais exigida pelos empregadores, antes, um luxo, baseado na velha lei econômica da oferta e da demanda (relação: candidato x vaga) produz aqui um efeito de equilíbrio nas relações corporação x colaborador: os profissionais revisaram seus valores e diminuiram o valor dado ao trabalho, distribuindo-os para outras áreas como: família, lazer, relações sociais, enfim: E-Q-U-I-L-Í-B-R-I-O.

Como era de se esperar, algumas empresas não valorizam esse tipo de atitude, simplesmente repudiam. Mais por falta de estrutura e organização de seus processos que as fazem dependentes demais de algumas pessoas, do que por convicção, de qualquer forma, em determinado momento, esse comportamento pode ser encarado pelo mercado de recursos humanos como incoveniente, obsoleto, e representar ao longo do tempo um arranhão irreparável na sua imagem: Elas podem fixar a imagem de empresa exploradora, ultrapassada, pouco preocupada com os profissionais, etc.

Para alguns, essa revolução da mão de obra é uma afronta. “Quem eles pensam que são?” um pensamento retrógrado que remete aos confins do passado e traz à tona toda a cultura escravista da sociedade brasileira.

A boa notícia é que não são só trevas!  Existem corporações que entenderam  e assimilaram o recado. Em um mercado dependente de uma mão de obra cada vez mais especializada, como o nosso, a conciliação dos interesses é a chave do sucesso. A especialização, o estudo constante e o aprimoramento profissional dá sim à mão de obra condições para aumentarem a voz nas relações corporativas, mais poder de negociação e conseqüentemente um equilíbrio dos interesses.

Uma política de recursos humanos que valoriza as relações humanas e respeita as decisões pessoais dos funcionários escrita em uma linguagem clara e com regras bem definidas é essencial. A técnica de Coaching bem aplicada, e disseminada na empresa, também pode contribuir para distribuição inteligente da mão de obra entre os departamentos da corporação, ajustamento de funções. Parece besteira, mas não é.

A qualidade de vida dos funcionários não deve ser encarada apenas como custo, em um primeiro momento, de fato é um custo a ser rateado entre as operações da companhia, mas, ao longo do tempo, o custo se traduzirá em aumentos nas margens de lucro, e o custo se revelará na verdade um investimento a longo prazo.

É um caminho árduo a percorrer, mas, teremos que esperar para saber se os donos do engenho entenderão bem as mudanças dos novos tempos e se estarão dispostos a  reorganizar sua estrutura organizacional e se os custos de suas operações serão equacionados de forma a garantir uma relação mais saudável e benéfica para ambos.

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Autor

Programador Sênior e Consultor ERP. Atua em projetos na área de desenvolvimento de sistemas corporativos desde 1995. Graduado Tecnólogo em Informática para a Gestão de Negócios (2010) FATEC - Faculdade de Tecnologia de Jundiaí http://www.fatecjd.edu.br BLOG

Alexandre Fernando

Comentários

5 Comments

  • Parabéns pelo artigo. Está totalmente coerente com o que experimento hoje em meu atual emprego. Só compensação financeira não basta, clima e reconhecimento são igualmente relevantes.

    Abraços!

  • Bravo! Acho mister que estudantes e profissionais de tecnologia se empenhem a difundir essa forma de pensar e ver o mercado. Meus Parabéns!

  • É isso mesmo, concordo plenamente. Parabéns pelo artigo .

  • Ótimo artigo! É justamente essa a visão que tenho do mercado de trabalho.

  • Primeiramente parabéns pelo artigo, muito correto no meu ponto de vista, sou coordenador de uma equipe de suporte e sei como é difícil motivar um profissional quando a empresa não esta preparada. Não adianta nada você dar um bom salario, sendo que não da uma qualidade de vida, como uma emenda de feriado, um reconhecimento e etc. Geralmente o funcionário não quer prejudicar a empresa, mas não quer ser prejudicado também.

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