Gerência de Projetos

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Simplicidade em Times Ágeis

publicado por Geovane Araújo Soares

1. Introdução: aspectos gerais

A todo instante dentro dos nossos projetos são observadas situações que exigem decisões e a busca pela melhor solução, sejam questões técnicas, sejam questões relacionadas à área de gestão como um todo, onde os resultados se tornam necessários tendo em vista que vivemos em um mundo competitivo. Quando se fala em agilidade, geralmente associa-se a ideia de busca por soluções que trarão soluções rápidas e fáceis de forma simples e dinâmica. Outra ideia que surge, é que basta buscar um bom tutorial falando sobre um dos métodos que estão na moda, associa-los a uma boa ferramenta, e pronto, a solução está pronta para ser implantada dentro da equipe. Quando se começa a ter uma noção de tudo, dá-se a impressão da existência de uma cidade enorme com muitas ruas, prédios e um trânsito que não se sabe por onde começar. Um dos princípios ágeis fala sobre a arte da simplicidade: “maximização da quantidade de trabalho que não precisou ser feito”. É aqui onde mora o perigo, pois cabe uma observação mais detalhada sobre a verdadeira arte do equilíbrio, no não exagero, e no não simplista demais, tudo isso com uma boa dose de bom senso e adaptação.

2. Ser simples e Ágil

Para colocar a simplicidade em prática em projetos de software é preciso antes entender em que contexto tal projeto está inserido, e a partir daí pensar em como serão as reações frente às constantes mudanças cotidianas que são impostas, que requerem respostas rápidas e objetivas.

Durante as situações cotidianas, é comum muitas vezes a precipitação na tomada de decisões, que trazem consequências terríveis no futuro. Pra que isso não aconteça, é preciso estabelecer valores que farão parte do processo de decisões cotidianas, sejam elas quais forem, tais como: indivíduos e interações ao invés de processos e ferramentas; software operante ao invés de documentações completas; colaboração do cliente ao invés de negociações contratuais; responder a mudanças ao invés de seguir um planejamento.

O problema continua se tais valores ficarem somente jogados e não for criada uma base de sustentação para os mesmos. É aqui que entram os princípios, pois são eles que fazem com que tais valores não se percam com o tempo, e acima de tudo, sejam utilizados da forma correta. O Manifesto Àgil relaciona pelo menos doze princípios que trabalham situações bem práticas em equipes que desenvolvem software de qualidade. É importante lembrar que times ágeis fazem reflexões contínuas, de como eficazes estão sendo os princípios na prática e de que forma podem melhorar para atingir resultados ainda maiores e de forma contínua. Além disso, times ágeis não são times com ausência de problemas, ou que acham que sempre irão ter bons resultados, mas times ágeis são aqueles que aprendem juntos como resolver problemas, e como atingir maiores resultados de forma organizada e com padrões que mostram como o resultado foi atingido. Pra que isso aconteça é necessário um conjunto de práticas que levam a tais resultados. É a partir de agora que o quebra-cabeça começa a ser montando de como sair do caos total, e conseguir montar uma cadeia de raciocínio ágil, partindo de uma necessidade de solução de problemas agregado a valores, sustentado em princípios e organizados em práticas que produzem resultados satisfatórios e com uma organização, que pode agora ser melhorada e discutida de forma simples e ágil.

3. Tornando-se simples e Ágil

O Processo de simplicidade nem sempre é fácil ser seguido, e também não é fácil ser identificado. Na verdade, simplicidade não quer dizer facilidade, mas simplicidade quer dizer a melhor maneira de chegar ao resultado esperado. Para isso observe quatro aspectos importantes para atingirmos essa excelência.

3.1. Clareza

A construção sempre começa com o alicerce, e em times ágeis a simplicidade tem sua base de sustentação na arte de comunicar o processo e este ser entendido pelas pessoas. Para isso é preciso definir os valores, princípios e práticas a serem adotados pela equipe. É sempre  necessário levanta os seguintes questionamentos: como a equipe enxerga todo o processo, e principalmente se as pessoas sabem definir tudo de forma objetiva, sem meias palavras, e com convicção. Isto é feito através de uma estratégia, que de forma organizada define a planta do prédio a ser construído. Nesse processo de clareza, é preciso exemplos que podem ocorrer de forma visual, tornando a estratégia algo desejável. Vale ressaltar que as pessoas não poderão vivenciar algo que elas não podem lembrar. Além disso, é preciso avaliar como está o andamento do processo, em que níveis de resultados já foram alcançados. É aqui que cabe uma reflexão se o caminho certo está sendo percorrido. Aqui vale o seguinte pensamento: toda a estratégia e processos foram definidos, a equipe inteira esteve engajada, e durante semanas começaram as execuções de alguns pontos importantes, e passados dois meses alguém diz assim: Legal implantarmos processos ágeis em nossa equipe. Porém a intensidade vai morrendo, e todos voltam ao inicio mais desacreditados que antes. É aqui que entra o papel da liderança, pois valores, princípios e práticas ágeis precisam fazer parte do DNA da equipe, e isso é estimulado pelo líder, e ganha força com o envolvimento de todos dentro do processo. É o líder que reúne toda a equipe e cria uma atmosfera onde todos passam a respirar o que foi definido na coletividade, e faz com que todos estejam motivados durante todo o projeto.

3.2. Movimento

Para que haja movimento é preciso remoção de impedimentos. Tudo que possa atrapalhar precisa ser retirado do caminho. É doloroso montar uma estrutura, mobilizar as pessoas e por final o processo não trafegar da forma correta. Nesse aspecto, tais impedimentos podem vir de fora, como também de dentro, sejam impedimentos externos, tecnológicos, financeiros e até mesmo de pessoas.

No livro Desenvolvimento de Software com Scrum de Mike Cohn, o autor fala um pouco de alguns desses impedimentos pessoais. Ele classifica em resistência Ativa (reacionários, sabotadores) e Passiva (seguidores, céticos). O processo de resistência é comum em projetos, pois as pessoas costumam não gostar da mudança, do algo novo, e principalmente querer sair da sua zona de conforto. Por isso, a clareza da estratégia inicial bem definida é importante, pois isso irá gerar um movimento intencional nas pessoas, e somente os resultados positivos poderão cativar o restante da equipe, e a geração do movimento adequado, dinâmico e eficaz.

3.3. Alinhamento

Pessoas são diferentes, têm ideias diferentes e soluções diferentes. É interessante lembrar que muitas equipes ao não saber lidar com pessoas, acabam se fechando em suas próprias soluções, vivendo um ambiente obscuro e sem perspectivas de crescimento e expansão. É assim que muitas vezes tem acontecido, e a flexibilidade muitas vezes é jogada fora, e principalmente, a unidade não acontece. Equipes ágeis que querem utilizar a simplicidade ao seu favor precisam observar as pessoas com perfis diferentes, e a valorização de todos é importante dentro do processo, pois existe um objetivo em comum. Objetivo este, que também está alinhado à estratégia da organização como um todo. Um time dividido nunca irá sobreviver, e os resultados nunca irão ser satisfatórios. Para que times ágeis coloquem essa unidade na prática, é necessária uma boa de gestão de pessoas, e uma liderança com habilidades para alinhar as diretrizes de cada pessoa com os objetivos gerais da equipe. Uma equipe motivada é aquela em que as pessoas se sentem parte do processo, e que sabem que os resultados são de todos. Times ágeis são times que alinham suas motivações com simplicidade com um objetivo em comum.

3.4. Foco

No mundo tecnológico existem muitas soluções e propostas de desenvolvimento e gestão de projetos. Simplicidade exige foco na estratégia definida, e uma clara decisão do objetivo a ser atingido. Pra isso, times ágeis precisam aprender a dizer não ao desnecessário, o que muitas vezes é quase tudo. Em desenvolvimento de software isso é algo muito forte, pois existem muitas soluções de todas as formas, frameworks que já fazem quase tudo, linguagens que transformam o natural em tecnologia, super banco de dados que armazenam infinitas informações. É preciso tomar muito cuidado com isso, pois nem sempre a melhor solução vem de encontro a nós, mas pelo contrário, é o aprendizado através dos erros e acertos que mostram as melhores soluções. Alguém pode até ter usado uma ferramenta excelente no seu projeto, entretanto, o fato de ter dado certo em um projeto não garante o mesmo resultado com outros projetos. Além disso, o que o cliente deseja nem sempre é aquela solução rebuscada, cheia de funcionalidades e que muitas vezes ele nem utiliza porque nem mesmo sabe pra que serve. Times ágeis olham com clareza o objetivo final a ser entregue e focam com simplicidade no mesmo. Produzem só o necessário e focam no que realmente precisa de atenção no momento certo, com as definições do que o cliente precisa, e a otimização dos recursos.

4. Conclusão

A Simplicidade em times ágeis precisa ser difundida, antes de tudo, pela preparação de toda uma cultura organizacional de valores, processos, métodos e ferramentas que estão diretamente ligadas ao que as pessoas pensam e como elas se organizam. Descobrimos que ser simples não quer dizer facilidade, e que o DNA da mudança precisa ser estimulado pela liderança, que com clareza, movimento, alinhamento e foco, fazem do contexto teórico algo prático. Cada equipe possui uma realidade diferente, pois pessoas são diferentes, e desenvolver software com qualidade requer pessoas capacitadas a pensarem juntas em prol de um mesmo objetivo de forma organizada. O resultado precisa ser avaliado a cada nova interação, e é a satisfação do cliente é que vai mostrar o resultado satisfatório da simplicidade. Agilidade pode ser simples desde que contenha elementos práticos da simplicidade, e isso é diretamente proporcional ás experiências vivenciadas por cada equipe.

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Autor

Analista de Sistemas da Servi-san Ltda, empresa que atua no ramo de Vigilância e transporte de valores e terceirização de mão de obra há mais de quarenta anos em âmbito nacional, Especialista em Banco de Dados e Especializando em Gestão de Projetos, Atuação há oito anos com desenvolvimento de Software e estusiasta de metodologias ágeis, um dos fundadores da comunidade Agile Piauí

Geovane Araújo Soares

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