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Se utilizamos o organograma criado pelo Exército em nossas corporações, por que não adotamos também suas regras em nossas guerras?

publicado por Alberto Parada

A consolidação da organização hierárquica tão difundida pelo exército (e com sucesso) há tantos anos, e imitado por quase a totalidade das corporações mundo afora, levou para as empresas não apenas a forma de se organizar, mas principalmente o estado constante de guerra.

Calma meus amigos do Exército. Sei que existem diversas outras funções realizadas pela corporação tão importantes ou até mais do que estar preparado para a guerra. Mas permitam-me, sem detrimento das demais, usá-la como exemplo.

Desde um cumprimento até um estado de espírito, é comum (e muitas vezes tido como glorioso) dizer ao seu interlocutor nas corporações: “e ai como vai à guerra?” ou “estou na batalha do dia a dia”.

Se o militar coloca sua farda e vai para os quartéis aprender táticas e estratégias de batalha, o executivo veste seu terno e gravata e trava diariamente inúmeras batalhas, muitas vezes sem tática ou a menor estratégia.

Para um comandante militar, sua tropa é tão importante quanto a sua própria família; para um executivo, seus comandados, na maioria das vezes, são apenas peças de um tabuleiro que são utilizadas em benefício próprio.

O militar vai para o front defender ou conquistar um território; com o executivo não é diferente ele necessita defender o espaço da sua empresa no mercado e, para isso, semelhante a um militar, tem que muitas vezes matar o adversário, não apenas para avançar no domínio do território, mas, em muitas ocasiões, para manter-se vivo.

Nas batalhas militares, normalmente o adversário é um rosto que nunca se viu e por ele não se tem o menor apreço, porém respeito. Na batalha diária dos executivos, não é incomum ter que matar sem respeito adversários que, até pouco tempo atrás, defendia as cores da sua bandeira.

As baixas são comuns nos dois campos de batalha, porém as sequelas para os que não são subtraídos pela “morte” são piores no mundo corporativo do que no front militar.

As regras para uma guerra militar são regidas e respeitadas pelos comandantes e pelos comandados. Um prisioneiro de guerra, por exemplo, jamais será humilhado. Mesmo que em uma batalha as leis de guerra internacionais venham a ser desrespeitadas, o código de honra dos militares garante ao prisioneiro um tratamento digno.

No mundo corporativo não existem as mesmas leis. Por mais que o mercado regule e, às vezes, puna o vencedor de atos desrespeitosos, é muito comum e, na maioria das vezes, incentivado pelos executivos de maior “patente” a execração do derrotado.

Você já ouviu falar que um soldado no meio de uma batalha matou seu comandante para assumir o comando?

No mundo corporativo isso acontece constantemente.

Mesmo nos casos onde a batalha foi perdida, quando um combatente ferido, não importando sua patente, volta para casa ele é recebido como herói. No mundo corporativo o executivo que perdeu uma batalha é, na maioria das vezes, executado. Sua cabeça é colocada em praça pública e recebe todas as culpas, não importando que o fracasso da batalha perdida não estivesse ligado à execução do plano, mas sim com a sua concepção.

O herói ou o veterano de guerra tem a sua experiência difundida e colocada como exemplo para as próximas batalhas; aprende-se com os erros e criam-se novas estratégias baseadas nas experiências, tanto das vitórias quanto das derrotas.

Na maioria das vezes, um executivo abatido no front de batalha recebe, além da vergonha da derrota, o prêmio do desemprego. Ao contrário do que acontece no exército, sua experiência e história são coisas a serem esquecidas.

Nas corporações militares a experiência no front, suas vitórias e derrotas, são elementos fundamentais para o alto comando definir quem será o comandante na próxima batalha.

No mundo dos executivos, escolhe-se os comandantes, na maioria das vezes, apenas pelas suas vitórias, não importando como e quem foi morto para consegui-las.

Com a frenética busca diária por vencedores, os executivos que erraram, ficam à mercê da sua própria sorte ou da oportunidade advinda de sua rede de relacionamentos. Dificilmente conseguem uma nova oportunidade para colocar o seu conhecimento em novas e grandes batalhas.

Com a enorme falta de liderança especializada e experiente no mercado e com a crescente mortandade de executivos, será que não é momento de olhar para aqueles que não ganharam todas as batalhas, mas aprenderam com a dor da derrota e proporciona-los uma nova oportunidade de comandar uma batalha?

Qual será o nível de motivação e cuidado que um profissional taxado como derrotado e desprezado pelo mercado terá quando assumir novamente o comando do front?

Diferente dos considerados atuais vencedores (até porque um dia irão perder e cairão em desgraça), os tidos derrotados, saberão dar a atenção necessária no trato com as armadilhas dos adversários, desviar e conviver com a traição dos aliados, e conduzirá, com mais respeito e sensibilidade, as fraquezas e virtudes da sua tropa e ainda, como gosta de dizer o alto comando corporativo, terão um excelente custo beneficio.

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Autor

Fundador do : descomplicandocarreiras.com.br

Alberto Parada

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