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Retorno sobre investimento: você sabe o que é?

publicado por Flávio Steffens

Um dos principais benefícios dos métodos ágeis é o chamado Retorno Sobre Investimento, conhecido como ROI, ou return on investment.

Você que costuma falar desse benefício aos seus colegas, sabe exatamente o que se trata?

Este post visa tentar ajudá-lo a se embasar e bater mais forte em cima deste item. Afinal, a dor é no bolso é sempre mais forte.

Sem delongas, ROI é a relação entre o dinheiro ganho ou perdido através de um investimento. É aquele dinheiro que você (ou um investidor) utilizou para investir e que receberá de volta (com lucro) ou com prejuízo.

Normalmente é expresso por uma porcentagem. Se um investimento tem como ROI 10%, isso significa que se você investir 100 reais, terá como retorno 110 reais, ou seja, o montante que você investiu, mais 10 reais.

Falar de ROI usando apenas uma medida é fácil. O problema mesmo é quando envolve as outras variáveis que iremos discutir: benefícios não-financeiros e tempo.

Tempo

Se um empreendedor chega para você com uma idéia sensacional, diz que fez cálculos detalhados e que o ROI financeiro do projeto é de 50%. Você aceitaria bancar?

Por que não, certo? 50% é um bom retorno.

Agora acrescente mais uma medida: O ROI financeiro do projeto é de 50% em 10 anos.

Opa! A coisa muda de figura. Primeiro: estamos falando de muito tempo, 10 anos é quase uma eternidade para qualquer investimento. Segundo: se você colocar esse dinheiro investido na poupança (o “pior” dos rendimentos – 0,6% ao mês) sem contar os juros compostos, você teria um retorno de mais de 70%! Por que investir em um projeto cujo ROI é pior do que o da poupança?

Notem como ROI x tempo são duas variáveis explosivas. Uma pode quebrar com a outra. Por isso, quanto mais cedo o ROI for obtido, melhor.

Benefícios não-financeiros

Agora pegue este mesmo projeto, e acrescente que ele dará 50% de ROI financeiro em10 anos, e existem grandes chances de ele ser a cura para o câncer. O que você faria?

Neste caso, estamos pensando não só na questão financeira. Mas também nos benefícios da sociedade. A empresa que detivesse a cura do câncer, seria talvez tão destacada quanto é o Google hoje em dia. Quem não iria querer isso?

Estes são os benefícios nã0-financeiros. Conquistas intangíveis que poderemos obter com aquele investimento. Pode ser competitividade, benefícios sociais, ambientais, tecnoloógicos, etc.

Graficamente falando…

Estamos dizendo que o ROI é:

Compreensível, não é? ROI (valor) é o que permeia os custos (investimentos) e os benefícios (retorno). Simples assim.

Maximizar o ROI – Objetivo do Agile

Quando falamos em “maximizar o ROI” estamos dizendo aos nossos investidores e stakeholders que iremos obter o maior retorno e valor com o menor tempo e custo possível. E isso é extremamente possível com a abordagem de desenvolvimento iterativo, baseado na priorização, conforme os métodos ágeis sugerem.

O cliente investirá 500 dólares por iteração.
Ele tem 10 funcionalidades para serem feitas (10.000 dólares no total).
Serão entregues 2 por iteração.
Cada iteração terá 1 mês.
Totalizando 5 iterações, ou 5 meses.
Ele já terá o seu sistema funcionando ao final da segunda iteração, com 4 funcionalidades prontas.
Poderá lançar o seu produto investindo 1000 dólares.

Isso significa que ele poderá vender o seu produto ou serviço, na terceira iteração (terceiro mês!). A grosso modo, ele terá competitividade (lançará seu produto antes) e poderá receber dinheiro de seus clientes (produto/serviço comercializado). Além disso, nos próximos meses ele já terá um feedback de seus clientes, o que irá orientá-lo sobre a necessidade ou não de rever o backlog previsto. Talvez as 10 funcionalidades se tornem 8. Talvez mudem, orientadas ao cliente.

O fato é que ele terá o seu produto funcionando (valor), talvez já se pagando financeiramente (retorno) e com o menor custo possível (investimento). É um exemplo bobinho, mas que mostra o poder de maximizar o ROI.

Agora pense em waterfall….

O cliente investirá 10.000 dólares no projeto.
Serão 10 funcionalidades para serem desenvolvidas.
O sistema será entregue ao final da fase de homologação e testes.
Serão 5 meses de todo processo de requisitos, análise, construção, testes e homologação.
O desenvolvimento do produto (de fato) se dará lá pelo terceiro mês.
Ele só terá o seu sistema funcionando ao final do quinto mês.
Lançará seu produto quanto tiver investido os 10.000 dólares (se tudo correr bem!).

Isso significa que ele só poderá vender o seu produto ou serviço, no quinto mês, se tudo correr como o planejado. A grosso modo, ele perderá competitividade (lançará seu produto muito tarde) e não poderá receber dinheiro de seus clientes (produto/serviço comercializado). Além disso, não terá um feedback de seus clientes: seguindo a tendência de TI, 3 das funcionalidades que ele desenvolveu não serão usadas nunca. Outras serão usadas de vez em quando. E apenas 2 ou 3 serão usadas com frequência.

Isso significa que 1500 dólares foram para o lixo7.000 dólares poderiam ter sido melhor investidos e apenas 1.500 dólares tiveram um investimento certo.

Falando em ROI, ele teve um prejuízo financeiro absurdo (utilizando todo o recurso previsto, e até mais caso algo saia do plano), não gerou nenhum benefício não-financeiro aparente e só pode entrar no mercado com o produto depois de meio ano.

Conclusão

Investir financeiramente (ou não-financeiramente) em um projeto que segue o modelo waterfall tende a ser um tiro no pé. O foco do Agile é maximizar o ROI, porque entrega valor e benefícios, que podem vir a se tornarem vantagens para o cliente: seja o lançamento de um produto mais cedo do que os concorrentes, seja a possibilidade de já obter retorno financeiro sobre o produto com maior antecedência.

Maximizar o ROI é estar voltado ao mercado. É ter o seu produto funcionando (valor), talvez já se pagando financeiramente (retorno) e com o menor custo possível (investimento).

Não é mágica nem é uma promessa milagrosa dizer que os processos ágeis maximizam o ROI. É lógico e trivial! Um modelo orientado ao mercado.

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Autor

Flávio Steffens de Castro é empreendedor na Woompa (www.woompa.com.br), criador do crowdfunding Bicharia (www.bicharia.com.br) e gerente de projetos desde 2006. Trabalha com métodos ágeis de gerenciamento de projetos desde 2007, sendo CSM e autor do blog Agileway (www.agileway.com.br).

Flávio Steffens

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