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O Analista que não lê

publicado por Carolina Souza

O Analista que não lê

O foco do texto de hoje é sobre a função de Analista (de Requisitos, Negócios, Processos, Teste ou Sistemas), aquele responsável por identificar, compreender e especificar as necessidades requisitos do produto a ser executado (desenvolvido). Mas, poderia se estender a grande parte dos profissionais da área de Exatas, tendo em vista que conheço profissionais de outras profissões desta área que não gostam de ler e sempre ao serem indagados me respondem com o mantra: “Eu sou de Exatas, e não de Humanas, logo, não tenho que gostar de ler. ” – e, claro, discordo totalmente.

Todos nós, de Exatas, independente de sermos Analistas ou Programadores, nos expressamos muito mais com a comunicação escrita do que falada. Quer um exemplo? Pensem em quantos e-mails utilizamos para tratar de todos os assuntos e questões do nosso cotidiano.

Ou seja, precisamos saber como nos expressar de forma clara, coesa, objetiva e que gere a menor dúvida ou ruído possível no receptor da nossa mensagem. E como conseguimos escrever bem? Lendo (muito e sempre).

Não me refiro a literatura técnica (livros didáticos, guias, manuais, metodologias, normas e outros), mas sim a narrativa de histórias (romances, biografias, dramas, ficção, política e qualquer outro gênero).

Durante minha carreira me deparei com certas escritas que me indignaram. A forma confusa, o vocabulário limitado, expressões coloquiais, redundância nas informações e falta de coerência que prejudicaram completamente a recepção e decodificação daquela mensagem.

Um caso de uso precisa facilitar a vida do Desenvolvedor (que o executará) e do Usuário (que o validará), portanto, a linguagem utilizada precisa ser muito bem aplicada para que um público tão distinto consiga compreender a única mensagem emitida no documento de forma correta. Portanto, se o Analista não estiver familiarizado com as mais distintas maneiras que existe para transmitir uma mensagem, contar uma história, ele dificilmente conseguirá encontrar um meio de se expressar com a objetividade e a clareza necessárias para atender a estes leitores diversos.

Eu sempre desconfio quando vou entrevistar um candidato para Analista de Requisitos que não tenha o hábito de ler, por isso a redação é fundamental para avaliar como ele se expressa por escrito, obviamente, isso não é uma regra, pois, conheço uma profissional que não gosta de literatura de nenhum gênero, mas, sabe se expressar por escrito de forma satisfatória (esse caso é uma exceção).

Ao meu ver, a leitura não nos permite apenas aprender a escrever melhor, como a analisar, interpretar de forma mais apurada, conseguimos considerar mais nuances dentro de um contexto, que talvez sem essa prática pudesse passar desapercebido.

O olhar crítico sobre a nossa escrita muda muito a medida que vamos adquirindo novos conhecimentos. E isso é fundamental ao nosso cotidiano, por exemplo, ao precisarmos comunicar sobre uma situação ao CEO e aos nossos pares não podemos redigir um único e-mail, porque provavelmente o CEO não terá tempo para ler um e-mail longo, cheio de detalhes, ele precisará de algo mais conciso, prático, claro para que leia e capte a nossa mensagem de imediato. Já aos nossos pares o detalhamento poderá ser feito (e, possivelmente, será lido) sempre problemas. Como conseguimos essa percepção? Através da prática da escrita e do aprendizado com a leitura.

Portanto, se você é um Analista – que precisa abstrair necessidades e repassá-las de forma escrita a outros papéis da cadeia de negócio – e não gosta de ler, o convido a fazer uma autorreflexão: “Quantas vezes seus documentos foram mal interpretados e você precisou reescrevê-los?”. E a você que é da área técnica e também não gosta de ler faço outro questionamento: “Quantas vezes seus e-mails foram interpretados de forma equivocada e você teve que falar pessoalmente para explicar o que tentou dizer por escrito? ”.

Depois que você encontrar essa resposta (e eu acho que não gostará muito dela) o convido a um desafio: leia ao menos um livro ainda este ano (de qualquer gênero literário – exceto técnico). Depois me diga se sua percepção e a forma de se expressar por escrito não melhorou (fique atento às idas-e-vindas das suas mensagens, observe se irão diminuir).

Tenho certeza que você só terá bons resultados.

Boa leitura. Sucesso na trajetória!

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Autor

Especialista em Gerenciamento de Projetos e Engenharia de Requisitos. Com doze anos de experiência em TI, atuando na área de desenvolvimento de software nos setores público e privado, em projetos de médio e grande porte.

Carolina Souza

Comentários

1 Comment

  • Ola Carolina,
    Muito boa a sua analise e fundamentação do texto. Obrigada pelo artigo.

    Atuo ha 11 anos na area e muitas vezes pressuponto que 90% da falha de comunicação não se dá está tão somente a escrita e sim a comunicação como um todo. Abstrair é o maior desafio.

    Entrar na mente de uma pessoa a ponto de entender que um “x” para um cliente é uma determinada funcionalidade que tem um “valor” e para o analista tem outro “valor”. Isto é muito comum, porisso posso pressupor que estamos em 90% da falha de comunicação. O cliente é igual um paciente.. Sabe o que doi e quer uma remedio que cure.

    Identificar os gatilhos mentais, contextualizar em um mesmo mapa a ponto de faze-los imaginar em uma mesma página. É um trabalho de GENTE GRANDE.

    Muito mais dificil que escrever é abstrair o que o cliente deseja. Concordo com você.

    Este é um tema QUENTE do qual possuo muito interesse “mente” e “comportamento humano” e gostaria de fazer uma breve reflexão.

    Quando nos fomos alunos, nos ensinaram que havia uma lógica, não é?
    O aluno tem uma lógica no ato de estudar e, para os professores, há outra. Há uma prova para avaliar.

    Sou mãe e tenho 3 filhos e ouço de um em especial: “Fui a todas as aulas de matematica, estudei em casa e não concordo com as notas que recebi”.
    E eu respondo.
    E não deve concordar mesmo. Eu tb não concordava com muita coisa. Ainda não concordo.
    Mas chamo ele: – Vamos desenhar e raciocinar. Eu pego o relógio e digo, te dou 10 min para desenhar. -E ele me responde… tá… Mas fica nervoso, destraido e começa a roer unhas.

    O professor retruca, afirmando que o aluno é preguiçoso e não entendeu a matéria de matemática e quando o aluno chega em casa não so desenha projetos mecânicos com 6 anos de idade como conserta tudo que tiver números e medidas. Seu principal brinquedo é uma caixa de ferramenta.
    Mas eu identifiquei que ele tem uma trava com “tempo”., por outras coisas que me evidenciaram isto.

    Eu diria que nós temos que nos olhar um problema por tantos angulos. Muitas vezes há pressão para entrega, não há tempo, não há prazo. E ai é sem qualidade mesmo. etcc.

    Neste ponto o Agil/Scrum trouxe uma otima fundamentação. Onde as pessoas são “obrigadas” a se comunicar, não ha culpados, há pequenas partes de funcionalidades até que vire um todo de projeto. Porisso há menos erro, porque vai se alinhando tempo a tempo. Todos pensam, pensam juntos… O erro diminui e muito.

    E me desculpem o corporativismo. uma reflexão pessoal, tá?
    Colocar na mão de uma única pessoa a responsabilidade do entendimento de um projeto é muita falta de visão.
    Se juntos somamos, porque não desenhar, discutir, aprender, trocar experiências? Todos ganham sem exceção.

    Esse para mim talvez seja o maior descompasso que revela o grande abismo que existe entre as pessoas e o processo de abstração.

    No artigo http://www.tiespecialistas.com.br/2015/08/teste-vocacional-e-tudo-mentira/ tentei fundamentar um pouco dos meus estudos exatamente sobre os tipos de inteligência e desenvolvimento delas.

    Falamos de pessoas, e elas são diferentes. E todas sem exceção são iguais em “desenvolver habilidades”.

    Isabela Gayno

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