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Quem é míope?

publicado por Flávio Steffens

Quem é míope?Encontrei essa charge em um blog de piadas, e achei muito divertida. Tem um viés sarcástico nela que eu gostei bastante. Porém, percebi depois que ela pode representar algo que conhecemos muito bem no nosso dia-a-dia: a miopia organizacional.

Miopia organizacional é o que eu chamo de tudo aquilo que é visto de diferentes formas por cada um dos “lados” da empresa.  São aquelas situações típicas: os funcionários veem uma solução, a direção vê um problema. E vice-versa, logicamente.

Notem que isso só acontece em locais onde de fato existem estes LADOS. Ou seja, de um lado os chefes e do outro os funcionários. O meio é preenchido pelo vácuo ou por palavras inócuas como “sinergia”, “trabalho em equipe”, “juntos chegaremos lá”, “resultados”, “feedback” e outros chavões.

O que isso tem a ver com agile? Ora, tudo!

Os processos ágeis padecem, nos dias de hoje, exatamente por causa da miopia organizacional das empresas. O medo do novo, da mudança ou, no pior dos casos, o medo ser líder e não chefe, costuma causar calafrios no lado superior. Já no lado inferior, o medo costuma ser de assumir mais responsabilidades, assegurar resultados e qualidade. E este medo acaba criando barreiras e contribuindo consideravelmente para aumentar o grau da miopia. Temos medo do novo. Temos medo de sair da zona de conforto. Isso é intrínsico do ser humano.

O resultado acaba sendo a historinha que ilustra este post. Um funcionário (ou um chefe) tem alguma idéia, vê além do horizonte ou pensa fora da caixa. Porém seuinsight não é levado a sério ou causa um impacto inesperado. E o diagnóstico costuma ser: “Você ainda é novo aqui… precisa saber como funcionam as coisas”, “Isso jamais funcionaria aqui” e frases deste tipo. Para cortar o “problema” pela raiz, eles corrigem sua visão, tornando-a comum a toda empresa.

Não existe, infelizmente, uma fórmula secreta ou uma regra específica para reduzir a miopia organizacional. Isso está fortemente ligado à cultura e o ambiente da empresa. É por isso que você já deve ter escutado diversas abordagens sobre como “vender os processos ágeis” nas empresas. Uma abordagem top-down considera que a iniciativa partirá dos superiores para os funcionários. A miopia aqui pode gerar um sentimento de “imposição”, “controle” ou qualquer coisa relacionada a mudar como um “mal necessário”. Já uma abordagem bottom-up é aquela em que um funcionário tenta trazer a iniciativa aos seus superiores. Aqui a miopia gera as consequencias já conhecidas e citadas anteriormente.

Não importa qual será a abordagem que você irá seguir, o que realmente importa é planejar e medir bem cada passo. Dê passos de bebê (baby steps) para atingir o que você deseja. Se quer implantar SCRUM, comece diagnosticando a situação atual da sua empresa. Em seguida, inicie com reuniões diárias de equipes. Meça os resultados. E siga assim, ação por ação, passo a passo.

Essa, talvez, seja a única fórmula recomendável para combater a miopia organizacional.Mude. Mas aos poucos e sem pressa. E com o tempo, você verá que todos estarão assimilando a nova cultura.

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Autor

Flávio Steffens de Castro é empreendedor na Woompa (www.woompa.com.br), criador do crowdfunding Bicharia (www.bicharia.com.br) e gerente de projetos desde 2006. Trabalha com métodos ágeis de gerenciamento de projetos desde 2007, sendo CSM e autor do blog Agileway (www.agileway.com.br).

Flávio Steffens

Comentários

1 Comment

  • parabéns pela matéria!
    Estes dois lados que você citou faz até parecer, em determinadas situações, que cada lado trabalha para um empresa diferente, tamanha a lacuna existente entre a “liderança” e os funcionários.

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