Tecnologia

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É o “negócio social” sinônimo de desenvolvimento sustentável?

publicado por José Luiz Barbosa

Nada revolucionário veio da conformidade. Se você quer ser contraditório e perturbador, você tem que viver e respirar o que é radical. Mas as vezes o que parece ser uma idéia totalmente radical perde o seu tom certo de “inovação social” por não termos coragem de ser totalmente radicais.

Nada revolucionário veio da conformidade.

Deixe me desta vez começar com um ‘case’ que a primeira lida parece uma “inovação social”, gerando impacto social e dando realmente a possibilidade de geração e rendas para a população na Base da Pirâmide: “Reciclagem de óleo gera renda para 1,8 mil trabalhadores”. Mas lendo a apresentação do projeto não vejo esses 1,8 mil. Vejo uma ONG que é suportada por várias empresas privadas tomando conta de todo o processo de reciclagem, e bem ou mau dando mil reais para 50 famílias. Em um projeto similar no Rio de Janeiro irá colocar postos de reciclagem em Copacabana, na Av. Atlântica, e dar a coleta para uma cooperativa. Isso meus amigos, de uma outra forma, daria um BIG “negócio social”. Se fosse feito radicalmente de maneira que “compreende produtos, técnicos e/ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas em interação com a comunidade e que reapresentam efetivas soluções de transformação social” e ainda “criando novas oportunidades e geração de renda para mulheres pobres”, eu diria que colocássemos os postos de reciclagem na Comunidade do Pavão/Pavãozinho e Cantagalo que fica entre Copacabana e Ipanema. Ensine esta comunidade a técnica/metodologia de reciclagem, dando a eles conhecimentos e conscientização ambiental, gerando rendas para essas pessoas e deixe empreendedoras individuais, da mesma comunidade, tomar conta da coleta.

“Inovação Social”

No início do ano 2000, foi gerado um enfoque em “inovações sociais”, fundamentalmente orientado ao desenvolvimento e à difusão de tecnologias organizacionais destinadas a favorecer a mudança social, mediante a satisfação de necessidades de grupos sociais desfavorecidos (Martin e Osberg, 2007). Existe, na realidade, um leque de propostas em termos de “social innovation”. Essas diversas formas de inovação podem-se apresentar a partir da utilização de novas tecnologias (Internet, telefonia celular), novas formas de organização ou simples combinação de idéias: sistemas de educação à distância, sistemas de creches comunitárias, cooperativas de agricultores com uso de tecnologia da Internet, consulta médica a distância usando Skype, etc. Diferentemente da inovação convencional, que se concentra em objetivos econômicos orientados ao aumento do lucro para seus investidores. A inovação social com impacto, no meu ponto de vista, só ocorre quando, como postularam Phills Jr., Deiglmeier e Miller, a solução apresentada se mostra com uma promessa de ser mais eficaz, eficiente e sustentável do que as soluções existentes para os atuais problemas sociais. Sua superioridade se deve ao seu principal foco em que beneficia a sociedade como um todo, ao invés de um pequeno número de pessoas em particular.

A economia e a civilização humana na verdade, só deveria ser medida e calibrada em termos de seres humanos. Tudo na economia deveria ser ajustado para as pessoas em primeiro lugar, abandonando as análises numéricas ilusórias que, inevitavelmente, colocam os números à frente das pessoas, o capitalismo à frente da democracia e degradação antes da compaixão.

“Negócio social” é sinônimo de desenvolvimento sustentável

“Negócio social”, e o seu novo modelo de fazer negócios, promove soluções sustentáveis a questão da “inovação social”. Muhammad Yunus, que introduziu o conceito, conta que quando estava montando o Grameen Bank perguntava aos seus funcionários quantas pessoas eles haviam ajudado durante o dia, ou quantas pessoas eles haviam visitado e escutado o dilema delas, e não quantos empréstimos eles haviam realizados.

Penso que há um abuso assombroso do uso do termo sustentável. Vejo esse termo de acordo com essa figura:

E desenvolvimento sustentável como é citado no “Nosso Futuro Comum”, também conhecido como Relatório Brundtland:

– “O desenvolvimento sustentável é desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades. Ele contém em si dois conceitos fundamentais:

– o conceito de necessidades, em particular as necessidades essenciais dos pobres do mundo, a prioridade absoluta que deve ser dada, e

– a idéia de limitações impostas pelo estado da tecnologia e da organização social sobre a capacidade do meio ambiente para satisfazer as necessidades presentes e futuras.

Apresento aqui a definição de “negócio social” no contexto da “inovação social”: o empresário define o negócio com a finalidade específica de promover a mudança social e ambiental para reduzir a pobreza generalizada de uma forma que prometem ser mais eficazes, eficientes esustentável que a actual soluções para os problemas existentes na sociedade. E “os rendimentos são gerados, mas o principal objetivo não é maximizar o retorno financeiro para os acionistas, mas para beneficiar financeiramente grupos de baixa renda, o crescimento da empresa e reinvestir no negócio, permitindo satisfazer as necessidades dos mais pobres”.

Proponho aqui que “em teoria”, “negócio social” é coerente com o desenvolvimento sustentável já que engloba os conceitos: economia como negócio; social como transformação social; meio ambiente, também, como transformação ambiental. Todos esses três conceitos virão satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras. Ainda trazendo uma promessa de ser mais eficaz, eficiente e sustentável do que as atuais soluções existentes as necessidades essenciais da população na Base da Pirâmide.

Se queremos continuar à entender e à conversar sobre Tecnologia Social, e como essa tecnologia especificamente poderá realmente nos levar à servir o desenvolvimento econômico e a civilização humana aos invés de servir a uns poucos, em particular, temos que entender em que contexto ela deverá co-existir.

Obrigado por lerem este artigo no site TI Especialistas. Até a próxima!

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Autor

New Business Development, Creative Leadership, Entrepreneurship and "Social Business" - http://www.cvlink.com.br/site/JLBarbosa Especialidades: Liderança Criativa e estruturamento de organização com o propósito de desenvolver capacidades e conhecimento. Os benefícios que proporcionei a outros, em meu trabalho, foram: • descobertas de novos caminhos para fazer dar certo a construção do futuro da organização, • realizações concretas segundo metas de negócios, • ações focadas e evolutivas, • amadurecimento e crescimento de uma equipe, • despertar, na equipe, capacidades que estavam guardadas Área de atuação: desenvolvimento de novos negócios, comunicação institucional, inovação social e desenvolvimento sustentável.

José Luiz Barbosa

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