Gerência de Projetos

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Consultoria de TI com mentalidade da área de informática

publicado por Uilson Souza

Desde que comecei a escrever neste espaço, sempre busquei passar um pouco da minha experiência nos projetos que participo, para que possamos entender as situações vividas e aplicar (ou não) em experiências futuras.

Falamos aqui que o prestador de serviços de TI tem de se posicionar em relação ao que vai oferecer a seu cliente e, dentro daquilo que está em contrato, fazer o melhor possível e impossível.

A cada post que era publicado, eu tentava entender o motivo de tudo aquilo que passava.

Fiquei alguns dias pensando porque tudo isso acontece. Queria achar o “ponto da dor”, o motivo que me fazia escrever neste espaço dando dicas e tentando fazer com que o leitor, envolvido ou não em situações semelhantes, pudesse mudar e/ou melhorar seu dia a dia.

A conclusão que chego é que o termo “serviços de TI” ainda não foi muito bem assimilado pelas novas consultorias, ou ainda não entenderam a diferença de prestar serviços alocando recursos e efetivamente executar e gerir este tipo de prestação.

Vamos excluir desta lista, gigantes como Microsoft, IBM, HP, além de consultorias que simplesmente alocam profissionais para grandes empresas. O que temos visto desde meados da primeira década dos anos 2000 são departamentos de TI de grandes empresas que, por questões que, aqui não vêm ao caso, viram uma empresa de TI dentro de uma grande corporação que lhe presta serviços de TI.

Imagine a situação:

A empresa ABC Logística tem seu departamento de TI. Este departamento vai crescendo, de acordo com o próprio crescimento da empresa. Com o decorrer do tempo, e com o excelente nível de TI praticado, a ABC Logística entende que tem condições e pessoal qualificado para prestar serviços de TI, não só para ela mesma, mas, para outros clientes.

Surge então a ABC IT Solutions, uma empresa do grupo ABC Logística, que, por seu bom nome no mercado, atrai clientes para sua subsidiária de TI.

Tudo isso é muito bonito na teoria, mas, na prática, temos diretores e supervisores de TI, que trabalharam anos no mercado logístico e hoje, de repente, estão atuando no mercado de TI, e muitos deles, sequer sabem por onde começar.

Amigos, este que vos fala já atuou em diversas empresas desse tipo e até hoje atua. Apesar do grupo que trabalho hoje estar bem maduro em relação ao fato de “prestar serviços de TI”, já passei por situações no mínimo estranhas.

Em certa ocasião, um dos diretores (que veio de outro setor da empresa, bem diferente de TI), perguntou a um dos analistas, o porque determinado servidor (que estava com problemas) ainda não tinha sido restabelecido. O rapaz respondeu que estava cuidando da situação e que estava fazendo o restore do último backup.

Ele perguntou quanto tempo demoraria. O analista disse que o restore tinha tempo previsto de 3 horas para retorno.

Ao receber a resposta o indivíduo soltou uma “pérola”:

“Por favor, acelere isso, coloque mais uma pessoa pra trabalhar com você. Dessa forma o restore ocorrerá mais rápido”.

No momento em que ouvi aquilo, antes de sair correndo do setor para rir no café, imaginei dois analistas ao lado do servicor, uma manivela de cada lado e ambos girando a manivela e acelerando o processo.

Hilário não? Mas, veja bem; é esse tipo de pessoa (sem qualificação em TI) que toma decisões na empresa e estas decisões podem causar problemas que, normalmente, atingem a todos.

Os funcionários desta nova empresa de TI, irão entrar em clientes externos e não terão muita consciência de como agir em determinadas situações. Os feedback’s da ABC Logística são muito diferentes daquilo que outro cliente, de outro setor do mercado pode dar.

Aí, duas coisas podem acontecer:

  1. Perderem clientes por não saberem a diferença da ABC Logística com outros setores do mercado e aí a ABC Logística entende que, TI não é mesmo o seu forte, demite muita gente e volta a ser só a empresa de logística que tem uma área de informática.
  2. Os clientes percebem essa deficiência e se aproveitam disso, para cobrarem muito além daquilo que pagam, afinal, essa empresa muitas vezes, nem um bom contrato conseguem fazer.

Caso você, analista ou gestor de TI, trabalhe em empresas citadas neste artigo, não se ofenda, nem desanime.

Em momento algum penso em desmerecer esse tipo de tendência, nem tampouco dizer que esse mercado é restrito a empresas A ou B. Tanto que, trabalho numa empresa desse tipo, que, só à pouco tempo amadureceu para esta realidade.

Estou apenas expondo uma situação, onde a empresa que cito aqui é fictícia, mas, os fatos, inclusive a história do restore, são verídicos. Essa tendência, mal aplicada aos padrões de gerenciamento e prestação de serviços de TI só nos prejudicam.

Expor um produto e/ou serviço para seu cliente é uma atividade totalmente diferente de expor isto para o responsável financeiro da empresa onde você gerencia uma área de informática.

Falando de forma mais clara, fazer TI como a área de informática é algo totalmente diferente de ser a XPTO IT Solutions.

Existem parâmetros e processos a serem seguidos e um entendimento de que a partir de agora, a empresa caminha com as próprias pernas, pois, o mercado, apesar de promissor e aquecido, também é severo com quem não tem condições de lidar com ele.

Além disso, essas empresas precisam ser geridas por quem realmente entende do assunto e que tenha vivência na área.

Se a sua empresa planeja entrar nessa onda, procure trazer para o “high staff” dela, pessoas que já sabem o que gerir uma empresa que presta serviços a grandes corporações e que irá saber lidar com as mais variadas situações.

Pra quem lê com freqüência os artigos neste espaço e trabalha, ou está gerindo uma empresa nesses moldes, leia os posts da Fabiana Segatto. Vocês terão muito a aprender. Principalmente em seu último artigo. Vale a pena conferir.

Lembrando que a empresa ABC Logística é fictícia e foi só usado aqui como exemplo, qualquer semelhança terá sido mera coincidência.

Abraços

Uilson

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Autor

Formado em Tecnologia em Processamento de Dados pela UNIBAN. Analista de Projetos de TI, atua no design, planejamento e implementação de projetos de tecnologias Microsoft, tais como ISA Server, Forefront TMG, servidores Windows, Windows Clustering e Hyper-V. Também trabalhou como IT Specialist na IBM e como Consultor de TI em empresas como Alcoa, Credicard, Bradesco Seguros, Unilever, Caterpillar e Banco Merril Lynch. Profissional certificado como MCTS em ISA Server, participa do grupo MTAC (Microsoft Technical Audience Contributor), publica artigos técnicos em seu blog no endereço http://uilson76.wordpress.com e também no portal TechNet Wiki (http://social.technet.microsoft.com/wiki) Linkedin: http://www.linkedin.com/in/uilsonsouza Twitter - http://twitter.com/usouzajr

Uilson Souza

Comentários

6 Comments

  • Perfeito Uilson, parabens, está também é minha visão de algumas empresas

    • Obrigado Sidney! Espero que nossa visão possa mudar um dia!
      Abraços e continue participando!

  • Parabéns Uilson,

    Você conseguiu em poucas palavras descrever situações que, pelo menos durante a minha experiência como profissional CLT na área de tecnologia, deparei por diversas vezes.

    E como descrito no exemplo, os profissionais de TI deverão estar preparados em como será informado aos clientes o que esta sendo feito para solucionar o problema que ocorreu, mas lembrando-se sempre de utilizar os termos de conhecimento do cliente.

    • Obrigado Marcelo! Fico feliz com seu retorno! Continue participando!

  • Parabéns pelo texto.

    O que aconteceu comigo foi algo similar, eu e um colega de trabalho saimos da empresa onde trabalhavamos e abrimos uma empresa. Não deu certo, pois eramos de áreas diferentes (TI e Contabilidade). Depois desta experiencia abri a minha própria empresa, hoje com outros sócios.
    Com relação à agilizar o backup, também tenho uma pérola para contar: Quem é mais antigo na área de TI deve se lembrar da planilha eletrônica Lotus 123, pois bem, nosso gerente na época falou com um cliente que poderia oferecer aos colaboradores do cliente um curso de Lotus 1, Lotus 2 e Lotus 3, dificil foi não rir na frente dele.

    Abcs

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