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Centros de Competência de BI (BICC)

publicado por Celso Viana

Centros de Competência de BI (BICC)Originalmente, o termo Centros de competência de BI (conhecido também como BICC – Business Intelligence Competence Center) foi utilizado pelo instituto de pesquisa GARTNER (DRESNER et al., 2002). Segundo o autor, grande parte das organizações consideram BI uma iniciativa estratégica fundamental para o sucesso das organizações, afirmação confirmada repetidamente em toda pesquisa anual realizada pelo instituto de pesquisa GARTNER nos últimos dez anos. Contudo, a definição de uma estratégia de BI, embora conste nos planos ou desejos das organizações, não costuma ser levada a termo pelos executivos, devido a mudanças de prioridades ao longo do tempo.

Mesmo quando existe uma estratégia definida, seja ela simples ou complexa, restrita ou abrangente, não costuma ser bem sucedida na sua execução. Essas deficiências no estabelecimento de um programa de BI (traduzido em projetos ao longo do tempo) e na evolução da gestão da informação (traduzida pela contribuição para melhoria das tomadas de decisões e dos processos da organização) tem sido alvo de estudo nos últimos anos por acadêmicos e profissionais de mercado.

Os sintomas presentes em diversas organizações são a existência de silos de informações (visões departamentais), falta de diretrizes estratégicas, táticas e operacionais para o uso de informações nos processos de negócio e prevalência de áreas de BI preocupadas basicamente com aspectos técnicos e de infraestrutura.

DRESNER et al., 2002 definem esse quadro como “inércia de BI” nas organizações, normalmente presente em cenários organizacionais onde não há um bom alinhamento e/ou relacionamento das áreas de negócio com a área de TI.

Muitas vezes as prioridades de TI e do negócio são conflitantes (ex: TI deseja reduzir custos e padronizar tecnologias enquanto o negócio deseja resolução rápida dos seus problemas, não importando a tecnologia utilizada).

Existem geralmente dentro das empresas áreas de negócio que são entusiastas para utilizar informações na resolução dos seus problemas, mas por não ser hoje uma prioridade da área de TI, leva ao quadro que vemos normalmente, onde o negócio busca soluções alternativas e independentes, geralmente não alinhadas as estratégias de TI.

Esse quadro leva a uma diversidade de soluções, tecnologias e arquiteturas nas quais as informações da organização são representadas e armazenadas, certamente aumentando o custo e a complexidade para a organização e dificultando as análises com maior valor estratégico (ex: rentabilidade de clientes e de unidades de negócio), pois os silos de informações criados não permitem o uso compartilhado de informações.

Diante deste cenário, a empresa deve busca uma solução para aproximar as áreas de negócio da área de TI em torno de uma visão estratégica comum para BI. Nessa estratégia, é preciso que todos entendam e concordem com os diferentes aspectos que devem ser considerados: infraestrutura (ex: robustez, escalabilidade, padronização), processos (ex: definição de necessidades de informações), rituais e procedimentos (ex: priorização de demandas de informações em um comitê), papéis e responsabilidades dos envolvidos e, finalmente, a estrutura adequada de pessoas para entregar e suportar a estratégia de BI. (ECKERSON, 2006).

Uma estrutura proposta para atender essas necessidades é o BICC (Business Intelligence Competence Center), que pode ser definido como uma equipe multifuncional (entre várias áreas da organização) com papéis, responsabilidades e atividades previamente definidas, para suportar e promover o uso efetivo de BI ao longo da organização (MILLER et al., 2006).

A proposta do BICC aborda os seguintes aspectos:

  • Garantir alinhamento entre executivos do negócio, TI e usuários de informações das áreas de negócio;
  • Garantir o entendimento de todos os envolvidos com relação às necessidades de informações das diferentes áreas e sua importância para a organização;
  • Definir ferramentas, processos, procedimentos e metodologias para entregar a estratégia de BI;
  • Adoção de melhores práticas de mercado para melhorar a confiabilidade e a consistência de BI;
  • Aumentar a participação das pessoas na resolução de problemas ou identificação de oportunidades através do uso de informações;
  • Adoção de cultura analítica através de ferramentas e especialização em análises estatísticas especializadas.

A adoção de um BICC está associada diretamente ao aumento do uso de informações pelas áreas de negócio de uma organização para  orientar seus processos, decisões e atividades de interação entre as áreas. Esse uso de informações mais abrangente e permeado na organização confere um caráter mais estratégico para BI, levando à necessidade de uma gestão integrada das informações existentes.

O BICC tem como atribuição desenhar e manter o modelo de governança de informações da organização. Isso requer um alto nível de padronização e conceituação das informações para que elas possam ser utilizadas e compartilhadas ao longo de toda a organização, gerenciadas como se fossem um ativo para cada uma das áreas de negócio. (JOHNSON, 2011).

O papel do BICC é eliminar os “silos de informações”, melhorar a qualidade das informações e das soluções de sistemas de BI entregues para a organização, além de promover o uso corporativo das informações.

Muitas vezes nas organizações, as informações são geradas a partir de variadas fontes de dados. Se não houver uma administração adequada da geração de informações a partir dessas diversas fontes, a tendência é a criação de visões distintas e redundantes sobre as mesmas informações e entre as várias áreas de negócio, levando à perda de credibilidade sobre as informações e sobre as pessoas que as mantém, gerando como consequência uma baixa confiabilidade das atividades realizadas pela área de TI e como decorrência dificultando a adoção de sistemas de BI.

O BICC não deve ser considerado somente como um grupo de pessoas técnicas, mas sim como um time de pessoas com competências analíticas, de negócio, de TI, e de gestão de projetos, governado tanto pela área de TI quanto pelas áreas de negócio. Essa representação tanto de TI quanto do negócio no mesmo time de pessoas permite o estabelecimento de processos padronizados que garantem a qualidade das informações, visão conceitual única sobre as informações, o aumento da taxa de adoção de sistemas de BI, além de favorecer a comunicação e o estabelecimento de uma estratégia de BI na organização (O’NEILL, 2011).

A localização do BICC na estrutura organizacional é um tema importante, mas varia de acordo com o contexto e a área de atuação da organização. Frequentemente, encontra-se a área localizada em TI, porém não é a melhor localização, dado que o BICC deve ter um impacto direto no negócio. Se há uma área na organização que é predominante (ex: marketing em empresas de bens de consumo), é nela que o BICC deve estar localizado. O sucesso da adoção de um BICC depende fortemente do suporte executivo, portanto, é vital que inicialmente seja identificado um executivo que entenda a importância e a necessidade de um BICC e que deseje ser o patrocinador dessa empreitada (ZEID, 2006).

De acordo com (SCHLEGEL, 2010a, 2010b), apud (PINTO, 2012) um BICC teria as seguintes funções básicas:

Estrutura BICC

Um BICC pode ser iniciado como uma iniciativa de TI, desenhado para focar na consolidação do ambiente técnico de informações para garantir uma visão consistente de informações. Outra abordagem possível é ter como base os requerimentos de uma área de negócio bastante representativa na organização e focar na resolução de problemas dessa área com o uso de informações. Alguns BICC são centralizados de forma corporativa, outros são redes articuladas para trabalharem em time, outras são equipes mistas ou virtuais formadas por pessoas do negócio e de TI, mas o importante é que não importa como se origina um BICC, a estrutura organizacional desse centro de serviços tende a mudar e se ajustar ao longo do tempo de acordo com a cultura e as necessidades do ambiente de negócio da organização (BOYER et al., 2010).

Criação de uma Equipe de BI Multifuncional na área de TI

De acordo com MILLER et al., 2006) centros de competência ou centros de excelência  são desenhos organizacionais voltados para suportar e disseminar o uso de informações ao longo da empresa. Esses centros têm como missão a distribuição de informações relevantes e de boa qualidade e garantir que os usuários façam uso e interpretação adequados.

A área de BI deve ser inserida em um modelo de sistema de apoio à decisão, com capacidade para suportar a formulação de estratégia corporativa, auxiliando os profissionais das diversas áreas a identificar ameaças e oportunidades, melhorar o desempenho dos processos de negócio e aumentar a capacidade e velocidade de resposta às mudanças.

A experiência prática e diversos trabalhos acadêmicos sobre fatores críticos de sucesso para projetos de BI mostram que empreitadas dessa natureza costumam ter uma taxa baixa de sucesso (HAWKING; SELLITTO, 2010), devido à complexidade e à grande quantidade de recursos envolvidos. Em uma pesquisa sobre o tema, realizada por (YEOH e KORONIUS, 2010), foi proposto um modelo atualizado de fatores críticos de sucesso específico para projetos de BI. Efetuei um estudo de como esses fatores críticos podem ser traduzidos para a criação de uma área de BI dentro da empresa. A figura abaixo exemplifica atividades e responsabilidades entre as áreas de TI e Marketing, por exemplo.

Atividades E Responsabilidades

De acordo com a figura acima, caberia as seguintes responsabilidades a:

  • Diretoria Executiva: Definir as estratégia de negócios, a prioridade na sua execução, ser o sponser dos projetos de BI e atuar, quando for o caso, como facilitador no relacionamento com as diversas áreas da organização;
  • Marketing: Desenvolver competências de usuários, definir regras de negócios, criação de pontos de vista de negócios de dados, descobrindo e explorando dados e permitindo habilidades analíticas avançadas, como a mineração estatística e texto. Habilidades analíticas são necessárias para cumprir estas atividades;
  • TI: Definição de visões, manutenção de programas, o estabelecimento de padrões, criação do roteiro de tecnologia, identificação e extração de dados, fornecimento de liderança metodologia, manutenção de uma infra-estrutura adaptável;
  • Ambos: Um trabalho conjunto e contínuo das áreas de TI e Marketing para garantir a qualidade de dados e informações.

É necessário hoje dentro de TI ter uma estrutura formal de pessoas que seja responsável por ser o ponto focal nas questões relacionadas a BI. A figura abaixo descreve uma estrutura simples de equipe, devendo crescer de acordo com as necessidades da empresa. A estrutura sugerida seria esta:

organograma

Devido a forte dependência tanto das gerencias de sistemas, que aqui neste caso, é onde está o conhecimento de todos os sistemas e bases de dados operacionais da organização quanto da gerencia de arquitetura, que por sua vez é responsável por toda a estratégica tecnológica e infraestrutura que envolve um BI, coloquei estas como áreas de apoio, sendo que a equipe de BI, devido a sua natureza multifuncional fica vinculada diretamente a diretoria.

Bibliografia

  • BOYER, J.; FRANK, B.; GREEN, B.; HARRIS, T.; VANTER, K. Business Intelligence Strategy : A practical guide for achieving BI excellence. 2010.
  • DRESNER, H. J.; BUYTENDIJK, F.; LINDEN, A. et al. The Business Intelligence Competency Center: An Essential Business Strategy. Reproduction, , n. May, p. 1, 2002.
  • ECKERSON, W. New ways to organize the BI team. Business Intelligence Journal, v. 11, n. 1, 2006.
  • HAWKING, P.; SELLITTO, C. Business Intelligence ( BI ) Critical Success Factors. 21st Australasian Conference on Information Systems. Anais… , 2010. Brisbane.
  • JOHNSON, B. Business Intelligence Should be Centralized. International Journal of Business Intelligence Research, v. 2, n. 4, p. 42-54, 2011.
  • MILLER, G. J.; BRAUTIGAM, D.; GERLACH, S. Business intelligence competency centers: a team approach to maximizing competitive advantage. New Jersey: Wiley, 2006.
  • O’NEILL, D. Business Intelligence Competency Centers: Centralizing an Enterprise Business Intelligence Strategy. International Journal of Business Intelligence Research, v. 2, n. 3, p. 21-35, 2011.
  • PINTO, S. A. O.; Estrutura de Gestão de Informação para Inteligência de Negocio nas Organizações e o Impacto Individual nas Atividades, Tese de Doutorado, FEA-USP, 2012.
  • SCHLEGEL, K. Defining a BI Competency Center for Your Organization. Business Intelligence Summit. Anais… , 2010a. Las Vegas.
  • ______. Key Issues for Business Intelligence and Performance Management , 2010 Key Issue : What are the best practices to establish a BI competency center ? Background and context of the Key Issue. Gartner, Inc., 2010b.
  • ZEID, A. Your BI Competency Center: A Blueprint for Successful Deployment. Business Intelligence Journal, v. 11, n. 3, p. 14-20, 2006.

[Crédito da Imagem: BICC – ShutterStock]

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Autor

Mestre em Engenharia da Computação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (2008) e Graduado em Ciências Contábeis pelo Centro Universitário FIEO (1999). Arquiteto de Dados atuando desde 2013 na gestão de dados corporativos para a área de saúde. Professor de graduação e pós graduação em Big Data pelo SENAC - Santo Amaro.

Celso Viana

Comentários

5 Comments

  • Muito bom o artigo! Atuo como desenvolvedor BI e através deste artigo pude ter uma visão global do todo e inclusive aprendi muitas coisas novas (para mim). Mesmo que já tenha alguma experiência e conhecimento, sempre é importante aprender com pessoas mais experientes. Precisamos de mais artigos sobre BI.

    • Fico contente em poder ajudar.

  • ótimo post, aguardando os próximos com detalhamento de cada uma das caixinhas

  • Ótimo artigo, estou fazendo um trabalho sobre BICC na faculdade e não está muito fácil encontrar material sobre o assunto, seu artigo será de grande utilidade para entendimento do assunto. Obrigado pelo compartilhamento do conhecimento.

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