Carreira

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Caminho para a Índia ou Índia no caminho?

publicado por Mauro Real

Mais da metade da minha carreira eu trabalhei com projetos, os quais o inglês era necessário, no início foi muito difícil, e a cada barreira que surgia, um novo aprendizado era conquistado.

Eu tive um momento em minha vida, que eu gostaria de ser DBA em mainframe para IMS/DB, insistia, persistia, e me frustrei durante um periodo, mas eu ao invés de reclamar, dexei a vida me levar, isso até dá musica, continuei a me dedicar nas minhas atividades de Analista Programador, quando a minha líder me chamou para conversar e me fez um convite, de participar em um trabalho o qual seria necessário viajar para os USA, durante umas duas semanas, nossa naquela época 1994, eu fiquei muito feliz e com medo ao mesmo tempo, tinha terminado um curso de inglês e não me sentia a vontade para encarar uma viagem, mas a vantagem seria ir acompanhado de uma outra pessoa que tinha um inglês fluente, e ja havia morado no Canadá durante 5 anos, entao aceitei a proposta.

Mas houveram mudanças nos planos, ao invés de USA, fomos para a Bélgica e Alemanha, a minha cabeça parecia que ia explodir durante o vôo, todo mundo falando inglês, obvio, primeiro, segundo e no terceiro dia já estava me acostumando, nas duas semanas conhecemos os processos, os quais tinhamos como objetivo e o mais importante estabelecemos o relacionamento com as pessoas as quais necessitariamos no futuro, para alavancar o projeto no Brasil.

Um dos pontos mais importantes que eu aprendi durante essa viagem, foi que a distância entre os times ficou muito mais curta, uma vez que as pessoas que iriam trabalhar juntas, tiveram a oportunidade de se encontrar pessoalmente, foi quebrada uma barreira importantíssima, a confiança, ficando muito mais fácil a colaboração e a interação.

E a medida, que apareciam outros projetos, eu tinha a oportunidade de aprimorar o meu inglês, e mais que isso, conhecer a cultura dos integrantes dos projetos globalizados, e um exercício diário, onde a comunicação e a chave principal. Devemos nos preocupar e utilizar de diversas ferramentas que hoje a tecnologia nos disponibiliza para facilitar o processo de comunicação.

E dentro desde contexto, nesse mundo globalizado, a palavra “offshore”, comecou a se tornar um termo comum para mim:

“Offshore outsourcing is the practice of hiring an external organization to perform some business functions in a country other than the one where the products or services are actually developed or manufactured. … . Opponents point out that the practice of sending work overseas by countries with higher wages reduces their own domestic employment and domestic investment. … “
Fonte – site – http://en.wikipedia.org/wiki/Offshore_outsourcing

Em outras palavras, atividades relacionadas a serviços, no nosso caso, passaram a ter preferência a serem executadas em outros países, principalmente, pelo fator de custo da mão de obra, ser muito menor.

Eu me recordo que por volta do ano de 2001, havia uma demanda muito grande de serviços offshore, principalmente para os USA, eu pesquisei um site com valores históricos do dolar, os valores aproximados em Dez/2001 e Dez/2002 eram respectivamente: R$ 2,50 a R$ 2,60 e R$ 3,50 a R$ 3,60.

Qual era a vantagem competitiva do Brasil no cenario mundial de offshore? O custo do dolar alto e estarmos bem próximos dos fusos horários dos USA.

Hoje em dia, o pais líder em prestação de serviços offshore é a India, sendo as principais vantagens dos indianos:

  • Custo da mão de obra:
    1. Exemplo de sálarios anuais em média:

    2. Juniores ( Software Engineers / Web Developers ) – US$ 5.000,00 a US$ 9.000,00 – corresponde a 10% da mesma função nos USA com experiência de 1 a 4 anos;
    3. Seniores ( Software Engineers / Web Developers ) – US$ 17.000,00 a US$ 40.000,00 – corresponde a 30% da mesma função nos USA com experiência de 10 a 20 anos;
  • Universidades Indianas produzem cerca de 3 milhões todo ano, sendo 16% focados nas áreas de ciência e tecnologia, um número similar ao dos USA;
  • Inglês – tipicamente é a lingua utilizada nas universidades Indianas;
  • Quantidade de recursos de TI disponíveis no mercado – 1.430.000;
  • E algumas desvantagens:

  • Diminuição da flexibilidade de reação nas mudanças de negócios, por exemplo, mudancas legais do governo;
  • Perda de talentos gerados internamente na empresa;
  • Segurança e confiabilidade para a terceirização de folha de pagamento, por exemplo;
  • Alguns clientes reclamam as vezes da baixa qualidade do serviço e o forte sotaque indiano ao falar inglês;
  • O mais importante que eu acredito, e que sempre os melhores profissionais terão espaço, mesmos que o fator preço da mão de obra, seja um do mais relavantes, mas não é necessariamente o mais importante, e o que diz o jargão – “O barato às vezes sai caro”, outro aspecto que precisamos também atentar, são os custos adicionais, implícitos, que nem sempre são destacados por outros motivos: retrabalho, dificuldade de entendimento de requerimento de negócios, problemas de comunicação.

    Enfim, com a minha experiência, cada vez mais ouviremos falar sobre trabalho offshore, e principalmente sobre indianos, estejamos preparados e o mais importante HAVE FUN.

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    Autor

    Mauro Real tem 44 anos, é Bacharel em Matemática, com Ênfase a Processamento de Dados, pela Fundação Santo André, com mais de 25 anos de experiência, em todas as fases do ciclo de desenvolvimento de sistemas. Com experiência desde mainframe a sistemas distribuídos,tendo atuado na Liderança Técnica de Projetos, Internacionais e Locais. Em diversas indústrias e agora como Arquiteto de Aplicações. http://br.linkedin.com/pub/mauro-real/4/18b/95b

    Mauro Real

    Comentários

    3 Comments

    • Ótimos posicionamentos Mauro.

      Parabéns pelo artigo.

    • São muitos boas as informações Mauro. Entretanto o mercado de TI no Brasil enfrenta desafios muito mais complexos do que vencer obstáculos de comunicação (que em todos os projetos mesmo com todos falando português são em geral o maior risco para o insucesso) falta de especificação, etc.
      O mercado da India é uma alternativa barata e traz algumas vantagens aos dois lados. Do nosso lado, usar profissionais a um custo mais justo do que no Brasil e do lado deles, ajudar a demandar trabalho para um grupo de jovens ávidos por uma carreira e para ganhar algum dinheiro para mudar sua realidade de vida.
      Pode ser também uma saída para o país a médio prazo, pois a utilização da mão de obra em outros países também oferece troca de conhecimentos e experiências. No dia em que a India estiver com recursos e trabalho suficientes para prover ofertas para sua população, o mundo buscará outras fontes de mão de obra barata.
      É uma regra de negócios, feliz ou infelizmente.
      Eu vejo isto como uma ótima oportunidade de trocar experiências.

      Forte abraço

      • França Bandeira,

        eu concordo com você que comunicação é um do principais desafios a serem enfrentados, e um outro que normalmente é o “Calcanhar de Aquiles” dos projetos, são os requerimentos, uma vez não entendido ou bem especificado no ínicio do projeto, irá gerar um aumento de custo exponencial quando defeitos forem encontrados nas fases seguintes do projeto.

        Com relação ao utilizar uma alternativa barata, depende de complexidade do projeto, dos requerimentos, ou até da política interna das empresas, temos ou não escolhas com relação a mesma.

        Eu achei muito interessante o seu ponto de vista com relação a mudar a realidade de vida do indianos, e como você mesmo colocou é a regra do jogo, feliz ou infelizmente.

        O mais importante é que estejamos preparados, para assumir outras posições/atividades, e interagir com uma cultura tão diversificada.

        Abraços

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