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Aversão à tecnologia não é um privilégio somente dos mais velhos

publicado por Francisco J S Fernandes

Figura - Aversão a tecnologia não é um privilégio somente dos mais velhosMeu pai nos deixou há pouco mais de 1 ano. Ele era um bom exemplo de como tecnologia disruptiva pode não significar nada para algumas pessoas. Para ele, o telefone celular deveria ser usado apenas para fazer e receber ligações. Navegar na internet? Nem pensar. Só com a ajuda dos filhos. Ele tinha enormes dificuldades de operar controles remotos e por isso aproveitava apenas o básico de alguns aparelhos em casa.

Mas ele foi imensamente feliz nos seus 85 anos aqui na Terra. Para as pessoas mais velhas talvez este relacionamento com a tecnologia seja aceitável. E ai cabe uma outra pergunta: o comportamento do meu pai era devido a falta de interesse e/ou dificuldade de entender novas tecnologias ou era escolha consciente – de pessoas mais jovens também – de pessoas que não vêm valor ou simplesmente têm medo de usar novas tecnologias?

As dificuldades do meu pai

Posso responder pelo meu pai: ele era incapaz de entender novas tecnologias e dispositivos eletrônicos complexos. Nascido em 1929 em Portugal, o impacto da tecnologia na sua vida durante a infância, adolescência e início da fase adulta era praticamente nenhum. E continuou desta forma durante muito tempo. Apenas nos últimos 30 anos as coisas começaram a mudar. Mas mesmo assim apenas para quem tinha dinheiro para embarcar em tecnologia de ponta, inacessível para a maioria das pessoas, e muitas vezes indisponível no Brasil.  A partir dos anos 90, começamos a experimentar os telefones celulares, a internet, computadores pessoais. Com a popularização destes equipamentos e a facilidade para acesso à internet, este cenário começou a mudar. Em 1980 uma filmadora custava muito caro, e era coisa de rico. Hoje em dia até o celular mais barato grava vídeos. Mas mesmo tão acessíveis e baratos, muita gente ainda não compreende como funcionam e sequer tiram proveito desta tecnologia.

Em uma de nossas viagens juntos, eu e meu pai nos perdemos dirigindo um carro alugado nos Estados Unidos. Um retardo no GPS impedia que eu conseguisse identificar a rota correta. Estava indo da Cidade de Nova York para o norte do estado, e por conta dos erros fomos parar no aeroporto de Nova Jersey (Newark). Meu pai então, preocupado, perguntou porque tinha me perdido. Daí expliquei que o GPS estava com problema e tinha me dado direções erradas. Então ele disse: “como aquela moça na caixa poderia saber exatamente para onde estamos indo, aonde estamos e que direção devemos tomar?”. Aquela caixa era o GPS e meu pai realmente pensava que alguém estava conversando comigo e me ajudando a chegar no meu destino. Expliquei o que era o GPS e como funcionava, mas tenho certeza que ele não entendeu nada!

As novas gerações

Estas tecnologias são desafios e representam mudanças de paradigmas apenas para os mais velhos. Os mais novos, das gerações Y e Z, já nascem num mundo digital. E conectado. A tecnologia ajuda desde os primeiros passos nas escolas, onde a utilização de recursos eletrônicos já não pe novidade há muito tempo. Com dispositivos cada vez mais intuitivos e amigáveis, as crianças aprendem rapidamente como usar. Passa a ser parte da vida deles e de todos nós. Eles, que nasceram recentemente, não conseguem pensar num munda desconectado. Tecnologia, e seus avanços, faz parte do dia-a-dia deles.

Esse é o mundo onde o próximo grande lançamento não é mais um computador de mesa, ou mesmo um laptop. Quais foram os últimos lançamentos de processadores para laptops ? Você tem esperado ansiosamente pelos próximos lançamento? Pois é, nem eu. Por outro lado, quantos celulares você teve recentemente? Quais seus planos para comprar um mais moderno? O mundo dos dispositivos móveis só cresce, e junto com a Internet das Coisas, que promete conectar todo tipo de dispositivo, passamos a viver num mundo extremamente conectado, onde passamos praticamente 24 horas interagindo.

Não quero estas novas tecnologias!

Obviamente meu pai não tinha cadastro em nenhuma rede social. Ele ainda lia o jornal impresso, que teimava em receber todos os dias na porta da sua casa. Ele comprava livros na livraria. E na hora de chamar um taxi, ele ia pra rua e esperava pacientemente um taxi livre passar. Ainda escrevia cartas para seus parentes em Portugal e as enviava pelos Correios. E este comportamento é esperado para alguém da idade dele, mas por que uma pessoa mais nova escolheria viver off-line e ignorar novas tecnologias?

  • Falta de segurança: este é com certeza o principal motivo que leva uma pessoa a evitar usar serviços on-line ou mesmo ter uma conta de e-mail. Como confiar que qualquer dado pessoal informado não vai ser usado indevidamente? Como saber que um serviço on-line é confiável, ou mesmo se é o que diz ser? Como confiar em pessoas nas redes sociais, se tudo ali pode ser falso? E o que acontece com seus dados pessoais quando você perde um celular ou sua câmera digital? Vejam o caso recente das fotos do ator Stenio Garcia que acabaram sendo divulgadas. No passado, foto eram somente impressas. Depois com as câmeras digitais, passamos a ter uma cópia       digitalizada. Agora com os celulares, além da cópia digitalizada, podemos instantaneamente divulga-las para um número incontável de pessoas. Por isso, muita gente acha que o melhor meio de se proteger é não se expor. Não comprar pela internet e não usar redes sociais. Esse medo tem feito do tema Segurança, uma das principais preocupações das empresas que atendem mundo virtual.
  • Falta de confiança: Algumas pessoas preferem conviver com um problema que eles não conseguem resolver do que com uma solução que eles não entendem. Elas preferem ter controle total do que acontece ao redor delas. Novas tecnologias podem facilitar nossas vidas, mas você precisa confiar nelas. As pessoas falham, mas nós somos humanos. Muita gente não tolera problemas técnicos e mal funcionamentos. Acabam se afastando da tecnologia em função de algumas poucas experiências frustradas;
  • Falta de privacidade: Como garantir que informações compartilhadas com amigos não serão compartilhadas também com pessoas que você sequer conhece? Com a explosão das relações virtuais, tratamos amigos virtuais como se fossem amigos reais, de carne e osso. Mas no fundo não existe nenhuma garantia de veracidade das informações que nós colocamos nos nossos perfis. Além disso, as redes sociais implementam mecanismos complicados de privacidade que as vezes deixa buracos e permite que informações indevidas sejam compartilhadas com as pessoas erradas. Quantas vezes você mandou uma mensagem pro grupo errado no Whatsapp?
  • Prefiro relações reais: Eis um ponto irrefutável. Fomos inundados por relações virtuais. A tecnologia ajuda e muito para que isso aconteça, criando facilidades para criar e manter relações, compartilhar fotos e vídeos, lembrar aniversários, avisar quando alguém está próximos, oferecer produtos e serviços de acordo com nossos gostos, entre diversas outras facilidades. Mas não deixam de ser relações virtuais. O problema é quando as pessoas abandonam as relações reais e passam a viver um mundo perfeito, só que virtual. Nele, somos quem sonhamos ser. Nem nossa foto precisa ser real. Criamos relações frágeis, baseadas em inverdades. Para os mais velhos, isso acontece menos. Para os mais novos, é quase um crime não estar conectado, nem usar as redes e aplicativos do momento. Você acaba excluído de qualquer convivência porque optou por não viver uma vida virtual.

E como isso interfere nos negócios?

Com a maioria das empresas investindo em novas tecnologias para crescer ou simplesmente continuar competitiva, a adoção de soluções móveis integradas focadas no cliente é um dos caminhos mais promissores. Mas se os clientes forem resistentes à tecnologia, existe um risco enorme de fracasso. Hoje isso não é uma realidade, e a grande maioria das pessoas ainda se expões eletronicamente e usa produtos e serviços via internet. O desafio destas empresas é justamente dar aos seus clientes a proteção necessária para que se sintam confortáveis com produtos inovadores. Como os Smartphones se transformaram em verdadeiros computadores de bolso, são também o alvo preferido de hackers.

Já parou para pensar o quanto da sua vida pessoal está registrado nos seus smartphones ? Quando meu pai partiu, só deixou recordações, fotos, vídeos. Mas tudo à moda antiga.

Fique com Deus meu pai.

[Crédito da Imagem: ShutterStock]

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Autor

Profissional de IT e apaixonado por tecnologia, Francisco é Arquiteto de Soluções com mais de 25 anos de experiencia no mercado de TI em diversas empresas como BID, HP, EDS, Fininvest, Unibanco, Banco Nacional e Sul America Seguros. Escrever é um dos seus hobbies e, além de tecnologia, é aficionado por música, viagens, fotografia e futebol. Meus contatos são: LinkedIn: http://br.linkedin.com/in/franciscojsfernandes E-mail: kikofernandes@gmail.com Twitter: @kikofernandes71

Francisco J S Fernandes

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