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Uma dose de integridade, por favor

publicado por Ricardo Antoniassi

Figura - Uma dose de integridade, por favorEm tempos de crise, acredito que o mais sensato é a reflexão e a auto análise.

Naturalmente, como seres humanos, temos um alto grau de senso crítico. Já nascemos chorando! Criticar é fácil e cômodo, pois tira o peso da nossa consciência. E um pouco mais grave ainda, temos uma forte capacidade de acusar, ora por conhecimento de causa, ora por tentar aliviar as nossas falhas.

Na minha família somos em 3 irmãos, todos homens, com diferença de idade de 4 anos cada. Sem entrar no mérito que sou o filho do meio, com toda a carga de exclusão possível – brincadeira claro – vou focar em um outro aspecto do relacionamento familiar. Imagine em uma fase onde um tinha 7 anos, outro 11 anos e outro 15 anos. A probabilidade de um caos na casa era de 1 pra 1. Digamos que a sala era normalmente o campo de futebol. Já os quartos tinham fins mais específicos, como por exemplo, ser o cenário do acampamento na montanha. A garagem era um problema sério, porque servia de ringue, pista de ciclismo, palco de pega-pega, entre tantas outras brincadeiras. A cozinha oferecia certos riscos e não era um cenário muito utilizado, apenas em alguns determinados momentos, principalmente envolvendo fogos. Medo!

Nem preciso dizer que nessa rotina familiar, coisas aconteciam (leia-se quebravam). Não era raro a bola ir com força e quebrar o lustre. Em determinados momentos então o clima fervia e tínhamos pequenas confusões e brigas, coisa simples. Pelo menos nunca precisamos ir para o hospital depois das brigas… ou precisamos? Bom, continuemos… O que quero dizer é que em determinadas situações éramos descobertos pela mãe, e aí era uma situação bem complicada para se resolver. Quem era o culpado? Quem era o cúmplice? E quem era o inocente? Foi onde a famosa frase mais falada nos últimos anos aparecia: “NÃO FUI EU”. Frase nada exclusiva por sinal.

A regra em casa era clara: ou o culpado se declarava e era punido ou todos pagavam o preço. As vezes o silêncio era um bom negócio, porque todos tinham uma parcela de culpa. Mas as vezes não dava, era muita maldade passar ileso porque a culpa era clara. E as vezes, valia a pena acusar o outro pra ver o circo pegando fogo e a situação tomar rumos mais “divertidos”. Atitudes de criança sem maturidade, que fique claro.

A tendência nossa é de procurar sempre um culpado ou delatar uma pessoa para amenizar a culpa. Mas por que agimos assim?

Falando agora sobre o momento que o nosso país enfrenta, com vários nichos de crises e traçando um paralelo com nossas carreiras e nossas empresas, eu me questiono: de quem é a culpa? Ou ainda, quem estou culpando?
É muito óbvio culparmos governos, culparmos dirigentes das empresas, apontarmos para as estratégias erradas do CEO, dos cortes que o CFO implantou no orçamento, etc.

Mas eu quero virar a seta para o lado oposto e olhar internamente e me questionar: o que tenho feito com minha carreira? Sou um profissional que vivo o que prego? Sou de fato íntegro com as informações que eu publico? Sou um gerente coerente que valorizo pessoas e principalmente, que inspiro pessoas como exemplo? Sou um empreendedor competente que sigo regras e políticas?

Vou ser um pouco duro, mas é necessário nesse momento de reflexão: quando eu acuso algum presidente de alguma empresa pelo desvio de milhões de reais com corrupção e propina, eu estou convicto que eu não faço o mesmo em proporções menores na minha empresa? Eu realmente não peço uma nota fiscal com um valor maior do que o real para garantir um lucro no reembolso que tenho direito ou crio recibos para cobrir despesas que não existiram?

Será que eu sou extremamente honesto quando tenho prazos para cumprir e não cumpro e deixo claro para o superior qual foi a causa?

Como funcionário, tenho sido honesto com meus horários? Tenho utilizado meu tempo de forma coerente no ambiente de trabalho, sem passar horas enrolando ou fazendo minhas tarefas pessoais ao invés de produzir conforme meu cargo exige?

E se sou um empreendedor, tenho sido honesto com meus clientes e fornecedores, seguindo as regras do mercado e as políticas determinadas?

São detalhes, que quando somados, fazem a total diferença, tanto para nossa consciência, como para os afetados externamente.

Aprendi certa vez que o termo integridade está relacionado ao termo inteiro, ou seja, algo completo, sem frações. Temos que ser quem somos independente do ambiente que estamos, sempre inteiros, completos, íntegros. Como maridos, como filhos, como profissionais, como motoristas, como contribuintes, como eleitores, em qualquer lugar ou função, precisamos agir da mesma forma sempre, com transparência e integridade. Isso se chama caráter.

Se queremos mudar a história do nosso país, se queremos fazer a diferença, meu desafio é que comecemos pelos detalhes, de dentro pra fora, do nosso mundo particular para o mundo exterior. Não adianta cobrarmos sem antes mudarmos. Não adianta acusarmos sem antes sermos íntegros.

Olhando minha infância novamente entre irmãos, aplaudo com louvor os dias em que um de nós dissemos em alto e bom som: FUI EU!

Um abraço e vamos mudar a história.

[Crédito da Imagem: Integridade – ShutterStock]

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Autor

Ricardo Antoniassi, formado em Sistemas de Informação pela Universidade Paulista e MBA em Estratégia Empresarial pela Business School São Paulo – BSP, atua com gestão de projetos voltados para a execução da estratégia dos negócios e possui experiência na implantação de escritórios de gerenciamento de projetos – PMO, através do desenvolvimento e aplicação de metodologias de mercado – PMI, Scrum, ASAP, entre outras. Atuou em empresas nacionais e multinacionais de grande porte, principalmente em projetos de Business Intelligence, gerando indicadores de qualidade, Balanced Scorecard, Dashboards executivos e apoio à tomada de decisão.

Ricardo Antoniassi

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