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TI cria pontes que são usadas como muros

publicado por Sergio Barros

Figura - TI cria pontes que são usadas como murosA conectividade é o novo grande marco da evolução humana. Todas as ferramentas e aplicativos criados e em criação tem revolucionado a forma como as pessoas e empresas se relacionam e “estar próximo” ganhou nossos sentidos.

Uma comparação simples de um importante fato do passado. A independência do Brasil foi proclamada por D. Pedro I em 7 de setembro de 1822, mas a história conta que este processo começou em 9 de janeiro do mesmo ano, no “Dia do Fico” (quando ele se nega a retornar à Portugal, mesmo convocado pela coroa Lusitana). D. Pedro só foi proclamado Imperador do Brasil em dezembro de 1822. Somente com estes fatos em mãos, pode-se dizer que o processo político entre Brasil colônia e Brasil Império demorou 1 ano. As comunicações naquela época eram feitas em geral por carta, que entre Brasil e Portugal eram enviadas por mar em caravelas e muitas das mensagens internas no Brasil (que é conhecido por sua grande extensão territorial) eram feitas em viagens à cavalo. Logo, não é difícil entender que se comunicar naquela época era tarefa árdua e morosa.

Imagine agora este mesmo processo nos dias de hoje. D. Pedro receberia um e-mail criptografado em seu smartphone com o chamado da Coroa Portuguesa e em instantes responderia negativamente. Ele trocaria mensagens com seus aliados por um aplicativo de mensagens instantâneas para alinhar os próximos passos e prontamente postaria em suas redes sociais: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico.” Várias ligações por VoIP seriam feitas, mais  mensagens instantâneas e então mais uma postagem nas redes sociais: ” Independência ou Morte!”. D. Pedro ganharia muitos “likes” por isso. Comparando a independência do Brasil pelo lado da conectividade é fácil imaginar que nos dias de hoje poderíamos ser independentes em menos de um ano.

Muito se fala hoje em dia da necessidade das pessoas em estarem conectadas 100% do tempo, principalmente pela ótica social, mas raramente vejo a discussão pela ótica da TI. Comparei o processo de independência do Brasil para tentar, de forma lúdica e com ferramentas simples contidas em qualquer Smartphone, mostrar como evoluímos em conectividade.

Estes tipos de ferramenta foram pensadas para aproximar as pessoas e dinamizar a relação entre elas, seja para uma negociação de milhões entre multinacionais, uma mensagem destemida de um herói político ou mesmo uma simples mensagem de amor entre um casal de namorados separados em países distantes pelo trabalho. Todas estas ferramentas deveriam ser grandes “pontes”, que tornam fáceis e transmissão e recepção de mensagens por grandes distâncias de forma rápida.

Seria leviano dizer que o objetivo não fora atendido, exemplo claro na analogia ao processo de independência, mas existem alguns efeitos colaterais. Cada dia que passa as pessoas se falam menos, menos olho no olho e menos apertos de mãos. A facilidade e a proximidade instantâneas criou um “muro” que tem distanciado as pessoas umas das outras. É cada vez mais flagrante ver companheiros de trabalho, vizinhos de mesa, trocando e-mails o dia inteiro para “documentar” discussões simples de problemas simples que passam a demorar dias. Às vezes tenho a dúvida se algumas das fotos mais espetaculares, dos momentos mais fantásticos publicados em redes sociais, são realmente uma imagem que reflete o que o indivíduo estava sentindo naquele momento ou uma necessidade que as pessoas têm de aparentar um sentimento para os outros e de certa forma abafar uma carência.

A evolução tecnológica está longe do fim e é um processo que não pode ser parado. Talvez seja a hora da sociedade discutir o uso consciente dessas ferramentas e uma forma inteligente de reaproximar as pessoas. Nada mais sensato que os profissionais de TI estejam nas frentes de debate e cuidem para que nossas “pontes” não se tornem “muros”.

[Crédito da Imagem: TI – ShutterStock]

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Autor

Formado em Engenharia da Computação pelo Centro Universitário Barra Mansa e MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV. Possui experiência na área de gerenciamento de projetos, incluindo infraestrutura, desenvolvimento e manutenção. Ao longo da carreira, construiu e foi responsável por manutenção de ambientes críticos de TI e gestão de contratos de serviços, desenvolvimento de fornecedores, vantagem competitiva, gestão orçamentária (CAPEX e OPEX) e análise de benefícios. Líder de projetos multidisciplinares em vários países entre as Américas e Europa. Certificado PMP - Project Management Professional, pelo PMI - Project Management Institute.

Sergio Barros

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