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Seus dados valem ouro…

publicado por José Luis Braga

Dados sobre navegação na web, compras, movimentação bancária e do cartão de crédito, leituras, filmes, postagens nas redes sociais, utilização da web2, enfim, toda pegada nossa deixada na web agora tem a possibilidade de ser valorizada monetariamente e reverter em benefício para nós, geradores das pegadas. Esses dados eram utilizados e comercializados apenas por alguns provedores de serviços, como por exemplo o Google que lucra por volta de US$24.00 por ano com cada usuário de seus serviços, e o Facebook lucra US$4.00. Parece que é pouco, mas quando se multiplica essa merreca pelo total de usuários que cada um tem, aparece uma fortuna capaz de movimentar o próprio negócio principal de cada um.

http://www.identitywoman.net/the-importance-of-public-legitimacy

Só que algumas empresas apareceram com ideias inovadoras, e visualizaram outra vertente de uso: nós mesmos sermos donos e ganharmos uns trocados com nossos próprios dados, fornecidos voluntariamente. Por exemplo a empresaPersonal sediada em Washington criou um sistema em que, após registro, os usuários podem abrir cofres de dados pessoais, um cofre para cada tipo de informação (movimentação bancária, cartão de crédito, compras pela web, etc.). Sob contrato, esses dados podem ser comercializados pela Personal com anunciantes e demais interessados, e os lucros advindos da comercialização são compartilhados entre a Personal e os proprietários da informação.

Outras empresas com modelos de negócio parecidos estão aparecendo no mercado, como por exemplo a Mint dedicada ao gerenciamento de finanças pessoais, e  a  Singly que coleta e gerencia dados de consumidores na web. Pelo menos por enquanto, parece uma boa ideia, o volume de dados de usuários disponível na web é imenso, e é usado por terceiros que lucram com a sua comercialização. Em breve Amazon, Google, Facebook e outros descobrem que comercializar os dados dos usuários dessa forma é um bom negócio, e ai teremos uma competição ferrada. Espero que com todo mundo lucrando igualmente…

O valor econômico da privacidade e dos dados pessoais disponíveis principalmente na web já é reconhecido em estudos mais sérios, e o aparecimento de empresas lançando modelos de negócio baseados nesse valor não é tanta novidade assim, embora seja inovador porque tem o potencial de criar um mercado de dados até então escondido e utilizado por poucas empresas sem que o usuário tenha consciência de que isso está acontecendo. Nossos dados são coletados de diversas formas, via endereços IP das máquinas que usamos, web-bugs (parecido com cookie, só que ficam escondidos e são mais dificeis de serem detetados), cookies, click-stream (captura de uma sequência de cliques de navegação, que podem ser base para um determinado perfil de usuário), dados coletados por empresas com que fazemos transações comerciais como Amazon, ebay, etc., dados coletados por empresas especializadas em pesquisa de marketing na web (comScore), etc. Esses dados são então trabalhados, informações importantes são extraidas utilizando um processo de mineração (datamining) cuidadoso, e essas informações são usadas para publicidade online, publicidade associada com as buscas que fazemos com as máquinas de busca mais comuns (Google, Bing, Yahoo, etc.), publicidade focada no usuário particular, etc. Estudos econômicos sérios mostram o valor estimado de retorno da publicidade online, em 2009 da ordem de US$ 22 bilhões de dólares apenas nos EUA, superando em muito as formas tradicionais via TV a cabo (nos EUA TV a cabo serve à esmagadora maioria das famílias) e as formas tradicionais de disseminação como rádio, revistas, etc.

Claro que temos ai um potencial enorme de invasão de privacidade, mesmo que mantendo nosso anonimato. O aparecimento dos novos modelos de negócio, comercializando dados e perfis de usuários com seu consentimento prévio, pelo menos torna explícito que nossos dados vão ser coletados, armazenados, estarão sob nosso controle de alguma forma, e os lucros da sua comercialização serão compartilhados. Hoje, tudo isso é feito sem que saibamos que está acontecendo, e ficamos longe dos possiveis beneficios, e sujeitos à mesma invasão de privacidade  e até ausência de anominato.

Estudos mais sérios sobre o assunto podem ser encontrados em relatório daOECD, e no artigo de blog que pode ser lido aqui. A melhor arma que temos disponível na web é o acesso à informação de qualidade, no meio de tanto lixo, e temos que nos manter informados para não sermos vítimas pegas de surpresa. Olho vivo…

(postagem inspirada em parte na reportagem da revista Exame 1008, de 25/02/2012, título “Meus dados, meu negócio”, autor André Faust)

 

Creative CommonsO conteúdo deste artigo está protegido segundo LicençaCreativeCommons: Atribuição;Uso Não-Comercial;Compartilhamento

Publicado originalmente no Blog do Professor José Luis Braga.

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Autor

José Luis Braga é Professor Titular do Departamento de Informática na Universidade Federal de Viçosa Formação Acadêmica Pós-Doutoramento - University of Florida - USA, 1999 Doutor em Informática - PUC/Rio - Setembro de 1990 Mestre em Ciência da Computação - DCC/UFMG - Novembro de 1981 Engenheiro Eletricista - PUC/MG - Agosto de 1976 Site: zeluisbraga.wordpress.com

José Luis Braga

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