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O que é complexidade?

publicado por Fernando Goldman

O que é complexidade?A complexidade, um campo relativamente novo do conhecimento humano, estuda como determinados sistemas, com características muito especiais, se comportam no mundo real. Esses sistemas, denominados “complexos”, à semelhança das formas de organização dos agentes “vivos”, têm comportamentos diferentes de sistemas apenas complicados, pois envolvem múltiplas interações entre os agentes que os compõe. Daí o termo “complexidade”. Os Sistemas Complexos são formados por agentes tais como pessoas, animais, organizações, comunidades, agentes econômicos e etc..

Um avião, por exemplo, ilustra o que seria classificado apenas como um sistema complicado. Apesar de toda aparente complexidade das diversas partes que o compõe, ele pode ser aperfeiçoado pela otimização de cada uma de suas partes, visto ser o todo a soma daquelas partes.

Outro exemplo de sistema complicado seria um quebra-cabeça, onde por maior que seja o número de peças, como há um único lugar para cada peça, é possível , através da análise das peças e do grupamento daquelas semelhantes, simplificar o trabalho e montar o quebra-cabeça.

Porém, há sistemas em que poucos tipos de agentes podem interagir uns com os outros de várias maneiras diferentes, produzindo uma infinidade de resultados.

As estruturas moleculares são um bom exemplo. Formadas pela combinação de alguns poucos tipos de átomos, sua identidade não se daria pelos tipos e quantidades desses átomos envolvidos, mas pelas ações que se estabelecem entre eles. Assim, “complexidade” é usada aqui em referência a esta segunda classe de fenômenos, para os quais a idéia-chave é interação (Morin, 1996, p.265 apud AGOSTINHO,2003,p.5 ).

Sistemas que envolvem humanos, como os de uma organização de negócios, são realmente complexos. Isso significa que seus componentes e interações estão em constante mudança e que nunca se pode estabelecê-los em definitivo. (SNOWDEN,2003)

A Teoria da Complexidade tem sido reconhecida como uma nova base conceitual capaz de readequar a prática administrativa aos ambientes organizacionais atuais, pois, há algum tempo, é possível reconhecer ser o controle rigoroso de uma organização cada vez mais impraticável. Devido à liberdade e ao número de interações, propiciadas pelos modernos sistemas de comunicações, é impossível saber todos os possíveis resultados e combinações. Diversos fatores vêm apontando as limitações da ação gerencial clássica, dentre os quais destacam-se:

  • dificuldade ou impossibilidade de planejamento e controle totais;
  • limites cognitivos à racionalidade e
  • um mundo que se torna cada vez mais complexo e
  • o reconhecimento da impossibilidade de controlar sistemas complexos de cima. (AGOSTINHO,2003,p.3)

Se por um lado, a Teoria da Complexidade diz não ser possível controlar sistemas complexos de cima, por outro lado, ela mostra como a mais interessante característica dos “sistemas complexos adaptativos”, a capacidade de auto-organização, pode ajudar a encontrar melhores soluções.

Agostinho(2003,p.3) destaca ser por essa razão que a década de 1990 testemunhou um esforço crescente em trazer os resultados das pesquisas sobre sistemas complexos para a economia e para o universo das organizações. Esse esforço segundo aquela autora, tanto na literatura estrangeira como na nacional tem se refletido no considerável número de obras publicadas procurando mostrar como, na prática, as descobertas desta nova ciência podem orientar a tomada de decisões nas organizações e ela exemplifica com McMaster (1996), Axelrod & Cohen (1999), Kelly&Allison (1999), Bauer (1999) e Gleiser (2002).

Os pesquisadores da complexidade usam sistemas computacionais poderosos para criar modelos, estruturais e matemáticos, de como esses agentes “vivos” se comportam, se adaptam a seus ambientes em mudança e evoluem com o passar do tempo. As organizações estão usando este conhecimento para transformar seu ambiente de trabalho através de novos padrões de estruturas organizacionais, novas redes de relacionamentos, novas atividades e estão percebendo que isso pode trazer uma série de benefícios. Os conceitos relativos à “Complexidade” estão sendo usados cada vez mais, não só por grandes corporações internacionais, como também pelos mais diversos tipo de organizações, tais como agências de publicidade, hospitais, diversos tipos de associações e até mesmo pequenas e médias empresas. É realmente uma revolução, não apenas um outro modismo, mas uma maneira inteiramente nova de trabalhar e de pensar, a qual muitos pensadores da Teoria das Organizações acreditam irá se tornar cada vez mais difundida, daqui para a frente.

O que é muito interessante sobre esta “revolução” é que está baseado na natureza, tal como a vemos hoje, ao contrário do mundo mecânico-industrial das fórmulas fordistas-tayloristas. Ela trás de volta a idéia de que a maneira natural dos seres humanos de trabalhar juntos é realmente muito melhor do que as maneiras artificiais de trabalhar que muitas organizações ainda praticam hoje. Por cerca de 100 anos o modelo de uma organização como uma máquina dominou o mundo ocidental. Isto, em muitas situações, tem inibido os relacionamentos humanos, a inovação, a criatividade, a alegria de trabalhar e em alguns casos, até mesmo, os rendimentos e os lucros.

O paradigma atual do pensamento empresarial ainda tem suas origens nas idéias de Frederick Taylor, que aplicou os conceitos de física, da mecânica de Newton, à gestão de empresas.(SNOWDEN,2003) A aplicação dos conceitos da complexidade restaura a maneira natural de trabalhar em conjunto, e uma vez que as pessoas façam a transformação à nova maneira de trabalhar, é esperado que elas se sintam naturais e retornem muitos benefícios para si próprias e suas organizações.

Referências Bibliográficas:

Agostinho, M.C.E. Administração complexa:revendo as bases científicas da administração. In RAE eletrônica, v.2, n.1, jan/jun,2003. Disponível em www.rae.com.br/eletronica/index acessado em 15/03/2007.

MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Trad. Maria D. Alexandre e Maria. Alice Sampaio Dória. 7. ed. rev. mod. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

SNOWDEN,Dave HSM Management 39 julho-agosto 2003

[Crédito da Imagem: Complexidade – ShutterStock]

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Autor

Fernando Luiz Goldman, doutorando em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, é Engenheiro Eletricista pela UFRJ, com especialização em Gestão Empresarial pela FGV e mestrado acadêmico em Engenharia de Produção, pela Universidade Federal Fluminense - UFF, com linha de pesquisa em Conhecimento e Inovação Tecnológica, temas sobre os quais temdiversas apresentações e artigos publicados. Foi professor nas Universidades Santa Úrsula e Veiga de Almeida.Foi Diretor Regional do Pólo-RJ da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento – SBGC (2007-2011). Tendo atuado mais de 25 anos na área de projetos de Usinas e Subestações de alta e extra-alta tensão, atualmente ministra cursos profissionais nas áreas de Gestão do Conhecimento e Setor Elétrico Brasileiro em várias empresas, inclusive na área de Educação Corporativa de Eletrobras Furnas, onde coordena as atividades do Grupo de Trabalho de Gestão do Conhecimento e Inovação da área de Empreendimentos de Transmissão. Site: http://www.kmgoldman.blogspot.com.br/

Fernando Goldman

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