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Gestão de conhecimento: dentro e fora da empresa, é bom para todos

publicado por Francisco J S Fernandes

Reza a lenda que, para sermos únicos, imprescindíveis, diferenciados no ambiente profissional é necessário ter um valor específico. Esse valor muitas vezes está calcado no conhecimento que cada pessoa tem sobre determinado assunto, e que foi adquirido com o passar do tempo, seja estudando ou praticando. Num passado não muito distante, onde o compartilhamento de informações era bastante restrito, as pessoas que detinham o conhecimento acabam dificultando seu compartilhamento, para que pudessem continuar a serem os únicos ou poucos que o detinham. Eu comecei a trabalhar nesta época. Era difícil progredir e crescer, se as pessoas mais experientes não ajudassem.

Com o passar do tempo e com os avanços da tecnologia, a internet tratou de derrubar algumas barreiras no que diz respeito ao compartilhamento de informações. A informação que antes era restrita a poucos, agora estava ali, disponível 24 horas para quem quisesse consultar. Ao mesmo tempo que ficou fácil chegar à informação, as grandes empresas finalmente acordaram para um tema dos mais impactantes para o seus negócios: a gestão do conhecimento. O conhecimento do negócio sempre esteve dentro da própria empresa. E como era comum as pessoas trilharem carreiras na casa do XX anos em cada empresa, não havia uma preocupação grande em perder estas informações. Tampouco ficava claro qual a participação deste capital intelectual no sucesso da empresa.

Duas coisas estão claras hoje em dia: capital intelectual pode ser mais valioso do que máquinas e processos; e a gestão do conhecimento tem sido cada vez mais adotada pelas empresas em busca de melhores resultados.

Cada vez mais a gestão do conhecimento está sendo implantada nas empresas. Aquele modelo antigo, onde a informação era retida por poucos, deu espaço a um modelo de compartilhamento e colaboração global, onde todos podem se aproveitar de resultados e experiências passadas,  crescerem e aprenderem com isso. Obviamente, a empresa é a principal interessada, embora todos sejam beneficiados.

Mas, e como fazer quando a gestão do conhecimento extrapolar as fronteiras corporativas? Como compartilhar o conhecimento mundo afora? Bem, em primeiro lugar é preciso vencer um certo receio de expor ideias e conhecimento, como se pudessem ser tirados da gente. Isso não vai acontecer. O que pode acontecer, infelizmente, é o plágio e cópias não autorizadas do que criamos e escrevemos. Mas esse é um dos  males da internet, e nem por isso vamos deixar de compartilhar informações. Esse ainda é um dos meios de se tornar conhecido, de virar uma referência, de ganhar credibilidade e, de quebra, muitos seguidores nas redes sociais.  Há várias formas de fazer isso acontecer, e eu queria explorar, mais explicitamente, a criação de artigos, blogs e demais formas escritas que propiciam o rápido compartilhamento de informação.

Gostar de escrever não tem a ver com o quanto de conhecimento temos para compartilhar. Tem a ver com compartilhar o conhecimento que temos, independente de ser muito ou pouco. Na verdade, precisa ser relevante, para que se torne interessante aos olhos de quem lê. E a relevância é relativa. O que é  interessante para uns, pode não ser para outros. Mas não custa nada pesquisar qual seria a audiência para uma eventual discussão. Se o papo é futebol, então é sucesso na certa. Se for relacionado a TI, o universo e as possibilidades são tão grandes, que nem ouse fazer qualquer citação. Então o que está esperando para escrever um artigo e começar a ganhar os créditos por isso?

Tem gente que nasce com o dom de escrever. Mas o que muitos desconhecem, é que existem técnicas para escrever, ainda mais falando em temas técnicos. Ter o conhecimento é o ponto de partida. Mas não garante o sucesso de um artigo. Quantos casos de profissionais excelentes que não sabiam se expressar passaram por nossas vidas? Está na hora de quebrar este paradigma e colocar para fora o escritor que existe dentro de nós.

 Por que escrever? Em primeiro lugar, a gente acaba tendo que pesquisar um pouco antes de fazer certas afirmações. Consulta outras pessoas, vasculha a internet, busca fontes de referência. Com isso, ganhamos mais conhecimento sobre o assunto que nós mesmos imaginávamos dominar. Em segundo lugar, ganhamos exposição e credibilidade. Num mundo cada vez mais virtualizado, a divulgação através de redes sociais e blogs ganha uma dimensão impressionante. Sem percebermos, passamos a ganhar seguidores. Gente que nos vê como fonte de informações e até compartilha de volta seus próprios pontos de vista, nos enriquecendo. E o que poderia ser apenas uma situação egocêntrica, de autoafirmação, pode, na verdade, ser uma ponte para novas oportunidades profissionais.

 E como escrever? Eis alguns pontos que precisam ser considerados:

  •  Por que falar sobre este assunto? Por que alguém se interessaria por ele?

Podemos dizer que definir o assunto e a mensagem que você quer transmitir é o começo de tudo. Muitos escrevem sobre o que gostam, independente do interesse das pessoas pelo assunto. Outros preferem escrever o que todos procuram ler, independente de gostarem do tema. Tai um bom dilema. Mas para ganhar credibilidade, escreva sobre o que você domina, e pode realmente agregar algum valor. E quando falo em agregar valor, quero dizer que o conteúdo preferencialmente precisa trazer uma nova ótica sobre um ponto já discutido ou mesmo trazer um tema completamente novo. Obviamente não é uma regra imutável: você pode escrever sobre o que quiser, mas tenha em mente que escrever sobre temas já desgastados pode não trazer o resultado esperado. O interesse das pessoas pode se dar pelo tema, pelo autor, ou mesmo por uma descrição resumida bem elaborada, o chamado Teaser.

  •  Qual é sua audiência ? Quem é você?

Depois que você definir o tema e a mensagem que quer passar, está na hora de pensar em quem vai ler seu artigo. Seu tema é muito técnico? Ou algo mais executivo? Está se dirigindo a analistas e desenvolvedores, ao público em geral ou a CIOs e CEOs? Dependendo do seu publico alvo, a linguagem varia bastante. O público técnico demanda mais detalhes e normalmente se interessa pela soluções, e não necessariamente pelo valor delas. O público executivo precisa de informações mais sumarizadas e com foco mais em resultados, investimento e negócios. O público em geral, não especialista em TI, precisa de uma linguagem descomplicada, sem jargões e explicações mais detalhadas. Por último, qualifique-se junto ao tema, de forma a também se promover. Não consigo me imaginar escrevendo sobre culinária. Mas se o fizesse, com certeza não agregaria nada ao meu currículo profissional de TI.

  •  O que você quer atingir com o que você está escrevendo?

Todo artigo tem um objetivo. Uma mensagem principal, uma ideia nova, um ponto de discussão. Você precisa definir aonde quer chegar com o que está escrevendo. Eu gosto de escrever sobre assuntos polêmicos, dando meu ponto de vista como objetivo do artigo. Também escrevo para comentar algum outro artigo publicado por grandes consultorias (Gartner, Forrester, etc). Na maioria dos casos, são tópicos de TI relacionados ao meu dia-a-dia. No final das contas, a ideia de um artigo vem sempre de uma mensagem que queremos passar. Neste artigo, eu espero que muitas pessoas passem a ver a hábito de escrever artigos como uma oportunidade de engrandecimento profissional.

  •  Como esta história pode ajudar outras pessoas?

Outro ponto importante a ser considerado. O que estou escrevendo traz algum valor para quem está lendo? Como as pessoas se beneficiariam das informações que estou compartilhando? Ser capaz de responder estas perguntas é o primeiro passo. O seguinte é analisar as respostas friamente e decidir se, de fato, a informação é mesmo relevante. Quanto mais impactante for o conteúdo, maior a chance de outras pessoas lerem, do seu artigo ser divulgado e, obviamente, você aumentar sua exposição.

  •  Aonde publicar? De que forma?

Existem algumas formas diferentes de disseminar informação. Estamos falando de escrever artigos, mas, dependendo do tema, pode ser interessante gravar um vídeo com um demo, por exemplo. Outra opção é escrever um White Paper. Estes documentos são usados para educar leitores e ajudar as pessoas a tomar decisões. Já pensou também num webinar? Webinar é uma vídeo conferência de uma via apenas. Ou seja, uma apresentação virtual. No caso da publicação de artigos, você pode começar com um blog próprio onde possa expor suas ideias. Ou participar de sites de TI como colaborador, como o TI Especialistas.

E como consigo uma ideia para escrever? Bem, tá na hora de falar um pouco sobre o processo criativo. Certa vez vi uma entrevista no Jô Soares onde o entrevistado contava como fazia para escrever. O principio dele era ter consigo, 24 horas, um bloco e uma caneta. Ele dizia que a inspiração vinha de qualquer lugar, a qualquer momento. Daí ele precisaria estar sempre preparado para anotar o “insight” para depois desenvolver a ideia. Na hora, eu achei engraçado e fiquei imaginando a situação. Pensei que para criar alguma coisa, bastava sentar na mesa e as ideias fluiriam naturalmente. Isso pode até acontecer. Mas em várias situações do meu dia-a-dia, me deparei com ideias ou assuntos que me fizeram pensar num tema para um artigo. Cheguei a escrever algumas frases mentalmente, e sempre deixava para escrever no computador mais tarde. Na primeira vez até funcionou. Na segunda, tinha esquecido completamente o gancho que me fez pensar naquele tema como uma grande ideia. Na hora me lembrei do bloco e da caneta. Ahhh, se eu tivesse anotado !!!

Hoje em dia, se penso ou me deparo com algo interessante, pego meu celular e gravo o que estou pensando. Depois começo a esboçar o artigo, seguindo os direcionamento dados acima.

E então, está pronto para arregaçar as mangas, pegar papel e caneta e começar a planejar seu primeiro artigo? Claro que não, né? Afinal de contas, quem hoje em dia usa papel e caneta pra escrever? Nós da área de TI com certeza temos outras alternativas. Pensando bem, este é um bom tema para um futuro artigo! Até mais!

 

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Autor

Profissional de IT e apaixonado por tecnologia, Francisco é Arquiteto de Soluções com mais de 25 anos de experiencia no mercado de TI em diversas empresas como BID, HP, EDS, Fininvest, Unibanco, Banco Nacional e Sul America Seguros. Escrever é um dos seus hobbies e, além de tecnologia, é aficionado por música, viagens, fotografia e futebol. Meus contatos são: LinkedIn: http://br.linkedin.com/in/franciscojsfernandes E-mail: kikofernandes@gmail.com Twitter: @kikofernandes71

Francisco J S Fernandes

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