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Dos dados às coisas

publicado por Luis Otávio Médici

Dos dados às coisasEm um passado não muito remoto, computadores menos poderosos que o celular em seu bolso, ocupavam grandes salas chamadas de centro de processamento de dados, ou simplesmente CPD.  Antes que o leitor ou a leitora desista do artigo, vou logo admitindo que o que acabei de escrever não é novidade.  Optei pela lembrança do CPD para iniciar uma conversa sobre que os tais dados que eram processados.

Nos idos dos anos 60 (saudosos para muitos), os pesados computadores recebiam um conjunto de dados coletados por alguém, processavam estes dados utilizam um programa pré-definido e geravam como saída dados em vídeo monocromático, fita ou mesmo em papel. Os processos de obtenção e posterior compartilhamento de dados dependiam enormemente da ação humana. Escrevendo este parágrafo eu me lembrei do protocolo DPLDPC (disquete para lá, disquete para cá) – fim do devaneio.

Para tornar uma longa história curta podemos dizer que muitos neurônios e transistores foram sobreaquecidos para evoluirmos do processamento de dados até o que atualmente chamamos de tecnologia da informação.  Se hoje afirmamos que a informação está na ponta dos dedos, é porque existe uma longa e complexa cadeia de dispositivos que possibilitam que um singelo dado seja capturado, processado, armazenado, transmitido, reprocessado, novamente armazenado (repita isso algumas vezes) e, finalmente, transmitido para o dispositivo apontado pelo seu dedo.

Vamos olhar mais de perto. Digamos que este dado seja a temperatura interna da sua geladeira. Para que esta temperatura seja percebida por um sistema eletrônico é necessário um sensor que converta temperatura em um sinal elétrico (procure por transdutores). Este sinal geralmente é analógico e pode assumir diferentes e infinitos valores. Para ser computado por um processador ou microcontrolador digital, o sinal analógico proporcional à temperatura (Volts) deve ser convertido em um sinal que assume um número finito de valores (dois se for binário) chamado de sinal digital (bit). Cabe neste ponto uma frase que talvez tenha sido criada por mim: “O mundo é analógico, porém seu processamento é cada vez mais digital”. Temos agora um dado digital binário, armazenado dentro do processador e disponível para o software escrito especialmente para o sistema eletrônico da geladeira – podemos chamá-lo de firmware.  O dado manipulado pelo firmware poderá se transformar em temperatura instantânea, média, mínima ou máxima expressas em graus Celsius ou Fahrenheits. Eventualmente esta informação – repare que o dado foi promovido a informação – também poderá aparecer em um mostrador (ou display) instalado na porta do eletrodoméstico que serve de suporte para o pinguim. O nosso pequeno computador embutido (ou embedded) com capacidade de processamento similar ao dos seus gigantes e isolados antecedentes dos anos 60, possui agora um novo atributo: ele é extrovertido.

O mesmo firmware que transforma dados em informação, também é capaz de estabelecer canais de comunicação com outros equipamentos utilizando protocolos de comunicação.  Informações organizadas em pacotes de dados são enviadas para outros dispositivos através de fios (ou wired) ou ondas de rádio (ou wireless).  Eis que temos a rede onde também esta ligada o dispositivo que esta na sua mão.  Lembra-se do início da história?

Em 1999, um pesquisador norte-americano chamado Kevin Ashton fazia uma apresentação para executivos de uma grande empresa de produtos de consumo, quando utilizou pela primeira vez a expressão “Internet of Things” (Internet das Coisas) com o objetivo de qualificar, de forma simples e objetiva, um sistema de coleta automática de informações individualizadas sobre produtos em supermercados. Em 2014, portanto 15 anos depois, a expressão atribuída ao Mr. Ashton é utilizada largamente e com um significado mais amplo daquele que deu origem a série. Procure por “IoT device” para ter uma ideia desta abundância.

Atualmente podemos entender a Internet das coisas como sendo um conjunto de pequenos sistemas computacionais inteligentes (as “coisas”), que utilizam protocolos e meios de comunicação (a Internet), para enviar informações para outros sistemas computacionais mais de mesma natureza ou mais complexos.   E sobre este tema instigante e palpitante que vamos continuar a conversar no próximo artigo.

[Crédito da Imagem: Internet das Coisas – ShutterStock]

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Autor

Engenheiro formado em engenharia elétrica pela Faculdade de Engenharia Industrial (SP) e pós-graduado em administração pela Fundação Getúlio Vargas (SP). Tem com 15 anos de experiência em sistemas embarcados e negócios internacionais, tendo atuado como engenheiro de aplicações, gerente de produtos e engenheiro de sistemas em empresas de telecomunicações, consultoria, representação comercial e distribuidores . Atualmente trabalha na empresa Arcon Serviços Gerenciados de Segurança.

Luis Otávio Médici

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