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Como praticar o autoconhecimento

publicado por Roni Martins

Recentemente, durante uma aula em um curso de pós-graduação, Gestão da TI para ser mais objetivo, na disciplina relacionada ao assunto liderança, o professor colocou a questão do autoconhecimento e resolvi questiona-lo, pois é um tema em que venho dedicando minha atenção, buscando literatura e estímulos, praticando meditação e refletindo de forma sistemática com relação aos meus sentimentos, percepções e ações em diferentes situações em que interajo, seja na vida profissional e/ou pessoal, perguntando ao professor com relação ao conceito que estava empregando naquele determinado contexto e os caminhos comumente empregados para o desenvolvimento do autoconhecimento. A ideia ali era aprender um pouco mais, pois autoconhecimento é uma das palavras que mais ouviremos no mundo empresarial, o que demonstra que as organizações começam a visualizar os benefícios da inteligência espiritual, ou seja, possuir colaboradores com maior compreensão da vida humana.

As respostas aos questionamentos vieram na linha esperada, ou seja, que autoconhecimento é o conhecimento de um individuo sobre si mesmo e uma das formas de adquiri-lo seria a reflexão com relação aos seus defeitos e qualidades e a busca da percepção das pessoas que lhe rodeiam, seja no trabalho e/ou em outros ambientes com relação a sua atuação e como isto contribui para melhorar o ambiente onde atua, etc. A resposta pareceu-me satisfatória, dentro daquilo que eu vinha acompanhando em livros e artigos sobre o assunto. Penso que autoconhecimento é a bússola para o desenvolvimento do ser humano, tornando possível a melhoria da qualidade de vida das pessoas, porém hoje o material que temos sobre o assunto, estou me referindo aos disponíveis nos meios de comunicação digitais, ainda não é suficiente para sensibilizar e criar a energia necessária à mobilização para a prática. O autoconhecimento é uma das principais ferramentas para despertar de consciência sendo importante que tenhamos disponíveis informações que nos possibilitassem refletirmos sobre a sua contribuição quanto ao estabelecimento de corretas relações humanas, a partir de tomarmos consciência do que somos e da importância de podermos dar mais qualidade as nossas decisões, interações, movimentos e encontramos caminhos que permitissem começarmos a pratica-lo, sendo este o objetivo que me move ao conceber este texto.

Segundo Carl Jung o ser humano se utiliza de uma máscara (maneira como nossa personalidade se apresenta) que é destinada a produzir um determinado efeito sobre os outros e ocultar a sua verdadeira natureza. Ao longo do tempo estas máscaras ou poderíamos dizer personas, talvez um termo mais palatável, que são utilizadas para interpretação de diferentes papéis em diferentes situações e meios sociais, começam a fazer parte da essência da pessoa, que nesta altura já não se conhece a fundo, pois se deixou absorver pelas personas, criando situação onde poderá permanecer muito tempo na superfície das coisas, estar mais dependente das opiniões de terceiros sobre diversos assuntos e, também, dependente do que chamamos de senso comum ou realidade de consenso (vemos o que estamos condicionados a ver, segundo as normas da sociedade), bem como, passa a utilizar estas máscaras como parâmetros para interpretações e comportamentos no meio onde vive.

Com o autoconhecimento não iremos tratar de demonizar as máscaras, já que são de caráter mediador ou são bengalas que todos nos apoiamos nas interações do dia a dia e sempre a utilizaremos com maior ou menor intensidade. Segundo a pesquisadora Zuleica Dantas, o ato de se mascarar é uma forma de ir ao encontro à moralidade estabelecida pela sociedade, ou seja, somente para citar um exemplo, se o senso comum nos diz que em um mundo competitivo devemos nos mostrar fortes, belos e inteligentes, então é isto que o faremos. O fato é que máscaras tendem a cair e geralmente revelam o lado belo das pessoas, mas mesmo que não seja revelado o melhor lado, o fato que agora nos conhecemos mais e isto é condição básica para o início do nosso desenvolvimento como ser humano, um ser caminhando para a essência. Exatamente neste momento que entra o autoconhecimento, o que Carl Jung classifica como o processo de individuação, que leva o ser humano ao autoconhecimento da própria psique. Sempre que buscamos entender o comportamento humano, nos deparamos com a necessidade de entendimento da psique, podemos entender a palavra psique neste contexto como a estrutura que representa a identificação de cada ser humano (identidade de cada um de nós).

Para despir as máscaras, processo de individuação, ou seja, o que Jung classifica como introspecção criativa que tem o poder de nos tornar mais energéticos e com o sentido mais aguçado da nossa identidade e do nosso papel em cada situação. Não estamos falando de nos despir em todas as situações, visto que se em algumas situações expressarmos nossos sentimentos de forma aberta iremos nos fragilizar, demonstrar extrema falta de bom senso e/ou cometer gafes, mas se não falarmos o que sentimos, não contribuímos para estabelecer o ponto de equilíbrio nas oportunidades onde isto é necessário para tornar a vida mais justa e perfeita para um maior numero de pessoas. Devemos utilizar o instrumento do autoconhecimento, que para mim, significa identificar e contrariar os vícios e paixões relacionadas à personalidade, praticar a auto-observação com relação as nossas forças e fraquezas, vigiar as portas do pensamento, pois a ação segue o pensamento, vigiar nossos sentimentos, buscando transmutar sentimentos negativos em energias que possam ser utilizadas para o bem de muitos, cultivar a paciência e a compaixão. É necessário, junto com o compreender a Si Mesmo, que venhamos a implementar as necessárias transformações e aprimoramento, nos possibilitando colocarmos harmonia em todo o nosso saber e o utilizarmos com equilíbrio. Com relação ao nosso crescimento temos que ter como verdade que a mente é altamente complexa, como também é verdade que podemos influencia-la através da nossa própria consciência, pois o homem não é a sua mente.

A prática do autoconhecimento por cada indivíduo poderá contribuir para relações humanas de qualidade e, consequentemente, tornar uma sociedade melhor, justamente porque o autoconhecimento permite que a nossa participação, em todas as áreas da vida humana, seja mais repleta de sentido e valor. Podemos imaginar o ambiente empresarial, somente para ficarmos com um exemplo mais próximo, onde necessitamos de harmonia entre as pessoas, onde precisamos formar grupos integrados, grupos motivados e efetivos. O autoconhecimento nos permite maior percepção e compreensão das diferenças individuais, sendo os pré-requisitos para o a melhoria da comunicação, cooperação, liderança e motivação dos diferentes grupos, criando uma sintonia com a cultura organizacional e, a partir dai, podendo impactar na mudança desta mesma cultura, já que agora o trabalho nesta empresa passa a ter maior retorno pessoal, e porque não dizer com maior significado existencial. Carl Jung na época tinha como proposta uma escola para adultos, onde o objetivo era ensinar às pessoas as coisas mais elementares do autoconhecimento, tratando, então, da alma do ser humano e das corretas relações humanas. Necessário registrar que este conhecimento é muito protegido, porem posso assegurar que teremos acesso a ele sempre que, individualmente, procurarmos por ele. Para descobrir se precisa pratica-lo responda para você mesmo as seguintes perguntas: Você se conhece?, Sabe por que se comporta de determinadas maneiras em determinadas situações? Sabe o que deseja mudar em sua vida? Sabe como mudar?

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Autor

Um dos 100 IT Leaders 2012, venho atuando há mais há mais de vinte anos no mercado, em empresas de grande e médio porte, na função de executivo de TI e executivo ligado a Gestão Organizacional, ocupando os cargos de Gerente de Tecnologia da Informação , Gerente Qualidade, Diretor de Tecnologia da Informação e Consultor Organizacional. Atualmente, outubro de 2012, procurando uma nova oportunidade de trabalho na região Sul, mais precisamente em Porto Alegre e/ou região metropolitana de POA.

Roni Martins

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