Carreira

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Como a área de TI deseja sustentar o nível dos profissionais no Brasil?

publicado por Alexandre Fernando
Gustavo Ioschpe: Brasil: a primeira potência de semiletrados?
A área de TI não pode ignorar este fenômeno
Muitos abominam a revista veja por que enxergam nela uma tendência política clara.De fato, em alguns momentos a tendência é clara. Mas, acredito no poder do raciocínio que cada ser humano é capaz de produzir, se informando, se atualizando, estudando, se desenvolvendo. Então, todas fontes devem ser levadas em consideração. Gosto de “ouvir” todas as opiniões e visualizar todas as possibilidades, é assim que formo minha opinião sobre as coisas, ou consigo “ganchos” para pesquisar sobre determinado assunto. É difícil esgotar todas as possibilidades, mas, é possível obter informações de todas as orientações políticas.

Li esse artigo na veja e enxerguei reproduzido nas suas linhas uma correlação com meus pensamentos sobre a educação no Brasil.
O artigo de Gustavo Ioschpe pode ser lido na íntegra em:
O texto trata de como a educação falha pode influenciar negativamente a vida de um país. O desleixo com que a educação é tratada no Brasil é um descalabro. Entre discursos demagógicos e bravatas estamos nos tornando uma superpotência econômica desprovida de cérebros.
Um caos – O preço: um futuro medíocre para a população e a falsa sensação de independência do país. Na verdade, essa situação é boa para alguns.
Quem? as celebridades de sempre: As elites, os políticos corruptos, os países colonialistas, entre outros.
Enquanto esta situação persistir “as veias abertas da américa latina” jamais se fecharão e cicatrizarão. O “sangue” continuará escorrendo e sendo sugado pelos oportunistas.
Esse livro: “as veias abertas da américa latina” de Eduardo Galeano, datado de 1978 trata de um tema oportuno e atual. Sinceramente gostaria que fosse parte do passado.
Infelizmente não é e pior: está longe de ser.
Onde a TI entra nisso? não é só a TI, todas as áreas.
Especialmente a TI que é a área na qual atuo. O que se espera dos futuros profissionais?
Acredito que se espera pessoas hábeis no que fazem, mas, mais do que isso, pessoas que saibam se comunicar, escrever, falar. Isso é muito mais do que programar, codificar ou qualquer atividade meramente técnica.
Ioschpe define claramente uma situação hoje e alerta para um futuro incerto.
É necessário agir já.
O sistema de ensino no Brasil é tão inacreditavelmente frágil e incompetente que não consegue formar cidadãos capazes de utilizar corretamente a linguagem ou de possuirem poder de persuasão ou crítica.
Esse tipo de habilidade só é possível melhorando-se a qualidade do ensino. Um país que não consegue dar uma educação de nível internacional aos seus cidadãos corre o risco de ter um apagão de mão de obra ao longo do tempo e a área de TI não está imune a isso.
Por isso que quando li o artigo para mim foi um divisor de águas, pois, as idéias colidiram e se fundiram as minhas.
É bom, porque têm-se a certeza de que o assunto é abordado na sociedade e vislumbra uma luz ao fim do túnel.
Melhorar o sistema educacional é a chave para o sucesso e a garantia de qualidade da mão de obra. As barreiras para que isso ocorra são as de sempre: políticas.
Mais do que se formar, se graduar, se especializar. Todo esse processo deve ser feito com qualidade, quando não é assim, o risco para o país é imenso.


Os novos imigrantes

Ancorados também neste problema muitos estrangeiros buscam oportunidades no Brasil.
A qualidade da formação dessas pessoas normalmente são melhores do que as nossas, além da fluência em inglês. O problema enfrentado por elas é a barreira lingüística: A língua portuguesa é uma barreira de entrada forte, muitos a consideram muito difícil. Porém, para concorrermos com essa mão de obra altamente especializada não deveremos bater as portas do governo exigindo que elas sejam banidas, precisamos sim é cobrar uma educação decente para todos. Um sistema educacional competente e profissional que seja capaz de fazer as pessoas aprenderem, isso é mais importante. Melhorando essa qualidade, não temeremos nada e ninguém, competiremos. Chegar aos níveis europeus ou dos EUA demorarão gerações. Mais uma vez: precisamos começar já, para que as próximas gerações possam usufruir de algum benefício.
Podemos ter certeza: Esses novos imigrantes estão dispostos a agarrar as oportunidades com unhas e dentes e como o nosso país não prioriza a nossa formação educacional, a vantagem deles é grande, dependo do país de origem, considerando América do Norte e Europa, é muito difícil competir com um povo que na sua maioria, sempre teve educação de qualidade.
Mas não é impossível, apenas mais difícil.
De volta para casa
O novo ministro da ciência e tecnologia Aloizio Mercadante deseja criar facilidades para atrair de volta os cientistas brasileiros que atuam em universidades no exterior. Ele estima que mais de 3.000 professores brasileiros ministram aulas em universidades dos EUA. Certamente, é uma ótima notícia para todos, talentos nativos que podem voltar e equilibrar um pouco a falta de mão de obra qualificada e também, como prioridade, os brasileiros que voltarem atuarão em projetos estratégicos para desenvolvimento do país.
Com toda certeza esse movimento custará para o país muito mais agora do que se custaria se o Brasil tivesse investido em educação. Talvez, esses professores que buscaram oportunidades no exterior nunca tivessem ido embora.


Voluntariado

O trabalho voluntário na área de educação dos jovens, incentivando-os a acreditar em si mesmos, é importantíssimo para despertar nesses jovens a importância da educação em suas vidas.
Esses jovens precisam acreditar que são capazes de vencer. Ou melhor: Estudar e vencer. Abrir a visão de mundo. Progredir. Se desenvolver.
Sempre existem organizações não governamentais que precisam de ajuda na área de tecnologia ou em outra área qualquer. O objetivo dessas organizações é alavancar os jovens e fazê-los acreditar que é possível.


Projetos educacionais

Modelos interessantes

Alguns projetos educacionais der sucesso em outros países me foi apresentado pela professora Maria Rachel Coelho (http://www.mariarachelcoelho.com.br/), são as Charters Schools, que funcionam na cidade de Nova Iorque, no brooklin. O projeto educação sem desculpas. “No excuse education”.
Este projeto consiste em trabalhar jovens que estão em desvantagem sócio-econômica e fazê-los acreditar no seu potencial e que é possível. Os professores são selecionados e só os melhores são escolhidos.
O corpo docente é constantemente avaliado e cobrado sobre os resultados do projeto. Os que não se encaixam são substituídos.
Um modelo muito maduro e que pode servir de base para outros projetos semelhantes.
A verdade:
Sem Educação…
  • Não há independência plena da nação;
  • Não há desenvolvimento econômico sustentável;
  • Não há possibilidades de manter a renda da população;
  • Não há chances de sustentar o consumo e a toda atividade econômica de um país.
Ioschpe alertou antes dos economistas.
Hoje, muitas personalidades alertam para o problema:
Senador Cristovam Buarque: http://www.cristovam.org.br/portal2/index.php?option=com_content&view=article&id=3496:brasil-enfrenta-apagao-de-mao-de-obra-qualificada-1822010&catid=19&Itemid=100056
Denise Lustri: http://www.msaselecao.com.br/?p=1544
Fernando Trevisan: http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/trevisan-graduacao/trevisan/apagao-de-mao-de-obra/
Todos esses efeitos negativos da falta de qualidade na educação e da negligência do Brasil nesta área serão sentidos a longo prazo e pior, são difíceis de serem revertidos: gerações seriam sacrificadas para que uma reversão efetiva ocorresse de fato.
Os profissionais devem estar além das especializações e da coleção de letras tão tradicional da área de TI: A qualidade dos profissionais está diretamente ligada a qualidade da educação no país, e não é só na área de TI, em todas.
O apagão de mão de obra pode chegar até nós mais rápido do que pensamos.
A pena por não nos organizarmos e exigirmos profissionais de qualidade e formação adequada é a de nos transformarmos em robôs ou mísseis teleguiados.
Só para lembrar: Robôs não têm alma e mísseis se autodestroem.
Por essas e outras é que defendo que o ensino primário e fundamental , principalmente a graduação formal, são como um “calcanhar de aquiles” para qualquer profissional, especialmente para nós de TI.
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Autor

Programador Sênior e Consultor ERP. Atua em projetos na área de desenvolvimento de sistemas corporativos desde 1995. Graduado Tecnólogo em Informática para a Gestão de Negócios (2010) FATEC - Faculdade de Tecnologia de Jundiaí http://www.fatecjd.edu.br BLOG

Alexandre Fernando

Comentários

13 Comments

  • Very excellent thoughts Alexandre!

    There are many ways to view what is needed to bring a developing country into a developed country — none of them involve the absence of a changed or even a new education system. Innovation in technology has almost ALWAYS resulted in a country in becoming a global leader in the following years. The TI industry in Brazil has a very unique opportunity — to reform the education system in Brazil, provide a new means to education, and provide innovations that will — not maybe or possibly could — promote Brazil into a developed nation with a lead in the global economy. Not necessarily THE leader in global economy but definitely a leader in global economy.

    As being the most promising of the BRIC countries, Brazil is attracting much global attention. Most of this attention comes from English speaking countries, creating a need to communicate in English. At one time, French was the language of commerce until English speaking nations were more innovative and gained the global commerce lead. Before French, German and Italian (and others) were the languages of commerce — as they were leading the world in commerce and technology.

    Promoting an awareness of a need is only the first of many seeds that have to be planted to provide a fruitful endeavor. There is an increasing awareness of the need for a better education for the citizens of Brazil. Anytime you have a large change of excellence in a country, everything that does not meet that level of excellence becomes magnified. President Lula’s efforts to promote Brazil into the global market has magnified the focus on many issues in Brazil that need attention — especially infrastructure, eduction and technology.

    The mistake Gustavo Ioschpe makes with his assumptions is the lack of change resulting from innovation. This is the best seed any country can give itself is innovation. Innovation provides for a need that people want fulfilled. Inconsistent services and lack of quality items are the biggest drivers for innovation.

    But innovation also needs the faith and investment of the government. Without incentives from the government, many countries with potential to be great have become just that – a country with potential. World history is full of these situations where countries of promise become countries of compromise. What they forgot is that five dollars and potential will buy you a beverage just about anywhere.

    • Thank you Garrett. I think that Gustavo Ioschpe did not err in article him. The education system of brazil not is able of teaching the enough. Only this. Missing critical and global throught of society. Basic directives with read, understanding and write of correct form of the agree with standard cultured of portuguese language are domains of few. This article of him turns around of this question. I very like of article of him.
      Hugs,
      Alexandre.

  • You are, Gustavo did not err in his article and is an excellent article. My error was not sharing this thought in my comment.

    Illitercy is the biggest obstacle for any country, especially a country evolving quickly in technology. I believe his use of the words Human Captial can be interchanged with technology — with the same affects and results. The cause and effect almost always points to the need to improve with what we have — and this is part of the innovation of technology. The other part of innovation is inventing something new as part of the progression — example: the vacuum tubes to the transistors to the microchip. ‘Computers’ have existed since the invention of the abacus, but have been redefined with each new innovation.

    What is not in the scope of the analysis of Gustov is something immeasurable and the direction from which we never know will arrive. That would be the basic element of any one person to dream, hope and desire… without visions and dreams, aspiration cannot survive. For most people, dreams die from the lack of any sense of hope. Hope is something intangible — but yet can be and has been the seed to provide phenominal growth in any situation. Otherwise there would not be so many foreign students in the colleges of the USA and England (Such as Massachusetts Institue of Technology, Harvard University, California Universities, Oxford University and others).

    But to get there, obviously the need to not only be literate but have a dream and vision that drives their desire to pursue more knowledge. Dreams provides hope, and hope drives pursuit at many levels.

    Solutions will come in many forms — from study groups that have assessed correctly what the next plan of action needs to be as well as from motivations of those that want to improve not only their own lives but those of our children as well. They are the future but are heavily dependent upon what training we provide them. To provide our children hope feeds their dreams which feeds innovation — whether it be something simple as providing a basic need or providing a need to a community, a city, a state, a country.

  • My previous comment should be starting wth the words, “You are right Alexandre…”

    • OK, I understand Garrett, I agree. Your reply this perfect.
      Are my throughts too.
      Hugs,
      Alexandre.

  • Alexandre e Garret,
    li agora o seu artigo e também o artigo publicado na Veja. Para quem não leu ainda, eu recomendo.
    Como você, me identifiquei imensamente com o texto e vejo a realidade apontada pelos estudos do passado, que este crescimento que vivemos não se sustentará a menos que se mude radicalmente o paradigma da educação no Brasil.
    O exemplo que ele cita da secretária, é tão verdadeiro como frequente, porque a educação de forma geral não ensina a pensar nem a pesquisar. A começar pela escola pública fundamental, onde a aprovação é automática apenas para que se aumentem a estatística de nível educacional, e para que as famílias ganhem os seus bolsa-família e outros incentivos. Não me entendam mal, acredito que haja realmente quem precisa, mas não é com assistencialismo que vamos resolver o problema, mas por outro lado, como se ganha 80% de aprovação e votos…
    O problema é bem mais em baixo porque na minha opinião é 100% político. Não era interesse no passado, e continua não sendo hoje ter uma população jovem com espírito crítico, que leia nas linhas e entre linhas e seja capaz de pensar por sí. A ignorância sempre dará margem a massas manipuláveis na perpetuação do poder. O coronelismo no Brasil não morreu, mudou apenas de roupagem.
    Ensinar a pensar e criticar é a chave. Mas será possível mudar esta cultura brasileira…
    abç, Mônica

    • Concordo com você Mônica, ensinar a pensar e criticar é a chave. Mas uma mudança nessa cultura teria origem na escola a partir de professores com competência adquirida em pensar, criticar e ensinar a pensar e criticar. Quem está ensinando nossos novos professores ainda são os formados nos antigos moldes. E apesar de já estarem até alardeando o novo como um bom modelo, ainda agem com bases fortes nos anteriores, até por uma questão de prática mesmo.

      Nesta linha de raciocínio quanto anos ainda teríamos que aguardar para ver o ciclo renovado? Como você esta questão?

      abraços

  • Boa Mônica. você resumiu bem : mudar radicalmente o PARADIGMA da educação no brasil – um movimento pró desenvolvimento.

  • Parabéns Alexandre,
    adorei seu artigo, obrigada pela contribuição!

    • Obrigado, eu concordo com você também, os formadores estão atuando nos velhos moldes, não todos, mas, a maioria. Soma-se a isso todos os fatores políticos e profissionais que já conhecemos bem. Em minha opinião, a Mônica falou tudo: mudança radical de paradigma. Não há outra forma.
      Precisa de alguém no poder realmente comprometido com esse tema e que não tenha o objetivo de se auto promover. De realmente agir. Com esse foco. Educação. Ter isso como base para a mudança raiz na nação. Enquanto isso não ocorrer, infelizmente, vamos continuar esperando.

      Abraços,

  • Que Deus venha nos dá uma chance a cada dia.

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