Cloud Computing

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A vez do BYOC (Bring Your Own Cloud)

publicado por Cezar Taurion

Nos últimos meses, o assunto BYOD (Bring Your Own Device) tem sido bastante debatido. Eu, pessoalmente, me envolvi em várias palestras e reuniões com clientes para debater o tema. Mas, observo muitas vezes que a amplitude do impacto do modelo de consumerização e a consequente transformação do paradigma de PC (Personal Computer) para Personal Cloud não tem sido adequadamente percebido. Temos que olhar além do BYOD. Devemos começar a visualizar o conceito de BYOC, ou Bring Your Own Cloud.

Sair do conceito de My Documents para My Cloud tem implicações bastante significativas na maneira de se pensar e usar a computação. A nuvem pessoal vai transformar (aliás, já está transformando) a nossa experiência digital. Uma nuvem pessoal é uma combinação de serviços e aplicações nos quais os usuários armazenam, sincronizam e compartilham conteúdo, independente de plataforma, tamanho de tela e localização. É muito mais abrangente que simples substituição do disco rígido do PC por armazenamento em uma nuvem. Uma personal cloud passa a ser o hub digital para as pessoas, onde estarão penduradas a ela(s) todos os seus dispositivos e conteúdos. Na minha opinião, permite criar a visão da computação ubíqua.

Uma consequência direta será o decréscimo da importância individual dos dispositivos em troca da crescente significância do ecossistema, cujo centro de gravidade será a nuvem. Daí as guerras pelo domínio do ecossistema e da nuvem, onde iCloud e os dispositivos Apple de um lado e os sistemas baseados em Android e Google Drive em outro. Em terceiro lugar, bem atrás no grid de largada, vem a Microsoft com seu ecossistema baseado em Windows.

Com a crescente adoção das nuvens pessoais, acredito que nos próximos anos veremos eclipsar o modelo atual onde mantemos nossos conteúdos em nossos PCs pessoais, modelo que provavelmente será mantido apenas em casos muito específicos. Já vemos muita coisa acontecendo com serviços como DropBox, iCloud e dezenas de outros, conquistando milhões de usuários. À medida que estes serviços forem gerando confiança, sua curva de adoção tenderá a se acelerar.

Por outro lado, abre-se todo um novo campo para a criação de aplicativos inovadores, basseados no conceito de nuvem pessoal e do seu implícito sincronismo com qualquer dispositivo de acesso, seja ele um smartphone, tablet, laptop ou TV.

O grande desafio será adotar o conceito My Cloud nas empresas. É cada vez mais difícil separar nossa vida pessoal da profissional e como a nuvem pessoal passa a ser nosso hub de conteúdo, como ignorar esta tendência dentro das corporações? Uma coisa é armazenarmos em um DropBox nossas fotos, músicas e vídeos das nossas férias, que nos pertencem e a decisão e o eventual risco é nosso. Outra é armazenar nessas nuvens conteúdo que pertence às empresas para as quais trabalhamos.

Como é impossível segurar o tsunami que já está vindo, as empresas devem criar políticas de uso das nuvens pessoais, criando mecanismos que separem conteúdo profissional do pessoal e, no caso de conteúdo profissional, garantam que estejam criptografados. Também é possivel criar políticas paliativas que impeçam, pelo menos por enquanto, o uso de nuvens como iCloud e DropBox para armazenar informações corporativas. Vale a pena ler este artigo que mostra porque a IBM proibiu o uso do DropBox dentro de sua política de BYOD. Mas, por outro lado é importante criar alternativas. A IBM criou um similar a um DropBox interno chamado de MyMobileHube.

Sabemos que dizer não ao movimento de consumerização é absolutamente inútil. Consumerização vai ganhar sempre. Portanto, a área de TI deve desenhar estratégias de convivência, que permitam ao mesmo tempo, oferecer dentro das empresas experiências similares a que os funcionários têm em casa, mas que garantam um nível de segurança adequado aos seus requisitos de compliance e auditoria corporativos.

Não é uma tarefa simples, mesmo porque muda o paradigma de domínio e controle ao qual TI está acostumado. Além disso, há uma profusão de dispositivos chegando a cada mês. O ritmo de inovações é muito acelerado. Portanto, a política deve ser pragmática, definindo critérios de aceitação de dispositivos e nuvens pessoais, não ficando presa produtos ou modelos de dispositivos específicos. Manter a política sob constante atualização e validação. Envolver as áreas jurídicas e de RH no processo, até mesmo porque, em determinadas, situações as informações corporativas que estão em nuvens pessoais podem estar em território estrangeiro, o que iria contra algumas normas regulatórias de determinados setores de negócio.
No final, é importante ter em mente que mal entendemos o e absorvemos o conceito de BYOD, já estamos às voltas como o BYOC. E depois dizem que ser gestor de TI não é um dos trabalhos mais estressantes que existem…

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Autor

Cezar Taurion é head de Digital Transformation da Kick Ventures e autor de nove livros sobre Transformação Digital, Inovação, Open Source, Cloud Computing e Big Data.

Cezar Taurion

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