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O Velho e Bom Mainframe

publicado por Wilson Laia

O Mainframe ou computador de grande porte, também conhecido como Plataforma Alta, desde sua criação, na década de 40 dedicam os seus MIPS (Milhões de Instruções Por Segundo) ao processamento de um grande volume de informações, e são capazes de oferecer serviços de processamento a milhares de usuários através de milhares de terminais conectados diretamente ou através de uma rede. Como curiosidade, o termo mainframe se refere ao gabinete principal que alojava a unidade central de fogo nos primeiros computadores.

Os Mainframes têm a capacidade de executar diferentes sistemas operacionais, sendo seus recursos de hardware virtualizados através de um componente de hardware nativo ou adicionalmente por software. Desta forma um único mainframe pode substituir dezenas ou mesmo centenas de servidores menores usando Máquinas virtuais. Estas Máquinas Virtuais (VM/SP e VM/ESA) inspiraram os atuais VMWare, Hyper-V e XEN.

O Brasil é o sexto colocado no ranking mundial dos países que mais adquirem Mainframes, perdendo apenas para países mais desenvolvidos, como Japão, Estados Unidos, Alemanha, França e Itália.

Já como oportunidade para fornecedores e prestadores de serviços deste mercado, o país figura como o terceiro maior parque de Mainframes em operação no mundo.

Além disso, renomados institutos de pesquisa apontam que os Mainframes processam 70% dos dados mundiais e encontram-se em 90% das mil maiores empresas listadas no ranking da Fortune.

Depois de uma “morte anunciada” há algumas décadas, esses gigantes seguem firmes sustentando operações do governo, instituições financeiras nacionais e Operadoras de Telefonia.

Eles não só não “morreram” como se pensava na década de 90, como cresceram em capacidade e rapidez de processamento, segurança, interoperabilidade e interconectividade, uma vez que hoje os Mainframes falam até com “sinal de fumaça”.

Essa experiência de “quase morte” da tecnologia nos anos 80 ocorreu, em grande parte, em função da estagnação vivida por esse ambiente, gerada pela Reserva do Mercado de Informática no Brasil, imposta pelo governo Brasileiro para proteger os fabricantes de Hardware e Software do nosso país.

Embora não se possa negar a realização de grandes investimentos internos, a Política Nacional de Informática então em vigor acabou por engessar o desenvolvimento econômico do país e chegou a favorecer a pirataria de hardware e software, com o surgimento de diversas empresas nacionais que oficialmente fabricavam equipamentos ou desenvolviam sistemas copiados de projetos estrangeiros, principalmente de origem norte-americana, tais como AppleMicrosoft, etc.

Durante o período de Reserva do Mercado de Informática a concorrência era quase inexistente, e isso não permitia a inovação, já que a indústria de TI Brasileira não estava apta a prover as inovações necessárias para atender ao mercado.

Após alguns anos de estagnação veio o fim da reserva de mercado, que incrementou o livre acesso da mão-de-obra especializada a recursos laboratoriais de ponta, já consolidados, testados e aprovados em economia de escala mundial e condicionou o investimento em novos projetos como contrapartida das empresas que se beneficiavam de incentivos fiscais concedidos ao desenvolvimento de produtos ou serviços com valor nacional agregado.

O ressurgimento da Plataforma Alta foi impulsionado pelo advento de um concorrente de peso: a Arquitetura Distribuída (Cliente-Servidor).

Nos últimos anos temos visto várias publicações dos maiores institutos de pesquisa do mundo, sugerindo que os CIOs das empresas devem considerar a possibilidade de migrar suas aplicações que estejam rodando nos Mainframes para outras plataformas mais modernas, abertas e, portanto, menos proprietárias.

A lógica destes institutos parece estar fortemente ligada aos teóricos altos custos de manutenção destes ambientes, a baixa possibilidade de evolução e modernização das aplicações, e à escassez de profissionais com capacitação em ambientes Mainframe. Isto porque com o advento e evolução dos sistemas abertos, não mais se ensina tecnologias baseadas em Mainframe nas universidades do Brasil e até mesmo do resto do mundo.

Com isto os profissionais com skill de Mainframe estão se aposentando; e como não há uma reciclagem de profissionais e nem mesmo estímulo para os jovens profissionais que entram no mercado de TI se enveredarem para o mundo Mainframe, uma falta iminente de profissionais para administrar estes poderosos ambientes se aproxima.

Existem iniciativas dos grandes fabricantes de Mainframe que visam capacitar profissionais, especialmente na América do Norte, onde se estima que há um déficit de cerca de 20.000 profissionais.

Assim, o cenário por aqui não é diferente. Parece não haver estatísticas que apontem o número de novos profissionais necessários para suprir as vagas deixadas pelos experientes profissionais que estão se aposentando.

Todo este movimento do mercado de TI é hoje o motor de iniciativas como Downsizing ou reHosting, como é chamado nos dias atuais, que visam permitir a chamada Legacy Modernization ou Applications Modernization. Este, no entanto, será um assunto que trataremos numa próxima e breve edição.

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Autor

Executivo sênior da Área de TI com uma carreira de 37 anos na área, tendo atuado em grandes multinacionais, tais como: IBM Brasil, Software AG Brasil, Hildebrando Brasil, braço de TI do Grupo TELMEX, Case Brasil, Emerson e Beloit Industrial. MBA em TI pela FGV, Pós-graduado Babson College-USA. Especialista em Data Centers com certificação do IDCA - International Data Center Authority. Fluente em Inglês e Espanhol. Possuí uma combinação única de Vendas, Tecnologia, Infraestrutura de TI (Mainframe, Unix, Linux, Windows), Consultoria (Serviços Profissionais ou Professional Services), suporte técnico, Redes no Brasil, América Latina, América do Norte e no mercado Europeu. A larga experiência na área de TI, lhe confere uma rara oportunidade de conhecer quase todos os segmentos desta área, inclusive em startups de empresas, garantindo uma navegabilidade em todas as plataformas e tecnologias vista em poucos profissionais, o que aliado ao conhecimento estratégico que envolve a área, o credencia a discorrer sobre vários assuntos pertinentes em TI.

Wilson Laia

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