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VAX/VMS e OpenVMS: Um pouco de história e nostalgia

publicado por Bruno Ernesto do R. Moraes

Hoje, pouquíssimas pessoas envolvidas com Tecnologia da Informação conhecem a arquitetura VAX (Virtual Address Extension) e o sistema operacional VMS (Virtual Memory System), que a acompanhou durante toda sua vida. A arquitetura VAX surgiu na DEC (Digital Equipament Corporation) em meados dos anos 1970, com a intenção de ser uma arquitetura que facilitasse o trabalho de programação de linguagens de máquina.

O primeiro modelo lançado no mercado foi o VAX-11/780, apresentado em 25 de Outubro de 1977, na Assembleia Geral Anual de Acionistas da Digital Equipament Corporation. VMS e a arquitetura VAX, foram desenvolvidos paralelamente (engineered concurrently), na intenção de que tirassem a máxima vantagem um do outro. Anos mais tarde, o sistema operacional seria renomeado para OpenVMS.

Sistemas operacionais VMS incluíram várias versões do BSD UNIX, tais como 4.3BSD, Ultrix-32 e VAXeln. PDPs e minicomputadores com esta arquitetura eram as tecnologias mais populares na comunidade científica e de engenharia durante todos os anos 70’s e 80’s. Com todo esse conceito, foi considerada como o exemplo perfeito da arquitetura de processamento CISC!

Para os que tiveram o prazer de desfrutar desta tecnologia, o VAX/VMS deixa saudades, como se pode perceber em alguns textos de dinossauros (no bom sentido da palavra) em seus websites. David M. Williams um veterano da Ciência da Computação, disse:

“Yet, looking back, I often think I’d like to see a VAX just one more time.”

Richard Gerald Lowe Jr., em WebMythology, faz uma emocionada consideração aos sistemas VAX/VMS. Chama a linha de computadores da DEC de venerável, conta sobre o início de sua carreira com o PDP-11 (assim como Williams o faz) e diz que, ainda hoje, procura um sistema operacional e conjunto de hardware tão perfeitos. São histórias verdadeiramente emocionantes e estimulantes. Gerald termina um de seus textos com a seguinte frase:

“Sigh. Well, those where the days. I could go on and on about how great and wonderful this technology was, and about how much fun it was to write device drivers, disk defragmenters and file utilities for this platform. Perhaps a future article will go into more detail.”

Com a recente morte de Ken Olsen, pioneiro dos minicomputadores e co-fundador da DEC – onde o sistema operacional em questão dominou por longos anos, todos ficaram ainda mais saudosos. Olsen, será lembrado para sempre, pelo papel fundamental que teve em pelo menos uma revolução tecnológica: a migração dos mainframes para minicomputadores. Ele deixou a Digital em 1992, praticamente de forma forçada. E, para compartilhar sua paixão por computadores com o público, co-fundou o Computer Museum. Atualmente, o acervo é parte do Museu de Ciência de Boston.

Na web, ainda podemos encontrar a frase de um brasileiro nerd “das antigas” chamado Paulo Botelho que diz:

“Houve um tempo longínquo em que não havia Windows, nem X-Window e os computadores eram acessados via terminais VT100.”

Responda com sinceridade: É ou não é, emocionante?!

Agora, o OpenVMS é um sistema operacional servidor topo de linha, que é executado sobre uma arquitetura VAX, Alpha ou a família de computadores Itanium-based. Em 1991, foi renomeado para indicar o seu apoio a indústria opensource, seguindo os padrões POSIX e Unix de compatibilidade.

OpenVMS é multiusuário, multiprocessado, utiliza memória virtual e foi projetado para processamento em lote (batch), em tempo real e processamento transacional. Ele oferece elevada disponibilidade através de cluster, ou seja, a habilidade para distribuir em múltiplas máquinas físicas a carga recebida, permitindo que o mesmo seja “tolerante à falhas”. Além disso, inclui um sistema de prioridade de processos que permite que os mesmos funcionem sem barreiras, bloqueios ou interferências.

Este moderno sistema operacional, criou muitas características que são consideradas agora, exigências para os sistemas topo de linha. Que incluem:

  • Trabalho em rede integrado (originalmente DECnet e depois, TCP/IP);
  • Processamento simétrico, assimétrico e multiprocessamento NUMA (incluindo clustering);
  • Sistemas de arquivos distribuídos (Files-11);
  • Banco de dados integrado com características como RMS e bases de dados imersas, incluindo Rdb;
  • Sustentação para múltiplas linguagens de programação;
  • Linguagem de comando shell (Linguagem de comando DIGITAL, DCL);
  • Hardware particionado para multiprocessos e
  • Elevado nível de segurança.

Para os curiosos de plantão, existe um emulador de hardware non-PC, onde podemos usá-lo. Este emulador chama-se SIMH (mantido por Bob Supnik) e roda sobre plataformas diversas incluindo Linux e Windows. Para executar uma instalação, é preciso adquirir uma licença de uso para hobbistas.

Então… divirta-se!

Referências:

  1. http://www.wherry.com/gadgets/retrocomputing/vax-simh.html
  2. http://en.wikipedia.org/wiki/VAX
  3. http://www.montagar.com/hobbyist/mount.html
  4. http://www.physiology.wisc.edu/comp/vax_users.html
  5. http://en.wikipedia.org/wiki/SIMH
  6. http://simh.trailing-edge.com/photos.html
  7. http://laccczem.blogspot.com/



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Autor

Bruno Ernesto é administrador de redes/sistemas e instrutor Unix. Ele divide seu tempo livre debruçado sobre um mar de livros de filosofia, matemática, física, aprendizado autodidata de francês/italiano e suas biografias preferidas.

Bruno Ernesto do R. Moraes

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