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Ethereum: Ainda valerá a pena investir nesta criptomoeda?
jul 28, 2021 Ξ Leave a comment

Ethereum: Ainda valerá a pena investir nesta criptomoeda?

posted by Equipe da Redação

Desde o aparecimento do Bitcoin em 2008 que muitas outras criptomoedas surgiram, suscitando mais e menos interesse entre os investidores.

Uma das criptomoedas cuja popularidade tem vindo a aumentar é o Ethereum, onde inclusive, alguns investidores acreditam que pode superar o Bitcoin num futuro próximo.

Mas, será que ainda vale a pena investir em Ethereum? E se sim, como investir em Ethereum de forma acessível para os investidores iniciantes e para os mais experientes?

Primeiro, é preciso entender que Ethereum é, na verdade, a tecnologia de blockchain associada à criptomoeda Ether, que apresenta várias similaridades com o Bitcoin, mas com várias outras aplicações.

Antes de decidir se vale ou não a pena investir nesta criptomoeda, é essencial que defina o seu perfil de investidor, já que este é considerado um investimento de alto risco.

Além disso, é essencial verificar que possíveis contornos jurídicos possa ter este gênero de negociação para evitar surpresas.

Posto isto, será que ainda vale a pena investir em Ethereum?

Apesar do Bitcoin continuar a ser a criptomoeda mais popular, as últimas notícias dão conta de que o Ethereum está em alta e pode ser uma categoria de investimento que lhe pode oferecer oportunidades interessantes para tentar rentabilizar o seu capital.

As criptomoedas são conhecidas pela sua alta volatilidade e existem diversos fatores que influenciam o seu preço, sendo que o Ethereum não é exceção.

De modo geral, verifica-se que existe uma relação direta entre o Bitcoin e o Ethereum o que significa que sempre que o Bitcoin sobe, o Ethereum sobe e vice-versa. Isto significa que antes de investir em Ethereum deve consultar também o desempenho do Bitcoin.

Além do preço do Ethereum ser influenciado pelo preço do Bitcoin, existem outros factores responsáveis pela oscilação do valor das diferentes criptomoedas como acontecimentos político e econômicos, e que muitas vezes são igualmente responsáveis pela oscilação do valor das moedas convencionais.

Como as criptomoedas não são regulamentadas por um organismo econômico ou governamental como as moedas convencionais acabam por ser fortemente influenciadas pela especulação.

Um bom exemplo disso é precisamente o que acontece ao mercado sempre que grandes investidores tornam público o seu interesse por determinada criptmoeda, tal como aconteceu recentemente quando Elon Musk, dono da Tesla, anunciou o seu interesse pelo Bitcoin.

Existe uma forma de conseguir contornar a volatilidade associada às criptomoedas, negociando com a oscilação de preço sem a aquisição propriamente dita da criptomoeda que exige a aquisição de uma carteira eletrônica para armazenar os seus Ethers.

A negociação de criptomoedas e de outros ativos através de derivados como os CFDs, contratos por diferença, permitem que se especule sobre o preço de Ethereum no sentido ascendente e descendente sem a adquirir.

Este gênero de negociação acarreta bastantes riscos dado que utiliza o sistema de alavancagem que permite uma exposição de investimento maior com um saldo inferior, mas que aumenta igualmente o valor das suas perdas.

A negociação através de CFDs ocorre através de um intermediário, uma corretora, onde permite em um só lugar negociar diferentes derivados de criptomoedas e, não só.

Como consideração final, e antes de decidir se investir em Ethereum valerá ou não a pena é essencial que escolha sempre parceiros de negociação de confiança, que invista num estudo contínuo do mercado e tenha presente que não existem negociações isentas de riscos.

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Por onde começar no mundo do Trading
ago 27, 2021 Ξ Leave a comment

Por onde começar no mundo do Trading

posted by Equipe da Redação

Dê os primeiros passos e invista no Bitcoin com estas simples dicas

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Começo por onde mesmo?

Esta não será com certeza a primeira vez que você vai ouvir falar de Bitcoin e criptomoedas, em geral. Com o investimento cada vez mais frequente por parte de magnatas multimilionários como Elon Musk, é bem seguro dizer que essa forma de monetizar vai certamente crescer bem alto no futuro, o que aumenta a confiança da população e torna o Bitcoin e as outras formas de trading consolidadas, estáveis e mais seguras. Há estudiosos que vão mais longe ainda e consideram o Bitcoin e outras criptomoedas como o mais promissor negócio do futuro.

A vida não é mole não. Para chegarmos em um ponto de alegria financeira é preciso um pouco de dedicação. Felizmente, hoje em dia, há formas de investir o seu dinheiro com algum sossego e, no final de contas, o Bitcoin parece mais assustador do que realmente é. Depois de uma pesquisa rigorosa, encontramos um site de trading de confiança e decidimos partilhar. Esse programa é o Immediate Edge.

Investir em Bitcoin porquê?

Por onde você olhar, há gente falando em Bitcoin, criptomoedas e trading, em geral e não é coincidência não! Não adianta esconder o fato de que o mundo está passando por uma crise financeira sem precedentes e é preciso apontar o dedo para o principal culpado — os bancos. A forma inconsequente como, por vezes, estão sendo gerenciados leva a que muitos governos pelo mundo sejam forçados a injetar ainda mais dinheiro neles para compensar essa negligência. Outro fator tem a ver com o muito baixo retorno que os bancos dão para a gente. Os juros são bem fracos e no final de contas não vale a pena deixar o seu dinheiro neles esperando enriquecer.

O Bitcoin e as criptomoedas são formas geniais de descentralizar o poder monopolizador das instituições financeiras e partilhar a riqueza com a população. Estas moedas se baseiam numa tecnologia chamada de blockchain, que torna as transações anônimas e livres de qualquer manipulação externa. Como não há interferência maliciosa na troca de informação e dinheiro, o Bitcoin se torna uma forma segura e, a médio prazo, possivelmente rentável para seu sucesso financeiro.

Qual o momento certo para investir?

É uma excelente pergunta, mas só você pode responder quando e quanto quer investir. Analisando o mercado atual, o Bitcoin e as criptomoedas estão subindo muito em valor, por isso quanto mais cedo melhor porque, num mercado em alta valorização como este, é sempre bom entrar o mais depressa possível para aproveitar a curva ascendente de um negócio. De certa forma, o trading de Bitcoin é bem semelhante a investir na bolsa de valores porque você tem um rácio de risco e ganho atrativo e com a ajuda de plataformas de trading como o Immediate Edge, seu investimento se torna mais estável.

O Immediate Edge é bom mesmo?

Você mesmo pode fazer uma pesquisa na internet e encontrar muitos sites de trading, mas é sempre difícil, sem o treino certo, saber qual deles é realmente honesto. Vale a pena falar do Immediate Edge por estes motivos:

Focado na segurança

Nos dias de hoje, e depois do susto que a pandemia de 2020 deu para a gente, o que mais queremos é sentir segurança. O Immediate Edge tem como missão ajudar você a investir de forma confiante em trading de Bitcoin e criptomoedas. Para isso, a Immediate Edge comprou um software de encriptação de última geração para evitar que a sua informação pessoal e investimento corram perigo.

É bem simples

Bitcoin e criptomoedas podem parecer áreas muito difíceis de compreender e, por isso, passar a investir, por isso o Immediate Edge projetou tudo para que você consiga se cadastrar sem qualquer problema e rapidamente começar a investir o seu dinheiro nessa plataforma. O aspeto também é bem atrativo, o que facilita ainda mais a integração do usuário. Quer esteja usando o seu celular ou um desktop, a experiência será igualmente boa.

É de confiança

Muitos sites que você encontra online são pouco fidedignos e não passam de tentativas claras de enganar os usuários. A Immediate Edge por seu lado tem bases empresariais consolidadas o que faz deste serviço uma escolha legítima caso queira investir em trading.

Suporte o tempo todo

Quando você está aprendendo alguma coisa, é lógico que quer que alguém te ensine de forma bem fácil e compreensiva. O Immediate Edge proporciona algoritmos e profissionais bastante bem treinados e competentes que ajudam a tirar qualquer dúvida 24 horas por dia, sem excepção.

Gente famosa já investiu?

O mercado de Bitcoin é uma oportunidade de negócio quase sem limites, por isso mesmo, atrai grandes nomes e empresários bem influentes. É isto que eles dizem:

“O Bitcoin me intriga muito. Tem tudo para dar certo” — Paul Graham (Yahoo)

“Acredito que o Bitcoin é a primeira criptomoeda com o potencial de mudar o planeta” — Peter Thiel (Co-Fundador do PayPal)

Venha conhecer o Immediate Edge e deixe eles ajudarem a construir seu futuro.

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Criptomoedas: vantagens e desvantagens do Bitcoin e outras moedas digitais
ago 22, 2021 Ξ Leave a comment

Criptomoedas: vantagens e desvantagens do Bitcoin e outras moedas digitais

posted by Equipe da Redação

O Bitcoin, bem como outras criptomoedas, vem ficando cada vez mais famoso em todo o mundo. A popularidade é advinda da possibilidade de realizar pagamentos seguros rapidamente, sem precisar passar por intermediários.

Devido a tanta fama, é importante conhecer as principais vantagens e desvantagens em operar com criptomoedas – entendendo em detalhes como funcionam tais ativos. Acompanhe a leitura na íntegra, sabendo mais sobre o Bitcoin e outros ativos digitais.

Antes de tudo: o que são criptomoedas?

Embora seja um assunto de bastante peso em todo o globo, nem todos os brasileiros sabem, exatamente, o que são as criptomoedas. Resumidamente, uma criptomoeda se trata de uma moeda digital que é descentralizada. Tal ativo é criado a partir de uma rede avançada de criptografia, envolvendo o famoso blockchain.

Graças aos sistemas de tecnologia avançados empregados, as transações realizadas por meio de criptomoedas são totalmente seguras – tanto em termos de troca de informações transacionais quanto de dados pessoais de quem realiza as transações.

Ainda, as criptomoedas se referem a moedas descentralizadas. Ou seja: não existe nenhum governo ou órgão responsável por sua regulação, emissão, controle ou demais operações.

Onde as moedas digitais podem ser utilizadas?

Obviamente, uma moeda digital como o Bitcoin só existe na internet. Diferentemente do real ou do euro, por exemplo, as criptomoedas não podem ser tocadas – por isso são conhecidas como moedas digitais.

Graças a esse apelo digital, é comum que os criptoativos sejam utilizados para pagar por transações que são comandadas totalmente online. Basicamente, basta que o vendedor aceite Bitcoins ou outra criptomoeda para que você o pague utilizando tal moeda financeira. Portanto, pagamentos em todo o mundo podem ser realizados desta maneira.

Entretanto, ainda é válido destacar que a maioria dos estabelecimentos não aceitam criptomoedas como forma de pagamento – principalmente no Brasil. É muito mais comum que usuários brasileiros utilizem Bitcoins para depositar fundos em cassino online ou casas de apostas, por exemplo.

 

Vantagens em operar com criptomoedas

Se as criptomoedas vêm ganhando espaço e fama no mundo todo, logicamente, existem vantagens em atuar com elas. Saiba quais são os principais pontos positivos a seguir:

Alto nível de segurança

Todas as transações com criptoativos são protegidas por um sistema tecnológico de ponta, envolvendo criptografia. Com isso, o uso de criptomoedas se torna extremamente seguro, evitando qualquer tipo de fraude ou de roubo. Outra vantagem é que, além das transações, o dado do próprio usuário também fica protegido.

Descentralização

Algo que atrai muitas pessoas a lidar com Bitcoins é a questão da descentralização. Já que entidades bancárias ou governamentais não regulam o serviço, não é necessário que as moedas passem por intermediários para concretizar um pagamento.

Redução de tarifas

Há quem se sinta atraído a operar com criptomoedas devido às tarifas baixas – principalmente quem lida com taxas abusivas ao ter que realizar envios internacionais, por exemplo. Como o sistema de Bitcoins e outras criptomoedas não envolve instituições intermediárias, os custos das transações tendem a ser muito mais baixos. Em comparação com o cartão de crédito, a economia, muitas vezes, pode chegar até 5%.

Acessibilidade e rapidez para todos os usuários

Os proprietários das criptomoedas são os próprios gerenciadores de tais ativos. Como não precisam passar por terceiros, a velocidade das transferências é muito mais rápida do que em operações regulares. Além disso, o processo pode ser acessado e monitorado a qualquer momento – sem depender de horários ou dias úteis para operar.

O lado negativo dos criptoativos: principais desvantagens

Apesar de ser extremamente vantajosa, uma criptomoeda também pode apresentar algumas desvantagens. Confira-as a seguir:

Alta volatilidade para as moedas digitais

Toda pessoa que deseja investir na compra de Bitcoins, Ethereum, Litecoin ou qualquer outra criptomoeda precisa entender sobre a volatilidade de tais mercados. Isso porque grande parte das criptomoedas são dotadas de uma imensa volatilidade. Ou seja: seu valor pode mudar a qualquer momento, tendo pequenas ou grandes variações.

Portanto, é altamente recomendado estudar momentos de mercado ao investir em criptomoedas – evitando passar por cenários irremediáveis e frustrações.

Poucos estabelecimentos aceitam como forma de pagamento

Principalmente no Brasil, não é uma tarefa fácil encontrar estabelecimentos comerciais que aceitem Bitcoins como método convencional de pagamento. Ainda assim, eles podem ser utilizados em diversos sites de compras online internacionais, empresas inovadoras, cassinos online e casas de apostas – o que aumenta muito sua procura no mercado brasileiro.

Uso indevido dos ativos

Infelizmente, o mundo das criptomoedas é acompanhado de um lado extremamente negativo. Já que tais ativos combinam descentralização, anonimato e criptografia de ponta, há quem utilize tais benefícios de forma criminosa, para realizar lavagem de dinheiro ou atividades ilegais, por exemplo.

A ausência da benéfica política de reembolso

Em formas de pagamento convencionais, como transferências bancárias, existe toda uma política de reembolso e estornos que pode ser aplicada por trás das operações. No entanto, isso não é válido para o universo das criptomoedas.

O que isso significa? Caso você realize alguma transferência por engano, não é possível ressarcir o valor enviado ao outro usuário. Portanto, é necessário tomar cuidado com transferências e possíveis fraudes.

O entendimento do mercado não é tão fácil quanto parece

Embora pareça simples comprar e utilizar Bitcoins na internet, por exemplo, os usuários de criptomoedas devem estar atentos o tempo todo. Como o mercado envolve alta volatilidade, é preciso estudá-lo para garantir melhores desfechos com o dinheiro investido.

Além disso, já que as criptomoedas envolvem ciência da computação, é preciso entender os termos envolvidos com o seu funcionamento. Por isso, se decidir atuar com tais moedas digitais, dedique tempo e esforço para conhecê-las o máximo que puder, aproveitando das suas vantagens.

Carreira

Dicas e truques para se proteger quando apostando online
ago 14, 2021 Ξ Leave a comment

Dicas e truques para se proteger quando apostando online

posted by Augusto Vespermann

  • Este conteúdo é patrocinado.

Quando as pessoas falam em apostar, cassinos, Las Vegas e baralhos, sempre se nota aquela nuvem negra que permeia a conversa. O risco de viciar em jogo de apostas é sempre esse asterisco que aparece em cada conversa sobre esse tema. 

De fato, é fundamental se preocupar com este aspecto quando se começa a apostar em cassinos online ou até mesmo físicos. Falando especificamente sobre cassinos online, existe um tema do qual ainda é falado sobre muito pouco: segurança e confiabilidade.

Em um estabelecimento real, não há muita preocupação se o seu dinheiro estará seguro quando depositado ou se suas apostas estão sendo computadas de forma justa. Todos estes cassinos operam com licenças sólidas e meticulosas. Mas, e em cassinos online? Como o jogador inexperiente pode se proteger? Continue lendo para entender formas de se proteger contra cassinos não-confiáveis, hackers, malwares e muitos outros.

Reputação é tudo

O primeiro aspecto que o jogador precisa analisar sobre um cassino em potencial é sua reputação dentro da comunidade de cassinos e apostas online. Existem centenas de fóruns  e blogs que amam comentar e criticar os cassinos que frequentam. 

Jogadores costumam comentar sobre suas frustrações e admirações ao acessarem cassinos online. Somado a isso, sites de análise de cassinos são muito fáceis de encontrar, e oferecem uma perspectiva mais técnica e aprofundada sobre seu site preferido.

É crucial realizar pesquisas adequadas ao procurar um site de apostas esportivas confiável, onde você possa jogar todas as suas previsões para o futebol com facilidade.

Licenças e Segurança

Licenças, confiabilidade e segurança são tudo hoje no mundo das apostas online. Uma rápida pesquisa no Google lhe mostrará várias licenças internacionais para cassinos online. Dentre eles, a Malta Gaming Authority e a UK Gambling Commission oferecem um status de segurança padrão na indústria.

Portanto, ao acessar um site novo, procure por suas licenças e habilitações. Seu banco lhe agradecerá depois!

Senhas fortes

Você, assim como eu, com certeza já deve ter usado seu nome nas senhas dos seus dispositivos e contas de email. Todo mundo já fez isso, uma vez ou outra.

Este é um dos erros mais comuns quando criando uma conta em qualquer site na internet, não apenas em cassinos. Para evitar futuros problemas, evite usar seu nome, sobrenome, ano de nascimento, apelido ou qualquer outra informação relevante em suas senhas. Use caracteres aleatórios, números e palavras de fácil lembrança, mas que não comprometam a segurança da sua conta.

Use criptomoedas

Sim, você leu corretamente! Atualmente, cada vez mais cassinos têm aceitado criptomoedas como forma de pagamento. Você pode usar Bitcoin, Ethereum e Litecoin para realizar suas transferências.

Criptomoedas impedem que suas informações pessoais sejam rastreadas e roubadas, como costuma acontecer com cartões de crédito ou débito. Além disso, a compra e venda de criptomoedas tem se tornado cada vez mais fácil, em plataformas como a Coinbase ou Binance.

Direito & Tecnologia

Moedas digitais: alguns apontamentos jurídicos e gerais
maio 8, 2018 Ξ Leave a comment

Moedas digitais: alguns apontamentos jurídicos e gerais

posted by Adriano Augusto Fidalgo

Figura - Moedas digitais: alguns apontamentos jurídicos e geraisFIDALGO, Adriano Augusto[1]

Um dos assuntos do momento em Direito Digital são as Moedas Digitais. É um grande desafio se escrever sobre um tema ainda em ebulição e que sofre mutações diárias[2], mas se buscará alguns apontamentos que, decerto, não esgotam o tema, mas, dão alguns contornos jurídicos do que se tem até o momento sobre a referida temática. Deste modo, este artigo tem mais caráter compiltório do que a pretensão de apontar algum norte para a temática, eis que, pela própria dinâmica da temática se trata se algo em construção.

Bem direto ao assunto, os pontos a serem abordados neste sucinto informativo serão: 1) Regime Jurídico; 2) Criminalização; 3) Banco Central do Brasil; 4) Comissão de Valores Mobiliários; 5) Pornografia; 6) Criptomoedas e cibercrimes; 7) Penhora de Bitcoin; 8) Outros países; 9) Projeto de lei; 10) Receita Federal; Conclusões.

1) Regime Jurídico

Conforme destacado por Margarido[3] (2017):

O bitcoin e outros criptoprotocolos têm natureza jurídica de tecnologia (software open source). Juridicamente, não são moeda e suas aplicações nem sempre possuem valor intrínseco: vão desde ativo financeiro até os chamados contratos inteligentes (smart contracts) e aplicações em internet das coisas (IoT). Alguns desses usos possuem regulações específicas e exatamente por isso seria dispensável um tratamento específico às mesmas aplicações envolvendo criptomoedas.

É imprescindível que legisladores e aplicadores do direito entendam que identificar a substância das aplicações e acessar o “espírito” da legislação vigente são mais salutares para definir o tratamento legal de novas aplicações tecnológicas, pois é impossível que lei acompanhe essas evoluções.

Do contrário, continuarão tentativas de definir novas tecnologias com naturezas já existentes e aplicar-lhes regimes jurídicos inapropriados. E o resultado poderá ser mais desastroso que uma imprecisão terminológica: o mercado brasileiro poderá ser (novamente) colocado na contramão do progresso tecnológico.

Pelo apresentado, não há um regime jurídico próprio, eis que aguarda para que se tenha regulamentação própria ou não, de modo que a solução de eventuais problemas se dará com base em diplomas legais já existentes.

2) Criminalização

A verificação de sua ilegalidade é afastada, de acordo com os apontamentos de doutrinadores de direito digital[4] (SANTOS; CRESPO, 2017), assim exposto:

Grandes empresas no mundo já estão aceitando criptomoedas como forma de pagamento, embora alguns ainda questionem a licitude de sua utilização. Quanto a isso, não se pode dizer que sua criação (mineração) ou utilização, de per si, constituam crimes tendo-se em vista que não se subsumem a condutas insculpidas no código penal ou na legislação extravagente. Isso porque as moedas digitais não representam falsificação de moeda metálica ou papel moeda nos termos do art. 289, não sendo possível formar, com elas, os documentos previstos no art. 290 e art. 292, além de que os equipamentos destinados à mineração não constituem os petrechos para a falsificação de moeda.

3) Banco Central do Brasil (BACEN)

A situação das moedas digitais, tratata como moedas virtuais pelo Banco Central do Brasil, pelo Comunicado 31.379/17[5], destacou, em suma, a sua falta de lastro, a sua falta de regulação, a sua não equiparação com as moeda eletrônicas disciplinadas pela Lei 12.865/13 e, por fim, alerta sobre os riscos do seu uso. Vale copiar na íntegra que é autoexplicativo também sobre outros aspectos, além dos aqui destacados:

COMUNICADO Nº 31.379, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2017

Alerta sobre os riscos decorrentes de operações de guarda e negociação das denominadas moedas virtuais.

Considerando o crescente interesse dos agentes econômicos (sociedade e instituições) nas denominadas moedas virtuais, o Banco Central do Brasil alerta que estas não são emitidas nem garantidas por qualquer autoridade monetária, por isso não têm garantia de conversão para moedas soberanas, e tampouco são lastreadas em ativo real de qualquer espécie, ficando todo o risco com os detentores. Seu valor decorre exclusivamente da confiança conferida pelos indivíduos ao seu emissor.

2. A compra e a guarda das denominadas moedas virtuais com finalidade especulativa estão sujeitas a riscos imponderáveis, incluindo, nesse caso, a possibilidade de perda de todo o capital investido, além da típica variação de seu preço. O armazenamento das moedas virtuais também apresenta o risco de o detentor desses ativos sofrer perdas patrimoniais.

3. Destaca-se que as moedas virtuais, se utilizadas em atividades ilícitas, podem expor seus detentores a investigações conduzidas pelas autoridades públicas visando a apurar as responsabilidades penais e administrativas.

4. As empresas que negociam ou guardam as chamadas moedas virtuais em nome dos usuários, pessoas naturais ou jurídicas, não são reguladas, autorizadas ou supervisionadas pelo Banco Central do Brasil. Não há, no arcabouço legal e regulatório relacionado com o Sistema Financeiro Nacional, dispositivo específico sobre moedas virtuais. O Banco Central do Brasil, particularmente, não regula nem supervisiona operações com moedas virtuais.

5. A denominada moeda virtual não se confunde com a definição de moeda eletrônica de que trata a Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, e sua regulamentação por meio de atos normativos editados pelo Banco Central do Brasil, conforme diretrizes do Conselho Monetário Nacional. Nos termos da definição constante nesse arcabouço regulatório consideram-se moeda eletrônica “os recursos em reais armazenados em dispositivo ou sistema eletrônico que permitem ao usuário final efetuar transação de pagamento”. Moeda eletrônica, portanto, é um modo de expressão de créditos denominados em reais. Por sua vez, as chamadas moedas virtuais não são referenciadas em reais ou em outras moedas estabelecidas por governos soberanos.

6. É importante ressaltar que as operações com moedas virtuais e com outros instrumentos conexos que impliquem transferências internacionais referenciadas em moedas estrangeiras não afastam a obrigatoriedade de se observar as normas cambiais, em especial a realização de transações exclusivamente por meio de instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil a operar no mercado de câmbio.

7. Embora as moedas virtuais tenham sido tema de debate internacional e de manifestações de autoridades monetárias e de outras autoridades públicas, não foi identificada, até a presente data, pelos organismos internacionais, a necessidade de regulamentação desses ativos. No Brasil, por enquanto, não se observam riscos relevantes para o Sistema Financeiro Nacional. Contudo, o Banco Central do Brasil permanece atento à evolução do uso das moedas virtuais, bem como acompanha as discussões nos foros internacionais sobre a matéria para fins de adoção de eventuais medidas, se for o caso, observadas as atribuições dos órgãos e das entidades competentes.

8. Por fim, o Banco Central do Brasil afirma seu compromisso de apoiar as inovações financeiras, inclusive as baseadas em novas tecnologias que tornem o sistema financeiro mais seguro e eficiente.

4) Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

A Comissão de Valores Mobiliários tratou de modo conservador do assunto, denominando as moedas digitais como criptomoedas. Alguns elogiando[6] e outros criticando[7]. Veja os termos do Ofício Circular 1/2018/CVM/SIN[8], a saber:

Prezados Senhores, Fazemos referência aos comunicados realizados pela CVM em 11/10/2017 e 16/11/2017, relacionados às operações de Initial Coin Offerings (“ICO”), e a consultas, efetuadas por diversos participantes de mercado, acerca de possibilidade de investimento, pelos fundos de investimento regulados pela Instrução CVM nº 555/14, nas atualmente denominadas “criptomoedas”. Como sabido, tanto no Brasil quanto em outras jurisdições ainda tem se discutido a natureza jurídica e econômica dessas modalidades de investimento, sem que se tenha, em especial no mercado e regulação domésticos, se chegado a uma conclusão sobre tal conceituação. Assim e baseado em dita indefinição, a interpretação desta área técnica é a de que as criptomoedas não podem ser qualificadas como ativos financeiros, para os efeitos do disposto no artigo 2º, V, da Instrução CVM nº 555/14, e por essa razão, sua aquisição direta pelos fundos de investimento ali regulados não é permitida. Outras consultas também têm chegado à CVM com a indagação quanto à possibilidade de que sejam constituídos fundos de investimento no Brasil com o propósito específico de investir em outros veículos, constituídos em jurisdições onde eles sejam admitidos e regulamentados, e que por sua vez tenham por estratégia o investimento em criptomoedas. Ou, ainda, em derivativos admitidos à negociação em ambientes regulamentados de outras jurisdições.

Entretanto, não custa repisar, mais uma vez, que as discussões existentes sobre o investimento em criptomoedas, seja diretamente pelos fundos ou de outras formas, ainda se encontram em patamar bastante incipiente, e convivem, inclusive, com Projeto de Lei em curso, de nº 2.303/2015, que pode vir a impedir, restringir ou mesmo criminalizar a negociação de tais modalidades de investimento. Assim, no entendimento da área técnica é inegável que, em relação a tal investimento, há ainda muitos outros riscos associados a sua própria natureza (como riscos de ordem de segurança cibernética e particulares de custódia), ou mesmo ligados à legalidade futura de sua aquisição ou negociação. Dessa forma, esta Superintendência informa que todas essas variáveis vêm sendo levadas em consideração na avaliação da possibilidade de constituição e estruturação do investimento indireto em criptomoedas, sem que se tenha chegado, ainda, a uma conclusão a respeito dessa possibilidade. Por fim, diante dessas circunstâncias, julgamos conveniente que os administradores e gestores de fundos de investimento aguardem manifestação posterior e mais conclusiva desta superintendência sobre o tema para que estruturem o investimento indireto em criptomoedas conforme descrito, ou mesmo em outras formas alternativas que busquem essa natureza de exposição a risco.

5) Pornografia

Segundo notícia veiculada no portal Canaltech[9]: “Um grupo de pesquisadores da Alemanha localizou uma série de conteúdo relacionado à pornografia infantil na blockchain das bitcoins. De acordo com um estudo publicado nesta semana, links para download de vídeos envolvendo atos sexuais com menores, bem como uma imagem que parece ser de uma adolescente nua, foram encontrados na arquitetura que permite o funcionamento da modalidade financeira.”

6) Criptomoedas e Cibercrimes

A criptomoedas não são um mal em si, mas, com certeza terão impacto nas ligações medeadas com o cibercrime, como destacado por Rohr (2017) [10]: “Não é por acaso que as criptomoedas foram rapidamente adotadas pelo comércio ilegal, desde sites como o “Silk Road” (que ficou notório por intermediar o tráfico de drogas), até vírus de resgate. É evidentemente falso afirmar que irregularidades não ocorrem fora das criptomoedas, mas a questão não é essa.”

O que já foi confirmado por desdobramento da Lava Jato, como sendo o primeiro esquema de lavagem de dinheiro usando bitcoin[11]:

Deflagrada na manhã de hoje (13), a Operação Pão Nosso, da Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro, encontrou provas de que um esquema de lavagem de dinheiro estava começando a utilizar Bitcoin para esconder valores desviados dos cofres públicos. O esquema funcionava na secretaria de administração penitenciária do RJ, através de um contrato para fornecimento de pães para os presos em penitenciárias do estado.

Luiz Henrique Casemiro, superintendente adjunto da Receita Federal no Rio, deu entrevista coletiva junto com a PF na manhã de hoje e explicou que o uso de Bitcoin para lavagem de dinheiro nesse esquema de corrupção pode ser encarado como um teste por parte dos criminosos. Segundo ele, dos R$ 73 milhões desviados com o contrato de fornecimento de pães, apenas R$ 300 mil foram transformados em Bitcoin. A intenção dos criminosos seria recuperar o dinheiro no exterior, uma vez que a criptomoeda é quase sempre impossível de rastrear e não é regulada na maior parte dos países.

7) Penhora de Bitcoin

Conforme recente decisão do TJ/SP, noticiada pelo portal Migalhas[12]:

Por se tratar de bem imaterial com conteúdo patrimonial, em tese, não há óbice para que a moeda virtual possa ser penhorada para garantir a execução.

O entendimento acima consta em acórdão da 36ª câmara de Direito Privado do TJ/SP ao analisar agravo de instrumento interposto contra decisão que, em ação de execução, indeferiu pedido de penhora de moeda virtual (bitcoin).

No caso concreto, contudo, o relator Milton Paulo de Carvalho Filho negou provimento ao agravo. Isso porque, conforme explicou, o pedido formulado foi genérico, na medida em que não apresentou sequer indícios de que os agravados tenham investimentos em bitcoins ou, de qualquer outra forma, sejam titulares de bens dessa natureza, tampouco evidenciado que os executados utilizam moedas virtuais em suas atividades.

‘Competia à agravante comprovar a existência dos bens que pretende penhorar, uma vez que não se pode admitir o envio indiscriminado de ofícios sem a presença de indícios mínimos de que os executados sejam titulares dos bens.’

Conforme o relator, caberia ao exequente comprovar a eficácia da medida pretendida e indícios da existência dos bens, o que não ficou demonstrado no caso.

8) Outros países

Japão Regulamenta exchanges[13]:

O bitcoin é uma criptomoeda aceita em diversas lojas – até no eBay – e já é considerada uma forma de pagamento legal no Japão e Rússia. Ela não é regulamentada por bancos convencionais e nem regida por governos. As exchanges são as responsáveis por concentrar as ofertas de compra e venda das criptomoedas e realizar as transações.

Por ser inovadora, a moeda gera opiniões controversas em todo o mundo. Mas nesta sexta-feira, o Japão deu um passo à frente para a aceitação e adoção no longo prazo: regulamentou 11 exchanges de criptomoedas no país.

A regulamentação, realizada pela Agência de Serviços Financeiros do Japão, força as exchanges a obedecerem a requisitos básicos de segurança financeira – como a implementação de medidas para evitar a lavagem de dinheiro. A moeda é uma forma de pagamento legal no país desde abril deste ano.

Isso é excelente para moeda, mitigando os efeitos da China. O gigante asiático possui planos de reprimir as exchanges. No dia 4 de setembro, o país baniu ofertas iniciais de criptomoedas, proibindo uma das formas de rendimento com moedas virtuais. Desde então, há relatos de repressão às exchanges – e a Coreia do Sul seguiu este exemplo, também banindo ofertas iniciais (ICOs).

Venezuela lastreia em petróleo[14]:

No dia 20 de março, acontecerá a oferta pública inicial de outros 44 milhões. O restante, 17,6 milhões, será reservado ao Estado. O intuito é emitir ao todo 100 milhões dessas moedas.

O documento que descreve as regras da criptmoeda venezuelana estabeleceu em US$ 60 o “preço de venda de referência”, equivalente ao preço de um barril de petróleo venezuelano — cujas reservas respaldarão a moeda — em meados de janeiro.

9) Projeto de lei

Traz-se aqui a colação alguns apontamentos sobre a legislação efetivados por Franco e Lima Neto (2018)[15]:

A pergunta se justifica porque são [ainda] poucos os trabalhos acadêmicos que discutem ascriptomoedas no Brasil, principalmente no ambiente jurídico. É bem verdade que já tramita no congresso, desde 2015, o Projeto de Lei nº 2.3038 que visa a regulamentar o tratamento jurídico desse fenômeno tecnológico e econômico. Do mesmo modo, a Comissão de Valores Mobiliários se dispôs a regular o assunto em duas oportunidades: primo por meio de uma Nota técnica lançada em 2017 para orientar a ICO, i.e., a oferta inicial de moeda (Initial Coin Offering) e; secundo, já em 2018, através de um Ofício que indicou a vedação de que fundos de investimento privados adquirissem criptomoedas, o que se justificou pela conclusão da CVM de que as virtual currency não podem ser qualificadas como ativos financeiros.

Aliás, esse último Ofício mencionado (da Superintendência de Relações com Investidores Institucionais da CVM) reforça a importância de iniciativas que se disponham a entender a natureza jurídica das criptomoedas, tendo em vista que “tanto no Brasil quanto em outras jurisdições ainda tem se discutido a natureza jurídica e econômica dessas modalidades de investimento, sem que se tenha, em especial no mercado e regulação domésticos” concluído coisa alguma.

Da leitura conjunta dessas duas iniciativas, vê-se uma tentativa de que o Bitcoin e as demais criptomoedas sejam encaradas como arranjos de pagamento, sendo equiparadas, por expressa dicção do Projeto, à programas de milhagens aéreas. Assim depreendemos porque o propósito desse Projeto de Lei é dispor “sobre a inclusão das moedas virtuais e programas de milhagem aéreas na definição de ‘arranjos de pagamento’ sob a supervisão do Banco Central”, conforme se vê nos arts. 1 e 2º do mesmo PL, que pretendem alterar o art. 9º, I, da Lei nº 12.865/13 e o art. 11, § 4º, da Lei nº 9.613. Busca-se, portanto, categorizar as operações que envolvam moedas virtuais criptografadas e programas de milhagens aéreas como arranjos de pagamento.

Ousamos, contudo, discordar desse entendimento.

É que, por mais que seja valorosa a postura de tentar trazer luzes para o tema e sedimentar suas bases legais, nos parece que tal conceituação não assimila a completude e complexidade desses novos paradigmas tecnológicos. Reconhecemos que a inspiração do art. 2º do PL 2.303 vem do relatório especial do Banco Central Europeu de 2012, mas, em nossa visão, essa classificação desconsidera alguns aspectos relevantes que, acaso considerados, não conduziriam à percepção a nosso ver impertinente das criptomoeda como uma espécie de crédito em uma loja virtual.

10) Receita Federal

A situação tem importância até para fins de declaração de imposto de renda, de modo que as moedas digitais devem constar nas declarações, conforme destacado[16]:

A temporada de declaração do Imposto de Renda (IR) 2018 já começou — ela foi aberta no dia 1º de março e será finalizada em 30 de abril. Porém, neste ano, os contribuintes precisam prestar atenção a mais um detalhe na hora de prestar suas contas ao Fisco: a partir de agora, também é necessário declarar posse ou lucros obtidos com a venda de bitcoins ou quaisquer outras moedas virtuais, incluindo ethereum, litecoins ou monero.

Ao portal G1, o supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, afirmou que só estão obrigados a declarar rendimentos com moedas virtuais os indivíduos que possuíam mais de R$ 5 mil nesse formato até 31 de dezembro de 2017, ou quem lucrou mais de R$ 35 mil com a comercialização dessas criptomoedas ao longo do ano passado. Elas devem ser declaradas na aba “Bens e Direitos”, a mesma usada para automóveis e imóveis.

11) Conclusões

Em suma, verifica-se que o tema bitcoin é intrincado. Não há legislação específica sobre o assunto, de modo que, muitos argumentam que inclusive isso engessaria esse tipo de tecnologia e a sua usuabilidade perante o mercado.

Banco Central e Comissão de Valores Imobiliários preferiram não regulamentar o setor, porém deixando claro que não se trata de moeda formalmente, carregando por sua própria natureza riscos tecnológicos e jurídicos.

Entende-se que a criminalização também não é um caminho viável, dado o enorme gasto de recursos que exigiria da estrutura estatal, Executivo e Judiciário, em situações de difícil apuração em sede de persecução penal, ou seja, buscando elucidar e culpar alguém, notadamente considerando as questões de criptografia e blockchain envolvidas.

Desta forma, o campo das criptomoedas se mostra um terren movediço e perigoso, notadamente para amadores e incautos que buscam um lucro rápido, sem ciência dos enormes riscos envolvidos, conforme dão conta os materias aqui organizados, além de demais notícias que inclusive dão conta de golpes nesta área de criptomoedas.

[1] Advogado. Presidente da Comissão de Direito Digital e Compliance da Subseção de Santana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Santana). Especialista em Computação Forense pela Universidade Mackenzie. Mestrando em Educação pela Universidade Nove de Julho. Autor do Livro: “Reputação Digital no Facebook, Sustentabilidade Empresarial e o Consumidor: Direito Digital”, lançado pela Amazon. Contato: fidalgo@aasp.org.br.

[2] Vale a pena reproduzir texto de Loureiro (2017) que, mesmo que já desatualizado, responde dez dúvidas comuns sobre Bitcoins:

“Com as recentes altas da bitcoin, a moeda criptografada nunca esteve tão valorizada e em evidência como nos últimos dias. Contudo, se você não está por dentro da tecnologia, o Olhar Digital preparou um guia com as 10 perguntas e respostas mais comuns envolvendo a moeda. Confira:

  1. A bitcoin é anônima?
    Veja também:Como comprar e vender BitcoinsEntenda por que a Bitcoin é a moeda favorita dos invasoresBitcoin bate novo recorde e supera os R$ 5,8 milApesar de oferecer um grande nível de privacidade, a bitcoin não é anônima e pode sim ser rastreada. Todas as transações ficam registradas em uma extensa lista de dados pública.
  2. Qualquer pessoa pode comprar bitcoin?
    Sim. Não há qualquer restrição. Você só precisa seguir os passos de cada site que realiza o serviço e arcar com as tarifas estipuladas por eles. Este tutorial ensina como comprar a moeda na página Mercado Bitcoin.
  3. Quanto vale uma bitcoin?
    A bitcoin vive a melhor fase de sua história. No momento da publicação desta reportagem, ela está avaliada em US$ 1.925,47 (cerca de R$ 6.400, na cotação atual). O valor máximo registrado pela moeda, segundo dados do Poloniex, foi de US$ 1.940,88.
  4. É segura?
    Isso varia. Em tese, a bitcoin é segura e o seu dinheiro está protegido no ambiente digital. No entanto, você precisa tomar algumas precauções, como manter suas senhas bem protegidas e não cair em golpes da internet.
  5. É comum ver hackers chantageando usuários em troca de bitcoins. Por quê?
    Como dito acima, a bitcoin é uma das formas mais seguras e confidenciais de realizar uma transação financeira. Apesar de ser rastreável, é possível utilizar identidades falsas para fazer a compra de moedas digitais, algo que não é possível com transações envolvendo dólares, por exemplo.
  6. O que é mineração?
    Diferentemente do dinheiro real, que é impresso em papel moeda, a bitcoin nasce a partir da mineração. Os mineradores ajudam a rede a manter a segurança das transações e são recompensados por isso em bitcoins. Funciona como um datacenter descentralizado. Minerar, no entanto, não é nada fácil e exige um alto gasto de energia elétrica.
  7. Quem inventou a bitcoin?
    Sabe-se que o codinome do pai da moeda é Satoshi Nakamoto. No entanto, não há informações concretas sobre quem realmente é essa pessoa. Em 2016, o australiano Craig Wright disse possuir provas de que teria sido ele, usando o pseudônimo, quem criou a moeda digital. Semanas depois, mudou de ideia e disse que não iria provar tais afirmações.
  8. Existem outras moedas digitais além da bitcoin?
    Sim e uma grande quantidade delas, cada uma com suas características. Atualmente, as moedas mais conhecidas além da bitcoin são ethereum, dash, monero, litecoin e syscoin. O valor delas, no entanto, ainda está bem longe da bitcoin. A mais valorizada é a ethereum, que vale US$ 97,12 (cerca de R$ 315,40).
  9. Preciso declarar no Imposto de Renda?
    Sim. Mesmo que o Brasil não considere bitcoin oficialmente uma moeda, se você possui algumas unidades guardadas, terá de informar à Receita Federal e, talvez, pagar imposto por isso. Para a Receita, a bitcoin é um ativo financeiro passível de tributação e deve ser incluída na categoria “Outros” da declaração.
  10. Posso comprar produtos e serviços utilizando bitcoin?
    Sim. Atualmente, há uma grande quantidade de produtos e serviços que podem ser adquiridos mediante pagamento em bitcoin. No Japão, por exemplo, estava sendo estudada a possibilidade de pagar contas de luz usando a moeda digital. No Brasil, é possível ver os estabelecimentos que aceitam a moeda digital usando este mapa.”

(LOUREIRO, Rodrigo. Bitcoin: tudo o que você sempre quis saber, mas tinha vergonha de perguntar. OLHAR DIGITAL. Atualizado em: 18/05/17. Disponível em: https://olhardigital.com.br/dicas_e_tutoriais/noticia/bitcoin-tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-mas-tinha-vergonha-de-perguntar/68388. Acesso em: 03/04/18).

[3] MARGARIDO, Helena. Regime jurídico das moedas digitais no brasil. ESTADÃO. Atualizado em: 04/08/17. Disponível em: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/regime-juridico-das-moedas-digitais-no-brasil/. Acesso em: 01/04/18.

[4] SANTOS, Coriolano Aurélio de; CRESPO, Marcelo. Criptomoedas:você ainda vai usá-las. MIGALHAS. Atualizado em: 11/12/15. Disponível em: http://www.migalhas.com.br/DireitoDigital/105,MI231362,41046-Criptomoedas+voce+ainda+vai+usalas. Acesso em: 01/04/18.

[5] COMUNICADO Nº 31.379, de 16/11/2017. Banco Central do Brasil. Disponível em: http://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/normativo.asp?numero=31379&tipo=Comunicado&data=16/11/2017. Acesso em: 01/04/18.

[6] Em conclusão opinou Derbli:

“Já parece claro, de todo modo, que é necessário cuidar de uma repartição isonômica de custos/riscos entre os vários agentes, de adequada disseminação de informações e de racionalização para a eficiência de um segmento cujos custos de transação – aqui cogitados de forma bem superficial e exemplificativa – podem limitar os ganhos de escala. São alguns dos fundamentos identificáveis para que se conclua pela importância de alguma regulação. E como seria tal regulação? A ver. Eis um campo fértil para o implemento de uma análise de impacto regulatório, em que se procure avaliar os potenciais custos e benefícios de dos possíveis marcos regulatórios e, naturalmente, que se prossiga no acompanhamento permanente da (in)eficiência do modelo que vier a ser adotado, com as inevitáveis correções de curso.”

(DERBLI, Felipe. CVM e criptomoedas: prudência ante a euforia. JOTA. Atualizado em: 31/01/18. Disponível em: https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/cvm-e-criptomoedas-prudencia-ante-euforia-31012018. Acesso em: 01/04/18.)

[7] Defendem os autores que:

“Valendo-se de uma análise econômica e consequencialista, pode-se prever que a decisão da CVM vedando o investimento direto de fundos em criptomoedas tenderá a criar mais custos de transação para o mercado. Afinal, conforme ensinam Easterbrook e Fischel, se a estrutura jurídica for dogmaticamente pensada, sem qualquer sensibilidade à realidade, os agentes econômicos não a utilizarão, surgindo ao menos duas consequências: abandono da atividade econômica por falta de uma estrutura jurídica adequada; ou criação de uma estrutura jurídica muito mais complexa e, deste modo, mais custosa, para se chegar ao mesmo objetivo.

Dificilmente os interessados em investir em criptomoedas deixarão de fazê-lo por conta da edição do ofício em questão, pela CVM. Muito provavelmente, os investidores optarão por contratar uma criativa assessoria jurídica que contorne a vedação de investimento direto via fundos, mas que possibilite estruturas indiretas, engenhosas e complexas, para se chegar ao mesmo objetivo final. Isso tudo, em última análise, poderá gerar mais custos de transação e dificuldades justamente para aquele que a CVM se propõe a tutelar: o investidor. A ver as cenas dos próximos capítulos! ”

(ARRUDA, Daniel Sivieri; DUFLOTH, Rodrigo; SINAY, Rafael. CVM proíbe fundos de investirem diretamente em criptomoedas. JOTA. Atualizado em: 18/01/18. Disponível em: https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/cvm-proibe-fundos-de-investirem-diretamente-em-criptomoedas-18012018. Acesso em: 01/04/18.)

[8] OFICIO CIRCULAR Nº 1/2018/CVM/SIN, de 12/01/2018. Comissão de Valores Mobiliários. Disponível em: http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/oficios-circulares/sin/anexos/oc-sin-0118.pdf. Acesso em: 01/04/18.

[9] DEMARTINI, Felipe. Pesquisadores encontram pornografia infantil na blockchain das bitcoins. CANALTECH. Atualizado em: 21/03/18. Disponível em: https://canaltech.com.br/criptomoedas/pesquisadores-encontram-pornografia-infantil-na-blockchain-das-bitcoins-110358/. Acesso em: 01/04/18.

[10] ROHR, Altieres. Rumo das criptomoedas também terá impacto no cibercrime em 2018. G1. Atualizado em: 30/12/17. Disponível em: http://g1.globo.com/tecnologia/blog/seguranca-digital/post/rumo-das-criptomoedas-tambem-tera-impacto-no-cibercrime-em-2018.html. Acesso em: 03/04/18.

[11] MÜLLER, Leonardo. PF descobre 1º esquema de lavagem de dinheiro envolvendo Bitcoin no Brasil. TECMUNDO. Atualizado em: 13/03/18. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/mercado/128146-pf-descobre-1-esquema-lavagem-dinheiro-envolvendo-bitcoin-brasil.htm

[12] MIGALHAS. Penhora de bitcoin para garantia de execução é possível. MIGALHAS. Atualizado em: 19/01/18. Disponível em: http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI272773,71043-Penhora+de+bitcoin+para+garantia+de+execucao+e+possivel. Acesso em: 03/04/18.

[13] FREITAS, Tainá. Golaço para o Bitcoin: Japão regulamenta positivamente exchanges de criptomoedas. STARTSE. Atualizado em: 29/09/17. Disponível em: https://conteudo.startse.com.br/mercado/taina/golaco-para-o-bitcoin-japao-regulamenta-positivamente-exchanges-de-criptomoedas/ Acesso em: 06/05/18.

[14] PRESSE, France. Venezuela inicia a pré-venda da Petro, moeda virtual similar ao bitcoin. G1. Atualizado em: 20/02/18. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/venezuela-inicia-a-pre-venda-da-petro-moeda-virtual-similar-ao-bitcoin.ghtml Acesso em: 06/05/18.

[15] FRANCO, Paulo Fernando de Mello; LIMA NETO, Oswaldo Perdigão de. Afinal, o que é um bitcoin para o Direito? JOTA. Atualizado em: 20/02/18. Disponível em: https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/afinal-o-que-e-um-bitcoin-para-o-direito-26032018. Acesso em: 06/05/18.

[16] SOUZA, Ramon de. Imposto de Renda 2018 exige declaração de bitcoins e outras criptomoedas. CANLATECH. Atualizado em: 06/03/18. Disponível em: https://canaltech.com.br/governo/imposto-de-renda-2018-exige-declaracao-de-bitcoins-e-outras-criptomoedas-109422/. Acesso em: 06/05/18.

Fujitsu desenvolve tecnologia para verificar riscos de blockchain
mar 19, 2018 Ξ Leave a comment

Fujitsu desenvolve tecnologia para verificar riscos de blockchain

posted by Fujitsu

Figura - Fujitsu desenvolve tecnologia para verificar riscos de blockchainFerramenta permite a detecção de riscos de blockchain automática e abrangente para aprimorar a segurança em contratos inteligentes

A Fujitsu Laboratories Ltd. e a Fujitsu Research and Development Center Co., Ltd. anunciam o desenvolvimento de uma tecnologia capaz de verificar antecipadamente os riscos associados a contratos inteligentes, programas conhecidos por realizar transações em plataformas de blockchain.

Os riscos em contratos inteligentes estão diretamente relacionados com prejuízos nas empresas, mas há dificuldades para melhorar a sua confiabilidade como um sistema. Desenvolvida como base para o Bitcoin, a tecnologia pode ser usada em vários segmentos que vão além do setor financeiro, como imóveis e serviços de saúde. A tecnologia também identifica localizações relevantes no código-fonte.

No desenvolvimento, foram elaborados algoritmos para identificar as sequências de transações afetadas pelo risco no Ethereum – plataforma que executa aplicativos de blockchain – com a tecnologia de execução simbólica. Por meio desses algoritmos, foi possível desenvolver uma tecnologia para detectar, de forma abrangente, seis tipos de riscos (que poderiam ser facilmente ignorados em uma revisão manual) em contratos inteligentes e, em seguida, identificar as localizações relevantes no código-fonte, permitindo o desenvolvimento de contratos inteligentes mais seguros.

Com a plataforma Ethereum, os riscos dos contratos inteligentes são agrupados em seis categorias. No entanto, as tecnologias anteriores usadas para detectar antecipadamente os riscos, não conseguiam detectar os diferentes tipos de ameaças pois não podiam rastrear as informações internas das transações. Para autenticar ligações de origem por meio de ligações indiretas por meio de vários contratos inteligentes, é preciso mudar a informação na ligação de origem da transação devido a uma especificação do Ethereum, que pode ser explorada para evadir a autenticação de forma ilícita.

A Fujitsu Laboratories e a Fujitsu Research and Development Center desenvolveram, então, tecnologias para detectar automaticamente os riscos em contratos inteligentes no Ethereum (riscos estes que não podiam ser detectados antes) e também identificar as localizações relevantes no código-fonte.

Alguns detalhes da tecnologia:

1. Detecta riscos de contratos inteligentes com tecnologia de execução simbólica

Foi desenvolvido um algoritmo capaz de identificar, de forma abrangente, falhas no código-fonte que poderiam gerar um risco, permitindo a violação das especificações de origem no Ethereum para falsificar a origem da ligação da transação. A detecção de riscos é possível por meio de uma execução simbólica que executa as transações virtualmente com diversos tipos de circunstâncias. Tudo de acordo com o código-fonte e com base tanto na sequência inadequada de processamento quanto na autenticação de regras pré-estabelecidas.

2. Identifica com precisão as localizações relevantes no código-fonte em relação aos riscos descobertos

A tecnologia identifica em qual parte do código-fonte um risco recém-descoberto se aplica com um alto nível de precisão. A ferrramenta possibilita a execução simbólica por meio da exclusão de comandos não utilizados de um arquivo de execução de depuração, anexado com informações do código-fonte, que corresponde aos arquivos de execução no Ethereum. Isso permite identificar as localizações no código-fonte correspondentes aos riscos identificados no arquivo de execução por meio da estimativa da relação correspondente entre o arquivo de execução e o de execução de depuração com informações de tipos e sequência de comandos de processamento virtualmente executados.

Resultados e Planos Futuros

Com essa tecnologia recém-desenvolvida, ambas empresas descobriram que as ferramentas anteriores de verificação tinham uma taxa de detecção de cerca de 67%, já a nova tecnologia apresenta uma taxa de 100% de detecção, com exceção de alguns itens. Em termos de apuração, a taxa de precisão chegou a 88%, ou seja, uma detecção de riscos muito precisa, assim como a identificação de localização do risco no código-fonte. Como identificação de riscos de forma excessiva é rara, essa tecnologia permitirá um desenvolvimento mais eficiente de contratos inteligentes, o que deve resultar na redução da carga de trabalho com tarefas de compreensão de especificações, avaliação do código e correção do código.

A Fujitsu Laboratories continuará com o desenvolvimento de tecnologias de verificação, não só para o Ethereum, mas também para o Hyperledger Fabric, uma implementação de uma estrutura de blockchain, e um dos projetos do Hyperledger hospedados pela The Linux Foundation, com o objetivo de comercializar esta tecnologia no ano fiscal de 2018. Além disso, a Fujitsu Laboratories não só continuará a desenvolver a tecnologia de verificação para contratos inteligentes, como também diversas tecnologias relacionadas à construção de sistemas seguros usando blockchain.

Mercado

Bitcoins são o futuro do dinheiro?
jan 9, 2018 Ξ Leave a comment

Bitcoins são o futuro do dinheiro?

posted by Renato Moreira

Bitcoins: os piratas vão salvar a humanidade dela mesmaMoeda virtual pode ser tendência no mercado

No final de 2017, estive em uma confraternização de amigos do meu sogro, um grupo no qual a média de idade é de 70 anos. Depois de algumas garrafas de vinho e muitas conversas, um dos senhores me perguntou o que era e como funcionava o Bitcoin. Sinceramente, lhe dei uma explicação bem abreviada sobre o assunto, até mesmo porque naquele momento não tinha muito conhecimento sobre a tal moeda virtual – e muita gente nem ao menos sabe o que ela é. Decidi entender um pouco mais sobre este assunto que está cada vez mais tomando a curiosidade das pessoas.

Para começar, Bitcoin é um tipo de criptomoeda e existem outras variações, como Dash, Monero, Ripple, Ethereum e Litecoin, cada uma com característica própria que as diferenciam umas das outras – o que faz muito sentido, pensando no âmbito de negociação da moeda: qual o sentido de se negociar um ativo único?

O Bitcoin foi a primeira moeda virtual, apresentada em 2008 por um programador chamado Satoshi Nakamoto, cuja identidade nunca foi comprovada. A moeda virtual significa uma disruptura no segmento financeiro tradicional, por se tratar de um ativo ou mercadoria pertencente a um sistema bancário livre, ou seja, é descentralizada e não é controlada por nenhum tipo de Banco Central.

A sua criação também não ocorre da forma tradicional, como o dinheiro que conhecemos. As criptomoedas são “mineradas” por milhares e milhares de computadores de pessoas como eu e você, conectados em uma rede específica para a criação da moeda virtual. Cada computador registrado nesta rede roda um programa com base em complexos algoritmos para a criação da criptomoeda, e quem tiver mais poder de processamento tem preferência no recebimento dos lotes para mineração. Estes lotes são gerados e distribuídos pela rede seis vezes por hora.

Quando você adquire um Bitcoin, ou fração dele, você o armazena em uma carteira virtual que é identificada por um código alfanumérico. O Bitcoin pode ser comprado e vendido em algumas plataformas, como “Mercado Bitcoin” e negociado em algumas bolsas de futuros, como em Chicago, nos EUA.

O Bitcoin já é aceito por algumas empresas como pagamento de seus produtos ou serviços. Alguns países já estão considerando regulamentar a moeda para a sua utilização de forma legal, como Japão e Rússia, e até já existem alguns terminais de autoatendimento que trocam Bitcoins por dinheiro em espécie.

Entretanto, alguns países estão cautelosos na negociação e na utilização da criptomoeda pelos riscos que apresentam, como alta volatilidade, instrumento de lavagem de dinheiro e ataques de hackers. Para garantir a segurança nas transações do Bitcoin e gerar rastreabilidade das transações, uma tecnologia está sendo utilizada, o Blockchain, um banco de dados distribuído onde cada transação é registrada em uma cadeia de blocos deste banco de dados, proporcionando confiança e garantia de que as informações não serão alteradas ou duplicadas.

Só o tempo nos mostrará se o Bitcoin realmente vai ser utilizado em larga escala em substituição às moedas tradicionais, mas uma coisa já é fato: é totalmente viável. Muitos dizem que o mercado de Bitcoin é uma bolha prestes a estourar, outros dizem que é um ativo consolidado, ou seja, ainda há muito o que amadurecer tanto na questão tecnológica quanto nas regras de mercado com o objetivo de dar lastro, segurança e credibilidade nas negociações virtuais com as criptomoedas.

Mercado

Bitcoins: os piratas vão salvar a humanidade dela mesma
dez 14, 2017 Ξ Leave a comment

Bitcoins: os piratas vão salvar a humanidade dela mesma

posted by Piero Contezini

Bitcoins: os piratas vão salvar a humanidade dela mesmaVocê já deve ter ouvido falar do Bitcoin e de quanta gente tem ganhado dinheiro com isso, mas eu preciso lhe contar sobre o lado oculto da história — do qual a maioria das pessoas não quer nem ouvir falar.

Há muito tempo, a Internet era um território sem lei e ainda em 1994, quando comecei a usá-la, era possível encontrar praticamente qualquer coisa à venda na rede. Com a popularização da tecnologia e a universalização do acesso, vieram as leis e o estado com suas regras. Para que a liberdade fosse restabelecida sem as amarras do mundo real, os verdadeiros “donos” criaram uma nova rede: a Deep Web, acessível apenas por meio de um navegador específico. Nela, os hackers e as pessoas que queriam negociar coisas ilegais podiam fazê-lo novamente, sem a mão pesada da sociedade. Só faltava uma coisa: o dinheiro. Como operar as transações sem deixar rastros na superfície?

Foi aí que quatro piratas digitais usando um pseudônimo, tiveram uma idéia: criar um problema matemático em que cada solução levaria o dobro do tempo da anterior para ser encontrada. Além disso, desenvolveram um jogo em que a primeira pessoa que descobre a resposta tem o direito de anotá-la em um arquivo, com seu número único, e pode transferi-la para outra pessoa, via internet. Simples? Pois isso é o Bitcoin.

Por muitos anos, cada “solução” para o problema não valeu mais do que alguns centavos, mas serviu para resolver o maior problema da Deep Web e permitiu que bens e serviços ilegais pudessem ser livremente transacionados, como acontecia no início da Internet. O que muita gente percebeu foi que isso tinha um potencial muito maior; essa ideia de compartilhar um problema e um arquivo com as regras e respostas sobre ele, seguida da validação dos dados e da disseminação pela rede poderia mudar a forma como a humanidade lida com a informação.

Lembra do episódio em que uma modelo, depois de ter sido gravada fazendo sexo na praia, exigiu que os vídeos fossem retirados da rede e conseguiu graças à ação da Justiça? No caso dos Bitcoins, cumprir essa decisão seria impossível. Não há quem processar ou mandar prender, porque a informação está desmembrada e integrada ao mesmo tempo. Cada parte pode, de forma independente, remontá-la. Isso pode salvar a humanidade do seu maior problema: o poder e o controle do estado sobre a transferência de valores.

Imagine a situação hipotética de todo mundo adotar o Bitcoin: será impossível que os órgãos de controle e regulação imponham a cobrança de impostos; um juiz não terá absolutamente nenhum poder para retirar qualquer centavo de ninguém, nem poderá exigir a identidade de uma determinada conta —  que é anônima mas absolutamente rastreável, para garantir que não ocorra o roubo das moedas. Nossa sociedade caminha para um ambiente anárquico sem precedentes na história recente, talvez mais justo do que nunca, onde o mérito e o conhecimento superarão o poder, os interesses individuais e a caneta.

Não acredito na intenção do Bitcoin, e por isso aposto em tecnologias criadas para o bem como o Ethereum — países com ideias progressistas, como o Canadá, cogitam usá-lo para anotar toda a sua constituição e eventualmente tornar obsoleta a profissão mais conflitante da nossa sociedade: os políticos. Mas se você pretende mesmo investir em Bitcoin, esteja preparado para, de uma hora para outra, vê-lo valer nada. O valor de mercado dele será ditado por uma das leis mais antigas do mundo — a da oferta e procura —, com possibilidade de ganhos excelentes para quem não tem pressa. Enquanto isso, aguardemos os feitos dos piratas do passado ajudarem a melhorar nosso futuro.

Redes & Telecom

A Era da Fog Computing e as redes de computação das crypto moedas
jun 9, 2017 Ξ 1 comment

A Era da Fog Computing e as redes de computação das crypto moedas

posted by Leandro França de Mello

Figura - A Era da Fog Computing e as redes de computação das crypto moedasNesta semana, a Business Insider informou que quase US$ 6 trilhões serão gastos em soluções IoT no decorrer dos próximos cinco anos e, em 2020, 34 bilhões de dispositivos serão conectados à Internet, dos quais 24 bilhões serão dispositivos IoT. Com uma crescente demanda por soluções IoT nas empresas, a necessidade de dados a serem processados rapidamente, substancialmente e no local é essencial. É aqui que entra a “Fog Computing”.

Cloud Computing, é definido como um grupo de computadores e servidores conectados entre si pela Internet para formar uma rede. Hoje, como muitas empresas e grandes organizações estão começando a adotar a Internet das Coisas, a necessidade de grandes quantidades de dados a serem acessados com maior rapidez e localmente é sempre crescente. Este é o lugar onde o conceito de “Fog Computing” é lançado.

Fog Computing, ou “fogging”, é uma infra-estrutura distribuída na qual certos processos, serviços ou aplicações são gerenciados na borda da rede(a chamada Edge Computing) por um dispositivo inteligente, mas outros ainda são gerenciados na nuvem. É, essencialmente, uma camada intermediária entre a nuvem e o hardware para permitir um processamento, análise e armazenamento de dados mais eficientes, o que é conseguido reduzindo a quantidade de dados que precisam ser transportados para a nuvem.

Um exemplo na Internet das Coisas pode ser um sistema de iluminação inteligente que opera com base no movimento. Quando há movimento detectado, esses dados precisam ser processados para aferir o resultado de que as luzes estejam ligadas, e vice-versa, quando nenhum movimento foi detectado por um período de tempo, é preciso tomar uma decisão para que as luzes sejam ativadas ou não. Estes dados e decisões resultantes são melhores processados na borda. A empresa que executa o sistema de iluminação inteligente também pode querer rastrear a eficiência energética e quanto tempo as luzes estavam ligadas. Os dados que fornecem esta “imagem maior” de como a iluminação inteligente está sendo utilizada exigiriam que dados sejam agrupados e processados por um sistema de relatórios executado na nuvem.

Ken Hosac, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Cradlepoint, define o conceito de Fog Computing como uma “extensão da computação em nuvem ao extremo da Rede”. Ele afirma que, para fazer isso, Fog Computing é:

  • Adicionando processos e recursos de memória aos dispositivos Edge
  • Pré-processamento de dados coletados no Edge
  • Enviando resultados agregados para a nuvem

À medida que as empresas que adotam as soluções IoT veem os benefícios adicionais de tecnologias 4G confiáveis e expandem seu uso disso, tornou-se claro que os sistemas atuais de computação em nuvem não serão necessariamente capazes de lidar com toda a carga de dados – e é aí que a computação em nevoeiro entra em jogo.

De acordo com a Markets and Markets, estima-se que o mercado Cloud High Performance Computing (HPC) cresça para US$ 10,83 bilhões em 2020, ante US$ 4,37 bilhões em 2015. Ao mesmo tempo, ao longo dos próximos cinco anos, prevê-se que quase US$ 6 trilhões serão gastos em soluções IoT (de acordo com o Business Insider), é claro que, com esses números, o investimento em computação em névoa continuará a ser um tema ativo entre investidores e empresas.

Sobre o poder de fogo de uma rede computacional descentralizada

Para se ter uma noção do poder de fogo de uma Fog Network basta observar seu poder computacional frente ao poder de processamento dos supercomputadores existentes em atividade no mundo. Há uma crescente de demanda por poder computacional e poucos supercomputadores disponíveis tanto nos centros de pesquisa, quanto cotas de processamento nestes locais. Peguemos o exemplo da Genentech e da empresa Cycle Computing que criou vários clusters utilizando o Amazon Elastic Compute Cloud, que se estende a vários milhares de núcleos. A Genentech, precisava de todo o poder de 10.000 núcleos, para realizar um estudo e processamento sequencial de moléculas de proteínas. Os cientistas liderados por Jacob Corn, precisariam de vários meses para simular interações em suas instalações, em vez de 8 horas com a ajuda de serviços na nuvem da Amazon.

Cycle Computing montou um cluster em nuvem colossal com o seguinte tamanho: 10.000 núcleos = 1.250 processadores com oito núcleos cada, 8,75 TB d(Terabytes)e RAM e um sistema de 2 PB(Pentabytes). Portanto, os engenheiros demoraram apenas 45 minutos para cumprir os requisitos do cliente. O cluster “existiu” por 8 horas e custou ao cliente US$ 8500, uma bagatela diante da possibilidade deles comprarem um supercomputador(algo em torno de US$50 milhões um Cray mais barato) ou alugar cotas em algum centro de pesquisa ou meses se fossem utilizar a rede Boinc da World Community Grid, por exemplo.

A Cycle Computing acredita que o cluster criado por eles poderia ocupar o lugar 114º no ranking dos supercomputadores mais poderosos do mundo, com uma performance de cerca de 66 teraflops. Os dados são um pouco desatualizados, mas, no entanto, pode-se imaginar o volume da capacidade da AWS e enquanto o poder dos supercomputadores TOP10 no mundo é ~ 0.2 exaflops, a potência total de todos os supercomputadores TOP500 pode ser designada como 0,5 exaflops. O poder da rede bitcoin é de aproximadamente 51.000 exaflops. Mas mesmo diante de colossal poder computacional da rede bitcoin, a verdade é que você precisa entender que os dispositivos ASIC para mineração não pode se igualar em universalidade, por exemplo, com supercomputadores na plataforma x86. Esses mineiros só podem contar bitcoins e nada mais, são inúteis para a ciência. Porém, eles queimam muita eletricidade em escala global.

“Embora os cálculos de números inteiros usando o algoritmo SHA256 sejam difíceis de comparar com operações de ponto flutuante”, disse Ackermann, nos testes padrão do LINPACK, Rpeak e Rmax, cada um de nossos sistemas superou os supercomputadores mais rápidos do mundo. Cada um deles contém mais de 6 milhões de núcleos, que é duas vezes maior que o de Tianhe-2, o primeiro supercomputador na lista PetaFLOP, mas custa menos, ocupa menos espaço e consome 20 vezes menos energia. Nossos supercomputadores com um modelo quase-oportunista de programação paralela em massa de tarefas levam a mineração a um novo nível – o nível de exahashes.” – Cycle Computing

Sobre o poder na mineração em placas de vídeo que compõe o hardware padrão das redes descentralizadas de mineração de crypto moedas, podemos afirmar com confiança sobre uma maior versatilidade e a capacidade de executar tarefas, especialmente porque as fazendas de mineração construídas em placas de vídeo possuem CPUs padrão com um conjunto completo de algoritmos, uma quantidade suficiente de RAM e um disco rígido. É mais sobre o uso de fazendas para mineração construídas em GPU. O crescimento da capacidade é muito rápido, a complexidade da maior rede Ethereum é 24 terahash e cerca de 35 terahash nas demais redes das diversas altcoins. Levando em consideração as fórmulas aproximadas para transferir capacidades de hashes para flops que são usadas para a rede bitcoin (de acordo com bitcoinwatch.com 1hash = 12.697FLOPs, é importante ressaltar a diferença qualitativa do poder de computação) e os parâmetros estatísticos médios de uso em GPU (6 Tflops = 30mh / s). Assim, 24 terahash envolvidos na rede ethereum possuem capacidade completa de computar qualquer tipo de cálculo e demanda computacional. Em futuro próximo, haverá uma liberação dessas capacidades durante a transição de Ethereum para PoS(Proof of Stake).

Projetos open source e baseados nos conceitos de blockchain e da computação descentralizada e distribuída vem surgindo e podemos citar dois que podem impactar violentamente o mercado de Fog Computing: Golem Project e SONM(Supercomputer Organized by Network Mining). Ambos operam com o conceito de computação descentralizada e distribuída utilizando o poder computacional das redes crypto,essencialmente da Ethereum. A diferença de ambos é que a Golem opera com o paradigma de criar sua própria rede, enquanto a SONM utilizando o conceito universalista da IoE(Internet of Everything). Esta última com um poder computacional colossal. O cluster AWS que realizou a missão de pesquisa Genentech para moléculas de proteína teve um poder de 66 teraflops = 0.000066 exaflops. Por sua vez, isto é de 1 a 120.000 dos possíveis recursos da SONM (aproximadamente 8 exaflops / 0.000066 teraflops = 120.000).

Estamos inclinados a afirmar que os 8 exaflops de poder que são utilizados na mineração dos Altcoins usando placas de vídeo pelos cálculos mais modestos, supera o poder de todos os supercomputadores do mundo e tem uma aplicabilidade verdadeiramente universal na computação. Sejam bem-vindos a Era da Fog Computing.

Mercado

O ouro, as moedas, o bitcoin e o futuro das operações financeiras
abr 13, 2017 Ξ Leave a comment

O ouro, as moedas, o bitcoin e o futuro das operações financeiras

posted by Leandro França de Mello

Figura - BitcoinNo início de março, algo fundamentalmente disruptivo no mercado de cryptomoedas aconteceu e acendeu os botões de alertas em algumas mesas de operação ao redor do mundo: o valor de mercado do Bitcoin se equiparou ao marketcap do ouro.

O bitcoin já vem em uma ascendência de preço nos últimos 3 anos, num rally que vem se mantendo e mostrando o potencial de crescimento da “moeda”(?!). Deixo a palavra moeda em evidência por diversos motivos: o bitcoin ainda não serve como meio de troca, pouquíssimos estabelecimentos no mundo o aceitam. Ok, há pouco tempo a Gafisa, fez um lançamento no qual dizia que aceitaria bitcoin como forma de pagamento. Não sabemos até hoje se alguém apareceu e comprou um apartamento com bitcoins.

O valor de bitcoin ultrapassou US$1.000 no mês passado, a primeira vez que atingiu tais alturas desde o final de 2013. Mas não se engane: esta tecnologia estranha e controversa não está mais perto de se tornar uma moeda corrente só por causa da sua excessiva valorização. Mesmo Olaf Carlson-Wee, o primeiro funcionário da Coinbase, a empresa de bitcoin mais importante dos EUA e que comprou seu primeiro bitcoin em 2011, quando valia US$ 2. Escreveu sua tese de graduação sobre a tecnologia no mesmo ano. Contudo, mesmo com todo esse entusiasmo sobre o bitcoin, Wee não acredita que um dia a cryptomoeda irá substituir o dólar ou qualquer outra moeda fiat.

“Trata-se de um grande erro achar que o bitcoin possa vir um dia substituir as moedas fiat”, diz Carlson-Wee.

Este sentimento aparentemente pessimista é o que você ouve mais e mais frequentemente, não só de pessoas à margem da comunidade bitcoin, mas aqueles que estão no centro dela. O Bitcoin não é algo que a pessoa média jamais usará para comprar e vender coisas, dizem eles, particularmente nos EUA e em outros países ocidentais. O mundo simplesmente não precisa de uma moeda digital dedicada. Já é muito fácil pagar coisas com dólares, graças a cartões de débito, via internet ou por vários outros serviços pelo smartphone. Mesmo que houvesse a necessidade, muitos obstáculos legais, regulatórios e culturais estão no caminho de bitcoin para a adoção pelo mainstream. Contudo, o bitcoin pode ser útil principalmente como ouro digital – como um investimento. A especulação em torno da moeda digital é típico de quem opera com o mercado do metal precioso e é por isso que o valor da bitcoin está em ascensão: o preço está subindo porque as pessoas pensam que o preço vai continuar subindo – particularmente as pessoas na China, que agora dominam a paisagem bitcoin.

Bitcoin é também uma maneira útil de mover dinheiro através das fronteiras internacionais, e que provavelmente será sua principal aplicação nos próximos anos. Mas para Carlson-Wee, bitcoin é mais valioso como algo completamente diferente – não como uma moeda nova, não como um novo ouro, não como uma nova Western Union, nem mesmo como um novo mercado de ações, mas como algo que permitirá que fenômenos financeiros que nunca existiram antes possam ser possíveis, o que Carlson-Wee chama de “finanças programáticas”. Por meio da ideia de uma cadeia de blocos – o famoso blockchain -, Carlson-Wee acredita que o blockchain irá impulsionar as empresas que, essencialmente, possuem e operam em mercados que possa haver espaço para inovação. Mesmo os mercados mais burocráticos como bancos e cartórios. Eis aí um papel mais importante do que qualquer moeda.

Ele acredita tão fortemente nesse fenômeno disruptivo, que no verão passado ele deixou a Coinbase para iniciar a Polychain Capital, um novo tipo de hedge fund destinado a apoiar esta nova safra de negócios. Com o aporte de US$ 10 milhões em capital de risco de empresas como Andreessen Horowitz e Union Square Ventures, a Polychain investe apenas em bitcoin e outros “tokens” digitais que habitam um blockchain, o ledger(livro registro) online distribuído que torna o bitcoin e qualquer outra cryptomoeda possível. Isso pode parecer que a Polychain simplesmente só investe em cryptomoedas, mas a ideia é mais ambiciosa do que isso. Graças ao Ethereum e outras alternativas à rede bitcoin, esses tokens são cada vez mais comuns na Internet, e eles são destinados a funcionar como versões digitais de qualquer coisa que tenha valor – não apenas dinheiro. Ethereum, por exemplo, executa “contratos inteligentes” – softwares que potencialmente podem basear negócios inteiros.

Carlson-Wee se recusa a discutir os investimentos específicos da empresa. Mas um exemplo do tipo de investimento que ele tem em seu radar é Projeto Golem, um esforço para criar uma nova encarnação da world wide web que é completamente descentralizada. Agora, a web pode ser distribuída através de muitos servidores, mas ainda é executado por autoridades centrais como ICANN, e ainda tem pontos centrais de falha. O Golem está criando um sistema alternativo completamente distribuído. Nenhuma pessoa, empresa ou governo possui. Nenhum indivíduo ou grupo pode decidir como funciona ou quando encerrá-lo. Ele opera de acordo com a vontade de muitos.

Há também Filecoin, um serviço de armazenamento de dados tipo a Amazon-cloud que opera sem a Amazon ou qualquer outra autoridade central. E talvez o mais famoso, pelo menos nos círculos das cryptomoedas, a Organização Autônoma Descentralizada, mais conhecida como a DAO. Também construído sobre o blockchain Ethereum, o DAO operado como um novo tipo de fundo de capital de risco, não controlado por ninguém, mas por milhares de pessoas espalhadas por todo a internet. É um exemplo chave de como as coisas podem dar errado nesse mercado também, pois mostra a fraqueza dos contratos inteligentes: foi hackeado no ano passado em US$ 50 milhões. O tipo de empresas blockchain que o interesse Carlson-Wee ainda estão muito longe de maturidade e nunca serão completamente seguras contra ataques on-line, Carslon-Wee admite.

Mas ele também acredita que há maneiras mais seguras de construir sistemas como o DAO. Eles devem ser construídos de forma modular, diz ele, de forma muito parecida com qualquer software seguro. E acredita que, em última análise, as operações descentralizadas como o Golem ou o DAO serão a norma. Um dia, diz ele, o mundo usará um Facebook descentralizado, não o próprio Facebook, um Uber descentralizado, um Etsy descentralizado, e assim por diante em todos os setores da economia. “Vamos ver setores inteiros explorados por contratos de software que viveram sob o blockchain”, diz ele. Carlson-Wee não é a primeira pessoa a propor tal futuro, e ele reconhece que esse fenômeno chegar a todos, ainda há um longo caminho pela frente. Mas seu fundo está apostando que o fará.

Se Polychain compra os tokens digitais que sustentam o Projeto Golem, é literalmente comprar um pedaço da operação. E esta é a única maneira de comprar na operação. O Projeto Golem não é realmente uma empresa. O projeto não tem ações, apenas tokens que rodam em um blockchain. Quando a Polychain compra esses tokens, não é um investimento de Venture Capital. E não é realmente uma compra de ações. É uma terceira coisa que ainda não tem nome. – “Não há companhia. Não há estoques “, diz Richard Craib, CEO de outro fundo de hedge baseado em criptoempresas, a Numerai, que também investiu na Polychain.

Estes novos conceitos financeiros radicais oferecem o melhor contexto para pensar sobre bitcoin. Não é algo que vai melhorar ou dar ao mundo um novo tipo de dinheiro ou ações. É algo que dará ao mundo coisas/negócios que ainda nem existem.

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