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Eu vejo o futuro

publicado por Ramiro Rodrigues

Figura - Eu vejo o futuroNo filme “Presságio” (2009), uma cápsula com documentos enterrados há décadas cai nas mãos do filho do professor John Koestler, interpretado por Nicolas Cage, que descobre que as mensagens ali codificadas enumeram com exatidão grandes desastres recentes e futuros, prevendo, ainda, uma calamidade global próxima.

Visões apocalípticas de um fim do mundo iminente sempre fizeram a alegria (e os bolsos cheios) da indústria cinematográfica mas esbarram em uma mesma limitação lógico-científica real ainda não possível de ser superada pelo homem moderno. Até aonde conste, não temos tecnologia eficaz para prever o futuro. Seja na meteorologia, na economia ou sociologia, não temos como dizer, neste instante, o que acontecerá em um exato momento futuro qualquer, próximo ou não.

Previsões, prognósticos, vaticínios, antevisões, antecipações, prenúncios, presságios, profecias, premonições, intuições, pressentimentos, suposições, conjecturas, hipóteses, palpites, achismos, futurologia, quiromancia ou cartomancia. Dentre tudo, o que realmente sempre tivemos é uma grande vontade de arriscar e acertar.

Este não é um “esporte” recente. Nostradamus, no século XVI, ganhou fama por seus versos codificados e interpretados por muito como proféticos. Desde sempre, o homem se aventura em tentar prever o futuro e nestas tentativas, temos um oceano de previsões que se mostraram equivocadas, mas geralmente esquecidas, perante o registro de alguns poucos acertos.

E o curioso é que, mesmo diante de séculos de inúmeros casos de fracassos sobre os de sucessos, não nos damos por vencidos.

Nas organizações contemporâneas, o chamado moderno gerenciamento de projetos ainda precisa atender às necessidades de desenvolvimento de cronogramas que buscam exatamente, de forma determinística, fixar as previsões de datas de acontecimentos futuros de pessoas, entregas e trabalhos previstos realizar. Este costuma ser um grande “calcanhar de Aquiles” do gerenciamento de projetos. É comum a frustração organizacional com as previsões dos cronogramas sobre atividades previstas que, em grande parte, não ocorrem conforme previsão inicial (e desejo de muitos).

E por que não ocorrem? Por muitos diferentes motivos, geralmente relacionados às pessoas e caraterísticas intrínsecas das atividades esperadas, mas em sua essência, porque é mesmo ainda impossível prever o futuro. Lógico que há algumas estratégias para minimizar os riscos da previsão determinística, mas no final, serão apenas previsões.

Mas devemos contrapor e compreender que as organizações precisam estimar quando terão os resultados dos seus investimentos acessíveis para o uso. Dirão alguns executivos que não há progresso sem metas – claras e previstas.

Correto. Mas como então sair deste complexo cenário onde se determinam datas futuras que, em grande escala, acabou por não acontecer como previstas frustrando expectativas, outros projetos e planos estratégicos?

Uma das tendências já trabalhadas hoje por segmentos como consultorias, engenharia e pesquisa & desenvolvimento, é a previsão probabilística de cronogramas onde, com o auxílio de conceitos simples da estatística, trabalham as previsões das atividades e do projeto como um todo, com faixas de probabilidades para a conclusão das mesmas.

Menos do que uma solução matemática, a mudança principal é conceitual. A proposta é não mais fixar com a organização as estimativas de entregas em datas determinadas apoiadas, algumas vezes em ciências quase ocultas, na esperança que se concretizem. Mas sim, apresentar faixas de durações que forneçam a perspectiva à empresa que estas possam ter, por exemplo, 68%, 95% ou 99,7%, de chances de que aquela entrega do projeto ocorrerá entre datas previstas.

Esta mudança de princípio, leva a compartilhar entre os envolvidos – em especial, o time de projetos e a organização patrocinadora, o entendido que está se tratando de uma visão futura da qual jamais se poderá ter 100% de certeza dos fatos que ocorrerão até sua conclusão e, ao mesmo tempo, permite administrar os riscos envolvidos com razoável controle.

Se você tem espaço para isto em sua organização fomente a discussão deste modelo de planejamento. Ele pode trazer, em um futuro próximo, mais maturidade e qualidade à gestão dos cronogramas e suas entregas. Assim prevejo!

Um abraço.

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Autor

Ramiro Rodrigues Ramiro Rodrigues é Gerente de Serviços da Arcon, empresa de segurança de TI especializada em Serviços Gerenciados de Segurança da Informação. É mestre em Administração com ênfase em Sistemas de Informação e MBA em E-business. Dentre suas diversas certificações, destacam-se o IPMA - level B, Project Management Professional pelo PMI e Prince2 Fundation. Especialista em gerenciamento de programas e projetos em consultorias de gestão e serviços de integração de infraestrutura, atuou em empresas como a Modulo Security, Heweltt-Packard e no escritório de projetos da TI da Petrobras. Além disso, é professor-titular do IBMEC/RJ, palestrante, pesquisador técnico da área e referência no desenvolvimento de trabalhos de pesquisa acadêmica em gestão de projetos. Sobre a Arcon Atuando no mercado nacional desde 1995, a Arcon é especializada em cibersegurança com foco em serviços gerenciados de segurança (MSS – Managed Security Services). Com um completo portfólio e sólidas parcerias com os principais fabricantes do mundo, a empresa monitora e gerencia ambientes, mitiga os riscos e previne incidentes em empresas de grande porte. A partir de seus SOCs, a Arcon processa 2+ bilhões de eventos por dia, protege mais de 600.000 ativos e possui inteligência de segurança única na América Latina. É a única empresa de serviços gerenciados de segurança no ranking Exame PME 2015 das empresas que mais crescem no Brasil. Nos últimos anos, firmou-se como líder no mercado brasileiro de MSS, tendo conquistado, o primeiro lugar em MSS no ranking Anuário Outsourcing por 4 anos consecutivos. Em 2016 passou a integrar o grupo NEC, um dos maiores provedores globais de soluções integradas de TI e Comunicação.

Ramiro Rodrigues

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