Ter um QI no mercado de trabalho é injusto?

Ter um QI no mercado de trabalho é injusto?

ago 26, 2011

Após um longo período sem publicar novos textos, resolvi escrever esse artigo motivado pelas inúmeras opiniões que recebi de vários profissionais  da área de TI,  em resposta a uma enquete que enviei para o Google Groups LeonardoTI com o seguinte tema: “Qual o seu sentimento em relação ao mercade de TI em Brasília e no país como um todo?”

Foram em torno de 80 respostas. Alguns profissionais decepcionados porém esperançosos, outros positivistas, alguns indignados, e muitas respostas reclamando sobre a existência de “QI’s” (Quem Indique) no mercado de trabalho.

Analisando friamente este tema, de fato algumas “indicações” parecem um tanto injustas quando ferem aquilo que chamamos de ética moral e profissional, como por exemplo, o sobrinho “despreparado” de um Supervisor que é indicado para uma oportunidade na empresa pelo simples fato de ser conhecido de alguém influente. Entretanto, na maioria dos casos de indicação a situação não é bem essa.

Imagine que um grande amigo do seu Gerente pedisse um emprego para o filho, um jovem profissional bem qualificado, que atende ao perfil necessário para uma vaga na empresa, precisando apenas de uma chance para mostrar seu talento? Qual seria o problema se o seu chefe indicasse esse rapaz para a oportunidade em vez de buscar outros candidatos no mercado?

Ninguém, por mais influente que seja, colocaria seu nome, reputação e respeito em jogo, indicando alguém que não fosse merecedor e competente o suficiente para, após a indicação, conquistar seu espaço e mostrar seu valor.

A verdade é que nós só indicamos aqueles em quem confiamos, seja o dentista, o webdesigner, o pediatra do filho, o mecânico, o banco ou o hotel onde nos hospedamos nas férias. E se você é do tipo que indica qualquer pessoa sem saber realmente quem ela é, cuidado! Você está correndo o risco de ter sua imagem manchada, se a pessoa não for tão competente quanto você disse que era.

Muito mais hoje, em dias modernos, onde todos nós mantemos uma rede de relacionamentos, nossa famosa “panelinha particular” no Twitter, no Facebook, no Orkut, ou no Linkedin. Não há uma só pessoa que não tenha ou seja o “QI”  de alguém em alguma situação, e isso é normal.

A “panela” é o cerne das redes de confiança que nós temos. As pessoas sempre buscam indicações de quem confiam. A grande sacada dos inventores das redes sociais foi virtualizar o que todos nós já fazemos em nossas vidas.

Ter um QI é absolutamente vital para quem pretende ter um negócio ou para quem não pretende ter negócio. Vinícius Teles  no 12º Encontro Locaweb Startup (assista )

Quero ir  além…

A pessoa que mantêm uma poderosa rede de relacionamentos em que pode confiar, demonstra ser muito bem relacionada, articulada, aberta para interagir com pessoas de “mundos diferentes”, características importantíssimas para  qualquer profissional dos tempos atuais.

 Os QI’s existem e sempre existirão! Não se chateie se alguém for indicado para uma vaga de emprego que você almejava, ou quando a proposta da sua empresa não for a escolhida entre os concorrentes. Busque maximizar seus contatos, não quantitativamente, mas principalmente qualitativamente.

Todavia, esteja sempre em constante aperfeiçoamento, buscando capacitação, realizando um bom trabalho onde seus colegas e conhecidos percebam seu profissionalismo e amadurecimento profissional.

Quando não existirem indicações cabíveis, a opção será sempre a escolha do melhor profissional para aquela ocasião.

Pense nisso!

Sucesso para todos!

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facebook comments:


  1. E geralmente as empresas buscam primeiramente as indicações entre os seus funcionários.
    Acho que a grande sacada no mercado e fazer justamente o que você disse, estar em constante aperfeiçoamento.

    • Olá Wender,
      Obrigado por registrar sua reflexão!
      É isso mesmo! Ficar murmurando e colocando a culpa nessas coisas é uma perda de tempo e não te acrescenta nada. Vamos buscar o nosso espaço. Todo mundo já passou por isso e nem por isso as pessoas deixaram de trabalhar, certo?
      Um abraço
      Leonardo Corrêa

  2. Roberto /

    Nada como manter uma rede social de contatos. Infelizmente é assim que funciona. Já fui prejudicado em diversas oportunidades porque o chefe da organização acaba sempre escolhendo “seu amigo” para ocupar o melhor cargo. Mesmo que esse “amigo” não possua a menor qualificação para o posto.
    Em um dos casos, esse “amigo” acabou pisando na bola e mesmo assim ficou no cargo.
    Complicado.. mas é assim que funciona.

    • Prezado Roberto,
      Realmente, nada mais normal do que uma rede de contatos. Todos nós fazemos isso!

      Não sei se a palavra é bem “prejudicados”, pois nesses casos você não foi demitido para que alguém fosse contratado. Você apenas não teve a chance de ser promovido para o melhor cargo, mas todos nós já passamos por isso algum dia, e acho normal que isso aconteça dessa forma.

      Se o “amigo” do seu chefe acabar fazendo besteira e mesmo assim for mantido, quem está colocando a empresa em risco é seu chefe e não você, então veja por outro ângulo, depois ele vai precisar que alguém, com competência, corrija a besteira do seu “apadrinhado” e ai, quem sabe você não seja chamado para essa importante tarefa!

      Toda crise tem um lado positivo…ela pode gerar prejuízo para uns e oportunidades para outros! ;-)

      Um abraço
      Leonardo Corrêa

  3. Ivo Almeida /

    Leonardo Correia de Sá…

    Sááábias Palavras…

    “A adversidade é o trampolim para o amadurecimento”

    Seja ele Pessoal/PROFISSIONAL.

    Abraço

    Ivo Almeida

  4. Erick /

    Leonardo parabens pelo texto… Na minha opinião vejo que a indicação em TI é algo positivo, afinal estamos falando de uma area tecnica onde o conhecimento para determinadas posições exigem o conhecimento, uma vez que demonstrando suas qualidades seus gerentes sempre “te levarão” consigo. Devemos lembrar tambem que o mercado de TI não é tao gigante assim sempre tem alguem conhecido em alguma empresa o que torna a indicação algo a se fazer com responsabilidade.

  5. Anonimo /

    Sou empresário de alto escalão de uma multinacional e o Brasil é o único país filial onde existe esse problema de QI: no Primeiro Mundo, eles contratam novos talentos, por isso estão sempre no auge da tecnologia. Aqui tem que ficar empurrando os desatualizados indicados para dar lugar aos talentosos que as panelinhas não querem que cheguem:atraso de vida. É a pior das nossas filiais. Conheço uma garota com 3 faculdades e pós-graduação: fora a experiencia de mercado: fez uma tese inédita na USP e alguns países da Europa a contrataram como consultora tecnológica e ela vive lá: não consigo traze-la mais para a filial brasileira. No Brasil, ela era discriminada por ser mais qualificada que os superiores e nem era chamada para as entrevistas. Descobri essa menina num centro de pesquisa de alta linha europeu. Hoje a tese dela beneficia a Europa e não o Brasil: ganha o triplo do que ganham os indicados daqui, mas o ganho para a filial central da empresa na Europa é seis vezes maior. O Brasil é o único país do mundo mesmo que ainda prioriza amizades (e até algumas coloridas) para ocupação de cargos. Já peguei cada figura sem Inglês, sem atualização sem nada trabalhando com tio, primo, pai, filho. Já vi empresa que fazia mais happy hour que outra coisa porque eram todos “amiguinhos”. Vou te contar: Brasil é isso.

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