jul 26, 2011
Comecei meu curso de Engenharia de Computação na Universidade Federal de São Carlos em 2002, com 17 anos de idade. Lembro bem da minha primeira semana no campus, quando fui todo empolgado receber uma espécie de brochura contendo todas as matérias que eu iria cursar no decorrer dos meus 5 anos de graduação. Eu imaginava que a ementa do meu curso ia estar repleta de disciplinas que fossem me ensinar a ser um programador de primeira e mal podia esperar prá ver a lista completa.
Mal sabia eu o que me esperava: no primeiro semestre, das 7 disciplinas que cursei, apenas 2 eram relacionadas à computação! E continuou assim até o fim do curso. Claro que a proporção foi melhorando conforme os semestres iam avançando, mas o conteúdo não relacionado à computação (entenda-se “inútil para um profissional da computação”) estava sempre lá. Vou tentar listar, usando apenas a memória, as matérias “nada a ver” que tive durante a graduação:
- Cálculo 1, 2, 3 e 4
- Física 1, 2, 3 e 4
- Física Experimental 1 e 2
- Geometria Analítica
- Probabilidade e Estatística
- Português
- Química Experimental
- Análise de Sinais e Sistemas
- Mecânica Aplicada 1
- Fenômenos dos Transportes 3 e 4
- Resistência dos Materiais 1
- Álgebra Linear
- Práticas Esportivas
- Materiais e Ambiente
Total de VINTE E DUAS disciplinas, todas com no mínimo 4 horas semanais (exceto Materiais e Ambiente e Português, que eram só 2 horas por semana). Algumas eram de 6 horas semanais, como FT, RM e alguns Cálculos. Tudo isso sem contar as disciplinas que, apesar de terem alguma ligação com computação, são extremamente não têm aplicação prática nenhuma, tais como Circuitos Elétricos, Organização Industrial e inúmeras outras.
Aonde quero chegar com isso? Vou começar dizendo que dentre tudo o que me foi ensinado nos meus 5 anos de faculdade, no máximo 10% eu efetivamente uso ou usei alguma vez na minha vida profissional, que já está a dois meses de completar 5 anos. Posso ir mais longe dizendo que as horas que eu gastei estudando todas as matérias acima citadas (em torno de 1500, sem contar o tempo estudando em casa prás provas e trabalhos) poderiam ter sido usadas para estudar algo que eu realmente fosse usar na minha carreira. Desse modo eu teria caído no mercado de trabalho muito melhor preparado, com uma gama de conhecimentos muito maior e provavelmente com várias certificações.
Já estou até vendo os mais tradicionalistas dizendo que é um absurdo o que estou dizendo e que essas disciplinas são importantíssimas prá “desenvolver o meu raciocínio lógico”. Quer melhor ferramenta para desenvolver o raciocínio lógico do que o desenvolvimento de software por si próprio? E será que meu raciocínio lógico é tão ruim que eu preciso de 4 Cálculos, 4 Físicas e mais um monte de disciplinas prá desenvolvê-lo?
Quer dizer que minha faculdade foi em vão? De jeito nenhum!!! Aprendi a ter “se virômetro”, a correr atrás do que preciso, a ser cara-de-pau, a me relacionar, a trabalhar em grupo. Meu diploma me abriu infinitas portas que me teriam sido fechadas caso eu não tivesse me graduado. Fiz amizades prá toda vida. Foi a porta de entrada para o “mundão” e para a minha independência.
Vou terminar meu artigo deixando um recado prá quem está agora cursando a universidade: fique atento na ementa do seu curso e procure sempre se informar com quem já está no mercado de trabalho sobre o que realmente é importante. Dependendo de qual for o seu curso, muita coisa que você está estudando você nunca vai usar NA VIDA. Nessas disciplinas, estude só o suficiente prá passar, e depois que passar pode atear fogo nos livros e cadernos. Use sua gana e energia prá estudar o que realmente será importante prá sua vida profissional. Nessas disciplinas você tem sim que dar o sangue e estudar prá valer, já que isso vai fazer toda a diferença no futuro.
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Meu Deus ! Pense num post sinônimo de IGNORÂNCIA !
Oh god SAVE US !
Oi Juxson,
Muito pertinente seu comentário! É exatamente esse o ponto: eu sou um engenheiro por formação, mas na prática sou um programador. Fiz o curso errado? Talvez sim! Mas ainda sim tudo o que escrevi se aplica a outros cursos. Exemplo: um curso de Ciência da Computação também tem no mínimo metade de todas essas disciplinas! Além disso, todo mundo diz que quando cai no mercado acaba usando na somente uns 10% do que aprendeu na faculdade.
O grande ponto é que as universidades não estão sincronizadas com o mercado de trabalho. Elas geralmente não sabem o que está acontecendo no mercado, por isso mantêm sua ementa intacta por anos a fio, sem mudar um módulo seque, ensinando as mesmas disciplinas old-school, de um século atrás.
Sobre a questão do raciocínio lógico, ainda discordo. Isso é aquele tipo de coisa que se torna uma verdade universal baseada em fato nenhum. Todo mundo diz e todo mundo acredita. Cálculo é útil prá quem vai desenvolver softwares específicos que fazem uso do Cálculo. O mesmo se aplica prá Física, FT, RM etc. Até aí concordo plenamente com o que você diz. Mas dizer que o Cálculo e a Física vão me tornar uma pessoa com raciocínio lógico mais apurado não cola. É, como já disse, uma coisa que todo mundo diz, todo mundo acredita e acabou se tornando verdade universal.
Está legal a discussão, obrigado pelo comentário!
Você já chegou a considerar que o trabalhar que faça bastaria um curso técnico, cuja maior demanda de mercado é para isto. E que as universidades buscam formar pessoas capazes de criar e inovar, tais como as ferramentas de desenvolvimento que usa para auxilia-lo no seu dia-dia?
E também generalizar uma coisa a partir da observação de que para alguns exemplos isto é verdade É UM ERRO LÓGICO! Ou seja, porque você e pessoas ao seu redor não precisa de tal conhecimento não significa que seja inútil.
Sobre o cálculo ajudar no raciocínio lógico só um experimento poderia verificar sua tese. Selecione dois grupos e formem um seu tais disciplina e outro com, depois veja o resultado. Eu ainda acredito que você terá uma bela surpresa com o resultado.
Quem vai fazer Ciência da Computação com o objetivo de se tornar um programador é outro desinformado. Quem faz CC é quem cria tecnologias, como linguagens de programação, protocolos, sistemas operacionais e sistemas de arquivos, para dar uns exemplos. E nem quem vai fazer Sistemas de Informação deveria ir com o intuito de se tornar programador, pois terá bastante Administração de Empresas no curso.
O fato é que as pessoas, de forma geral, são desinformadas em relação aos cursos universitários. As salas de aula das faculdades e universidades estão cheias de aventureiros que vão fazer o curso pois “Informática dá dinheiro” ou então porque o coitado fica o dia todo pendurado na Internet e acha que usar computadores e desenvolver aplicações é a mesma coisa.
Sobre as universidades não estarem sincronizadas com o mercado de trabalho, isso depende do que você imagina seja o papel da universidade. Nunca foi e espero que nunca seja o de oferecer treinamento, como é o que espera boa parte dos graduandos de cursos da área – e seu texto espelha bem essa expectativa frustrada, pois era o que você esperava da graduação. Diga para o aluno que ele precisará ler um texto e veja as caras feias na sala de aula. Cursos universitários servem para que o aluno aprenda a aprender e desenvolver fundamentos da área. O resto é com ele mesmo, como você fez, que correu atrás das certificações, da especialização técnica e foi para o mercado.
Para ser um excelente programador não é necessário fazer uma graduação e aí é que está o ponto. O brasileiro padece da “cultura do dotô”, herança dos tempos do Império, onde os mais abastados iam para Coimbra fazer universidade e voltavam “dotô advogado”, “dotô médico” ou “dotô engenheiro”. Existe um equívoco em se imaginar que alguém é melhor ou pior profissional por ter feito ou não uma graduação. Cursos técnicos servem muito bem para boa parte das ocupações da área de TI, mas o mercado de trabalho brasileiro não valoriza como deveria o ensino técnico.
Não estou dizendo que as pessoas não devem fazer graduação, mas que saibam onde estão se metendo antes de se matricularem. Vão procurar saber o que é cada curso, quais são as disciplinas, conversar com coordenadores, professores, alunos, ex-alunos, chefes etc.
Outra coisa é valorizar mais os cursos superiores de tecnologia, que já vem há anos se mostrando excelentes alternativas no sentido de aproximar mais a graduação do mercado de trabalho, sem tornar o curso superior um treinamento de longa duração. Ainda existe muito preconceito, mas excelentes profissionais tem escolhido essa modalidade de graduação e tem obtido ótimos resultados.
Alan,
“Quem faz CC é quem cria tecnologias, como linguagens de programação, protocolos, sistemas operacionais e sistemas de arquivos, para dar uns exemplos.”
Isso é lindo na teoria, mas na prática vc conhece bastante gente que fez CC e hoje cria linguagens de programação, protocolos, SOs e sistemas de arquivos? São pouquíssimos, infelizmente essa é a realidade do mercado de TI brasileiro.
Eu tive a sorte de poder criar protocolos de telecom na época em que trabalhei pra Ericsson e te garanto que não foi o fato de eu ser Eng da C (ou CC se fosse o caso) que mudou algo – inclusive várias pessoas do grupo eram tecnólogas e produziram no mesmo nível de qualidade.
Obrigado pelo comentário, o importante é estarmos sempre abertos a ouvir opiniões alheias e aprender com elas.
Lol,
Vamos por favor estabelecer uma discussão de qualidade, assim como fez o Juxson, baseada em argumentos e opiniões.
Exponha o seu ponto de vista, a sua experiência pessoal, comente sobre sua formação e sua experiência profissional, para aí sim podermos ter uma discussão sadia.
Amigo nem começo a discutir com quem não sabe pra que uma faculdade de engenharia serve. O seu discurso é de alguém que deveria fazer ensino técnico, tirar milhões de certificações e cair no mercado. Universidade não é o que você imaginava ser nem NUNCA será. E a maior, é que parece que você fez engenharia querendo fazer sistemas de informação, estou enganado ?
Eu se fosse você apagava esse post e tirava da página principal ,de um site intitulado TI Especialistas, o link pro teu “artigo”.
Lol,
Se você quiser manter uma discussão equilibrada, com argumentos e ajuda mútua, estou mais do que disposto. Não sou o dono da verdade e estou sempre aberto a novas ideias e opiniões!
Caso contrário, nossa interação termina por aqui.
Enquanto os alunos não tiverem a liberdade de escolher as disciplinas que irão cursar, isto sempre ira acontecer.
José Eduardo
Concordo 100% sobre o que disse que “as universidades não estão sincronizadas com o mercado de trabalho. Elas geralmente não sabem o que está acontecendo no mercado, por isso mantêm sua ementa intacta por anos a fio, sem mudar um módulo seque, ensinando as mesmas disciplinas old-school, de um século atrás”.
Eu faço pós-graduação em Redes de Computadores na UFSCar e é isso o que eu vejo. Afirmo com conhecimento de causa POIS EU TRABALHO NA ÁREA DE REDES/TELECOM, e várias disciplinas são totalmente dispensáveis, outras ensinam técnicas que não são mais utilizadas no mercado de trabalho. Além de outro agravante: muitos professores são dinossauros que não se atualizaram, utilizando modelos ultrapassados de ensino, usando slides massantes, desinteressantes, que poderiam ser estudados em casa, pois eles se limitam a ler no telão (pra que raios eu viajo 400km por semana pra ver um cara ler uma apresentação no telão?).
Eu não entrei nessa pós-graduação para virar pesquisador, como disse o amigo aí: “o mercado vive insatisfeito com os cursos de TI, porque a formação atual dos mesmos visa pesquisa e desenvolvimento científico e não o mercado”, entrei para ser ESPECIALISTA EM REDES DE COMPUTADORES, e por esse motivo estou insatisfeito e decepcionado com esse curso. Me formei em TI na FATEC e por lá as coisas são igualmente arcaicas/burocráticas/ultrapassadas.
E sobre o curso técnico, como disse o fulano anônimo “O seu discurso é de alguém que deveria fazer ensino técnico”, ele não foge à regra. Também sou formado em telecomunicações pela ETEC e o que aprendi e aprendo realmente de telecom é no “se virômetro”.
Minha conclusão é de que a educação no Brasil já faliu há tempos. Exemplos não faltam, e o maior deles é justamente a falta de mão de obra qualificada no mercado de trabalho. Oras bolas, eu estudei a vida inteira em escola pública, fiz curso técnico em escola pública, estudei em faculdade pública e agora faço pós-graduação em universidade pública. Será que sou tão burro assim para não ser considerado qualificado? Ou falta alguma coisa no que aprendi?
E complementando, “tirar milhões de certificações e cair no mercado” é você demonstrar que você tem capacidade de estudar por conta própria e provar que é bom naquilo que se propõe. Meu diferencial é justamente a experiência e os cursos extra-curriculares, pois título de graduação não prova nada. Tem gente na minha turma que vai se graduar e não sabe TCP/IP. Certificação só tira quem realmente sabe!
A proposta é boa (http://latosensu.dc.ufscar.br/redes2010/disciplinas) mas na prática … na prática você se vira!
OBS: desculpa uma resposta desse tamanho, mas seu post veio bem a calhar com minha indignação com a educação no Brasil.
Eu tinha preparado um post adequado para postar aqui mas minha conexão caiu e eu não consegui recuperá-lo nem no rollback, então vou sintetizar meu ponto de vista claramente.
1º Os cursos superiores como Engenharia/Ciência da Computação não tem enfoque no preparo para o mercado empresarial e sim para as iniciações científicas na área, uma vez que um software científico em Java é tão “útil” quanto um software empresarial em Assembly.
A ementa é mantida intacta, mas os ensinamentos e didáticas mudam no decorrer dos anos, não é porque o nome da matéria é “Introdução a Programação” que eu tenho que começar em Basic, no meu caso eu comecei em C e acredito que os próximos alunos aprenderão linguagens atualizadas, isso é uma exigência da própria faculdade.
O senhor desenvolve suas habilidades lógicas programando, eu desenvolvo trabalhando com números, quem de nós está certo? OS DOIS, já que cada um aprende da sua forma, mas no que eu tenho no meu dia a dia o raciocínio lógico agregado por matérias exatas não é uma mentira universal, na realidade a maioria da minha sala desenvolveu-se nesse primeiro período, ganhou maturidade e habilidades de decisão que não tinham.
2ºLol, você não é idiota, só faz muita força para ser. Criticar uma pessoa sem argumentos respeitosos é que nem disputar por uma injeção na testa, mesmo se você ganhar, ainda é um estúpido. O que da para aproveitar do que escreveu realmente é que Sistema de Informação = MERCADO, Engenharia/Ciência da computação = PESQUISA.
4º YGOR, se cada aluno escolhesse apenas as matérias que quisesse fazer ia ter um monte de moleque pegando as mais fáceis só para ter diploma, você quer resolver um problema criando um maior ainda.
5° FÁBIO, a UFSCAR é uma faculdade voltada para pesquisa assim como o ICMC-USP também em São Carlos, se você não tinha interesse em pesquisa talvez devesse procurar uma faculdade que atendesse melhor as suas demandas, ou melhor ainda uma certificação que é o canivete suíço do verdadeiro profissional de TI. Também compartilho da sua revolta com o sistema de educação brasileiro, mas isso vem de muito tempo, enquanto as pessoas não pararem de pensar que profissão é só Médico e Advogado continuaremos caminhando a passos de lesma ao desenvolvimento.
6º Essa é mais uma observação, realmente é sério quando você disse que tem gente na sua sala que não sabe TCP/IP? Pelo amor de deus, a UFSCAR não utiliza POSCOMP na seleção não? O.o’.
Peço perdão se minhas idéias não ficaram tão concisas, é que eu escrevi isso sem realizar uma revisão adequada.
José Eduardo, li seu post sobre o trabalho na Austrália e achei incrível, parabéns.
YGOR –> Concordo totalmente com o que o Juxson disse, sem por nem tirar: “se cada aluno escolhesse apenas as matérias que quisesse fazer ia ter um monte de moleque pegando as mais fáceis só para ter diploma, você quer resolver um problema criando um maior ainda”.
FÁBIO –> Valeu pelo seu comentário, ele agrega muito à nossa discussão, já que você está sentindo na pele exatamente o que descrevi no artigo. Pós-graduação não é necessariamente prá virar pesquisador, a não que seja um mestrado strictu senso, voltado especificamente para o meio acadêmico. Caso contrário, o curso deveria, teoricamente, te tornar um especialista na área, obviamente considerando as coisas que estão em voga no mercado, não as disciplinas de 10 ou 20 anos atrás, e com instrutores atualizados, não dinossauros, como você disse. Concordo com cada linha que você escreveu, exceto quando diz que a educação no Brasil faliu há tempos. Não podemos generalizar, ainda há exceções por aí.
JUXSON –> Excepcional seu comentário. Concordo com muita coisa dele. Realmente você está certo quando diz que cada um desenvolve seu raciocínio lógico de maneira diferente, sem dúvida! No entanto, não concordo quando você diz que “cursos superiores como Engenharia/Ciência da Computação não tem enfoque no preparo para o mercado empresarial e sim para as iniciações científicas na área”. Cursos superiores como esse têm que ter a opção de escolher o seu caminho. Se você quer seguir carreira acadêmica, terá disciplinas específicas. Mas se quiser cair no mercado, tem que ter disciplinas adequadas ao mercado!!! E em ambos os casos: porque 4 cálculos, 4 físicas, português, química, RM, FT etc etc etc? Sobre o que você respondeu pro LOL, assino embaixo.
Abraço pessoal, a discussão está massa!
LOL –> Se você quiser manter uma discussão equilibrada, com argumentos e ajuda mútua, estou mais do que disposto. Não sou o dono da verdade e estou sempre aberto a novas ideias e opiniões!
Caso contrário, nossa interação termina por aqui.
Prezados,
Cálculo (qualquer que seja), física (qualquer que seja), química (qualquer que seja) e português não são disciplinas voltadas para o mercado de trabalho, mas não se pode fazer um engenheiro no Brasil sem isso. Por quê?
Tudo bem que um engenheiro é, por concepção, um profissional voltado para a resolução de problemas práticos, diferente de um matemático, um físico ou um químico. Mas, para resolver problemas da realidade, é preciso entender a realidade. E, diferente de uma linguagem de programação, física, química e matemática não são um apanhado de conhecimentos técnicos criados para aplicação em situações determinadas. São disciplinas básicas que explicam o mundo como ele é. Por isso se mantêm “praticamente” intactas ao longo de tantos anos e não podem ser substituídas em uma grade curricular por “criações mais novas”. Uma lei da física não muda do dia para a noite. Quando mudar, agradeça ao físico que dedicou toda a sua vida para entender o que todo mundo achava que era diferente (o que teríamos hoje se não tivesse existido um Einstein ou um Newton?).
Se um engenheiro precisa estar apto a resolver problemas da realidade, nada mais básico do que ele conhecer a natureza da realidade em suas diferentes perspectivas. Então, o engenheiro que se forma desprezando a bagagem de disciplinas básicas que teve oportunidade de aprender, está limitado às situações com as quais vai se deparar e conseguir lidar. Nem aquele que se dedica integralmente ao curso consegue lidar com todas, imagina então a limitação daquele que só se preocupou em aprender a técnica, e não o funcionamento da natureza (não o meio ambiente, mas as lógicas de funcionamento do mundo).
Português não serve para simplesmente ler e escrever sem erros ortográficos. Serve para se comunicar. Se você é o melhor na sua técnica, mas não consegue apresentar adequadamente o resultado do trabalho que você faz, nunca vai ser reconhecido como o melhor. Não é suficiente ter capacidade de raciocínio lógico de programação, você tem que saber “raciocinar” sobre como transmitir a informação que precisa repassar aos outros. Ou seja, precisa saber interpretar a informação que recebe e organizar a informação que transmite. Isso não se aprende apenas com aulas de português, mas é muito difícil sem essas aulas e mais um bocado de prática e raciocínio sobre nossa “linguagem padrão”.
Não discordo que nosso sistema de ensino tem muitas falhas, inclusive por culpa de alguns (talvez muitos) professores. Mas temos profissionais de destaque mundial formados em nossas escolas, por terem sabido aproveitar as oportunidades que tiveram aqui. O sistema de ensino tem se diversificado muito e, cada vez mais, apresentado alternativas aos futuros alunos, com cursos cada vez mais especializados (alguns com qualidade, outros não). Cursos técnicos e tecnológicos são reconhecidamente mais focados no mercado de trabalho e são uma alternativa para quem quer resultado rápido (forma-se em menos tempo e com habilidades bem específicas). Mas um curso de graduação, incluindo engenharia, tem um propósito diferente. É muito difícil ver um engenheiro recém formado reconhecer o valor de cada conhecimento encontrado ao longo do curso. Eu mesmo não consegui chegar perto de 100% (ou seja, não sou o dono da verdade, não pretendo ser, reconheço isso e simplesmente me esforço para tentar desenvolver o que for possível de sabedoria), mas aprendi que é com a experiência que se percebe isso. Por isso, meu conselho é: não menospreze qualquer conhecimento que você tenha oportunidade de adquirir. As aulas de prática esportiva (listadas no seu exemplo de grade curricular) um dia podem ser úteis para sua carreira. Há alguns anos fiz uma disciplina de “música popular” durante minha graduação. Não sei se alguma vez programei algo diferente por causa disso (acho que não), mas não me arrependo e nem acho que perdi meu tempo, porque vivo muitas situações no dia a dia além daquelas de quando estou na frente do computador.
Conclusão: você pode hoje usar apenas algumas das disciplinas que cursou na sua graduação. Se fez apenas o esforço necessário para não ser reprovado em outras, talvez não esteja preparado para as oportunidades nas quais elas poderiam te ajudar, mas se, pelo menos em algumas das que nunca utilizou, você se dedicou, valorize isso, esteja preparado para utilizá-las e, se for possível e de seu interesse, dedique até algum tempo para encontrar essas oportunidades. Com certeza elas farão sua carreira profissional muito mais promissora.
Para me despedir, deixei para me apresentar no final. Tenho 31 anos, aprendi a programar (o princípio do pouco que sei hoje) antes de entrar para a faculdade, cursei 4 anos de engenharia elétrica, com ênfase em computação, e me formei engenheiro de produção, ambos em instituição pública. Hoje tenho mestrado (também em uma universidade federal), além de 5 anos de experiência com carteira assinada (não mais que o autor do artigo). Sou gerente de tecnologia da informação de uma grande empresa pública federal e professor universitário. Leciono para cursos tecnológicos e para engenharia. Preferi, ao invés de lamentar ao ler o artigo, parar meu trabalho rotineiro dos últimos domingos, preparando aulas e provas, para fazer o mesmo através da internet: dar um pouquinho da minha contribuição para que tenhamos um país melhor, com melhores profissionais. Espero que meus alunos não sintam falta do tempo que deixei de dediar a eles para escrever isso e que outros tenham a mesma disposição.
Disse bem.
Senhores percebi que há uma polariação na discussão sobre a falta de qualificação do ensino superior no Brasil, principalmente quando falamos em Tecnologia.
Temos que lembrar que quaisquer das áreas do conhecimento sofreram esvaziamento de conteúdo e que nossas Escolas básicas não tem se quer condições de ensino. O problema é de fundamento e não de especialização.
Para nos tornarmos melhores profissionais temos por obrigação buscarmos mais informações onde quer que esteja e isso vale paras as certificações, já que o conhecimento e o desenvolvimento não está mais nas mãos as entidades de ensino e sim nas grandes industrias.
Compartilho da informação que o Ensino Superior está falho, mas seu papel é fundamental no conhecimento e no desenvolvimento do pesnamento teórico, só acho que de tudo isso deveríamos gerar mais Patentes e Registros, o que não acontece.
Estudei muito, fui contra a universidade que estudei, porcurei outros cursos complementares,certificações e extesões e acredito que hoje sou um profissional completo, por ter unido os dois mundos e ter observado que a Carreira acadêmica por si só não me completaria e por isso fui buscar o mercado.
Para que os que lêem saibam, eu começei como programador Cobol aos 14 anos e quando fui para faculdade já trabalhava com tecnologia, não nos moldes de hoje, mas já programava os velhos AT´S, com DOS 5.0, Com Clipper. Dbase. Etc..
Esta fase da minha vida foi fundamental para determinar o que eu realmente queria ser e onde chegar, mas a Universidade moldou o meu pensamento crítico e me amadureceu.
Tenho certeza que o ensino hoje é muito pior do que éra a 15 anos, mas sei que mesmo assim não temos qualificação e estamos perdendo mercado intelectual para os Asiáticos em todo o Mundo.
Temo que cobrar dos que administram a Educação no Pais, uma melhor condição de conhecimento e que isso chegue a todos.
Cabe a nós como pensadores, articulistas iniciarmos um processo de cobrança em todos os níveis do conhecimento, pois se isso nao for feito imediatamente, não sobrará nada para os nossos filhos.
Ai sim é uma vergonha.
Richard Tinoco
Meu nome é Luciano, tenho 25 anos e sempre que possível estou lendo os
“posts” no site “tiespecialistas”. Gostaria de agradecer do fundo do meu coração (pode acreditar rs) pelo texto que vc escreveu sobre TI na Austrália. São textos e pessoas assim como vc que me fazem aumentar cada vez mais minha vontade e força para alcançar meus objetivos.
Por favor, deixe-me fazer uma pequena apresentação sobre mim, se vc me permite rs.
Como já disse, tenho 25 anos, sou publicitário, possuo um inglês avançado (me viro muito bem), acabei no começo desse ano um MBA em Gestão Empresarial e dentre das várias decisões que já tomei na minha vida, talvez essa que irei tomar agora em agosto seja a mais “radical” até o presente momento….a de “migrar” totalmente de mercado. Vou fazer Sistemas de Informação na UNOESTE em Presidente Prudente SP. Eu adoro publicidade e vou levar o conhecimento e experiência adquirido, nessa minha nova profissão pelo resto da minha vida.
Dessa vez vai ser diferente pois minha cabeça mudou e antes de entrar no curso eu pesquisei por um tempo enorme sobre o curso. Conversei com estudantes da área, profissionais formados, professores, coordenadores, não se esquecendo dos vídeos no Youtube e da comunidade no Orkut “Sistemas de Informação”. Realmente agora eu irei fazer oque amo e sei oque vou enfrentar na faculdade, vai ser muito difícil mesmo mas depende apenas de mim não é mesmo?
Um dos meus objetivos a longo prazo é de trabalhar no exterior (eu estou pesquisando no Canadá por enquanto) mas lendo oque vc escreveu, estou revendo totalmente o destino rsrs.
Pois bem, eu só gostaria de compartilhar com vc essa minha vivência, experiência e essa aventura que irei enfrentar e saber oque vc acha disso tudo?
Um forte abraço e fique com Deus nessa sensacional parte da sua vida que vc está vivendo!!!! e mais uma vez o meu MUITO OBRIGADO!
“cursos superiores como Engenharia/Ciência da Computação não tem enfoque no preparo para o mercado empresarial e sim para as iniciações científicas na área”. Cursos superiores como esse têm que ter a opção de escolher o seu caminho. Se você quer seguir carreira acadêmica, terá disciplinas específicas. Mas se quiser cair no mercado, tem que ter disciplinas adequadas ao mercado!!! E em ambos os casos: porque 4 cálculos, 4 físicas, português, química, RM, FT etc etc etc? Sobre o que você respondeu pro LOL, assino embaixo.”
Parece que estamos chegando no fim da discussão, vamos lá.
1º É exatamente este o ponto, o aluno deveria ter essa capacidade de escolha mas não tem justamente pela faculdade impor isso e é exatamente por esse motivo que eu to tentando aqui na faculdade onde estudo convencer o reitor a aprovar a ideia da faculdade pagar certificações aos melhores alunos que queiram ter iniciativas no mercado, acho isso mais do que obrigação de uma instituição que quer formar um aluno em TI, certificações principalmente em desenvolvimento que não são tão caras assim, algumas com preço menor até mesmo do que as bolsas pagas aos monitores.
2º Richard Tinoco, é exatamente o que eu procuro fazer, aprender mais fora da faculdade do que dentro. Não sou um talento como você que programava em Cobol com 14 anos, mas nos meus 16 eu fazia os meus programinhas de 300 linhas em C e era muito feliz brincando, pq naquela época aquilo era uma brincadeira pra mim. Eu discordo, acredito que o ensino evoluiu ao que era 15 anos atrás, hoje em dia existe estrutura adequada e professores mais qualificados que antes, o que piorou foram os ALUNOS e esses meu caro colega, só quem pode mudar são eles mesmo porque não da para obrigar ninguém a cuidar de si mesmo. Se alguém deve ser cobrado na situação atual são os próprios alunos que entram na faculdade de TI fazendo 40% da prova e acham que merecem se formar e ganhar BILHÕES DE DÓLARES(só conheço esses na minha sala, que juram que vão ser o próximo gates, jobs, etc..).
3ºLuciano, vou ser sincero com você, se você estiver bem na sua área de publicitário que é uma área linda por sinal(minha irmã é publicitária..xD) não troque por uma área como TI, pelo menos não nesse período de transição que o mercado está passando, vale mais começar com um hobby naquele seu tempo livre e se tiver que ser, em pouco tempo pode deixar de ser um hobby e virar uma profissão, esse é o caminho dos verdadeiros profissionais de TI, aqueles que começaram por curiosidade e não pensando no retorno, mas se você quiser meter logo a cara não mercado eu recomendo cursos preparatórios para tirar certificações primeiro, uma faculdade de cara é algo muito complicado, ainda mais para você que ta perto do limite de vida útil do profissional de TI(as empresas querem alguém com no máx 30 anos).
Olá,
é completamente normal alguém entrar na faculdade sem saber exatamente do que se trata o curso, e durante a graduação ir se descobrindo. Para esses que se desconbriram em caminhos diferentes da graduação vale a máxima de “estudar algumas disciplinas só para passar”, afinal, ninguém é obrigado a fazer muito bem o que não gosta.
E realmente, nem tudo que vc vê na faculdade vc irá usar na vida profissional, tive aula com um professor de EDO (Equações Diferencias e Ordinárias) que se formou em Engenharia Cívil e disse que na sua vida como Engenheiro nunca viu uma Integral, e conhecia outros tantos Engenheiros na mesma situação.
Abraço!
LUCIANO –> Legal saber que o post ajudou! Sei que você está considerando o Canadá, mas a Austrália é uma escolha melhor. Tem tudo o que tem no Canadá com relação à qualidade de vida, com as vantagens de que aqui os salários são maiores e o clima é idêntico ao brasileiro. Boa sorte no seu caminho!
RICHARD –> Muito interessante sua história de vida, desde os 14 anos programando! Gostei do seu comment, só não concordo quando diz que a qualidade do ensino piorou. Nesse ponto concordo mais uma vez com o Juxson, quando ele diz que foram os alunos que pioraram e não o ensino.
JUXSON –> Louvável essa sua iniciativa com relação às certificações! É uma ideia realmente fantástica, parabéns, cara. Tomara que vingue e que seja copiada por outras universidades.
LEANDRO –> Pois é, percebi que você concorda com meu artigo e eu também concordo com seu comment quando você fala sobre “estudar apenas para passar”. Minha indignação é com a quantidade de disciplinas em que isso se aplica.
Abraço, pessoal!
Pessoal critica o lol mas aparecer um pra criticar a petulancia do autor em escrever sobre um tema ja consolidado, atacando de forma infantil a universidade, talvez por frustraçao pessoal em nao saber escolher ou ter errado o proprio caminho, ai nao aparece ninguem.
Não vejo o texto como uma discussão de um tema já consolidade, e sim como uma tentativa de quebrar um paradigma. Não concordo 100% com o texto mas algumas coisas são verdadeiras, por exemplo algumas disciplinas da grade de formação humanistíca dos cursos de TI, ela são importantes mas não são essênciais, então por quê não alinhar a ementa dessas disciplinas com o contexto do curso?
Comecei a ter essa visão durante minha graduação, não concluída, em Física, fiz disciplinas como Cálculos e Físicas com todo, ou quase todo, rigor matemático e teórico que se espera de um bacharel em Física, porém nessas aulas lá estavam alguns alunos da Engenharia Cívil, com certeza essas disciplinas são importantes para eles, mas será que todo aquele rigor matemático foi realmente importante?
Na verdade isso acaba gerando um certo desinteresse do aluno, não é atoa que existe a “COLA”, e deixando a hipocrisia de lado, acontece e muito, em várias instituições renomadas.
Voltando um pouco na história, aquele meu ex-professor de EDO, que nunca tinha usado uma Integral na sua vida como Engenheiro, tentou reformular um pouco a grade da Eng. Cívil, mas claro que para a maioria paradigmas foram feitos para se manterem de pé.
Abraços!
A minha conclusão é, querendo ou não para ter um curso de nível superior você terá de passar por boa partes dessas matérias e cabe somente a você fazer com que isso seja proveitoso ou não, só acredito que se realmente essas matérias fossem inúteis muito mais gente já teria percebido e elas não constariam mais nas grades! Sou a favor de CÁLCULO e FÍSICA na computação, afinal de contas o curso é da área de exatas!
RONALDO –> A última coisa que quis com o artigo foi ser petulante! O artigo apenas expressa duas coisas: 1-) a minha opinião com relação ao modo como os cursos são estruturados; 2-) a minha CONSTATAÇÃO de que essas VINTE E DUAS matérias realmente são inúteis no mercado de trabalho. Já trabalhei em sete empresas diferentes, uma em Shanghai, China, duas aqui em Sydney, Austrália, e quatro no Brasil, duas delas multinacionais. Ou seja, já tive contato com várias culturas de trabalho e nunca cheguei nem perto de usar Cálculo, Física, RM, FT ou Química (ou qualquer outra disciplina das que listei).
Como qualquer opinião, não é uma verdade absoluta! É por isso que esse fórum é tão interessante: pessoas vêm e expressam opiniões com fundamentos e baseadas em argumentos sólidos. Seria interessante se você pudesse falar um pouco da sua formação, experiência profissional e por fim dar um embasamento aos seus comentários – desse modo a discussão seria mais sadia!
JUXSON –> Pois é, pelo jeito não chegamos a um acordo!
Mas pelo menos conseguimos despertar uma discussão interessantíssima e que, pelo menos pra mim, abriu um pouco os olhos para outros aspectos que eu não tinha considerado quando escrevi o artigo.
Abraço pessoal!
ERICK MEDEIROS –> Pelo jeito você passou exatamente pelo que eu passei! Não só você, como todas as pessoas que deram like no artigo.
THIAGO SOUZA –> Exatamente por ser um Engenheiro e não um tecnólogo que consegui experiências de trabalho na China e também consegui o visto de residência Australiano. É como disse, a faculdade foi ótima para mim, me abriu infinitas portas, disse isso no artigo. Mas ainda não usei FT, RM, Química, Cálculo, Física, GA, Álgebra Linear etc etc etc na minha carreira profissional. Enfim, isso é o que se aplica pra mim (cada caso é um caso).
LÍVIA VASSALI –> Obrigado por me ensinar sobre o acento. Eu realmente sempre acentuei o “pra” sem saber que estava errado. Dê uma olhada no meu blog e veja se você acha mais algum erro de português e me corrija, por favor! Aprender nunca é demais. Você, por exemplo, poderia procurar aprender a participar de uma discussão sadia e de forma respeitosa, apresentando argumentos sólidos e fomentando o aprendizado mútuo.
Compartilho opinião um pouco similar a do signatário do artigo. Na UFRJ enfrentei, suportei e superei dois grandes (malditos) grupos de disciplinas, a saber:
# sem qualidade (Cálculo II a IV, Compiladores I, Teleproc. & Redes, Prob&Est, …);
# inúteis (CVGA, Lab. de Métodos, Administração, Comp&Soc, Top. Especiais em, …).
Ressalta-se que, tal experiência desagradável desenvolveu-se na maior universidade estatal do Brasil (a maior economia da latino América), e diga-se de passagem, também a mais custosa aos cofres da União.
Porém, o pior mesmo, fica com a cultura do departamento que administra o curso, o qual parece ter desenvolvido forte aversão a feedback e demais práticas consagradas da qualidade. O corporativismo tende a mediocridade. Em tempo, ranking de universidades no mundo disponível no link http://bit.ly/rmlCti
Mateo,
Você é mais um entre tantos que compartilha da mesma opinião que eu. A questão da cultura do departamento é um ponto extremamente bem lembrado!!! É um problema tão comum nas universidades brasileiras que acabou se tornando o “comportamento correto”, como se todas as demais práticas (revisões de ementas, adequações ao mercado de trabalho, feedbacks dos alunos etc etc etc) fossem erradas. Mais ou menos o que acontece com a corrupção no Brasil: se o político não rouba ele é visto como o errado pelos colegas.
Olá!
Opiniões publicadas acerca dos objetivos para cursos de Sistemas de Informação, Engenharia ou Ciência da Computação podem não ser a verdade.
Aos interessados, a seguinte fonte de informação especializada pode ser útil:
http://bit.ly/hoqT8R
Trata-se dos “Referenciais Curriculares Nacionais dos Cursos de Bacharelado e Licenciatura” em elaboração pela MEC/SESu, com o propósito de organizar as nomenclaturas, definir perfis profissionais e facilitar a elaboração dos projetos pedagógicos dos cursos de graduação.
Em tempo, alguns números, independentes, acerca da avaliação de desempenho dos cursos no Brasil:
http://bit.ly/a3fDNB
Sds!
Eduardo, claro que chegamos a um acordo!
Eu não posso dizer que mantive minhas perspectivas ao ler o texto pela primeira vez e nem você ao ler minha resposta, entramos no acordo de que as matérias tem sua necessidade dependendo do campo de atuação e isso é suficiente!
Mateo
Você disserta muito bem suas idéias meu caro, parabéns!
A informação “especializada” neste link não condiz
http://www.ufrgs.br/sai/RCN%20-%2001ago10.pdf
necessariamente com a realidade a nível nacional. Uma coisa é realmente a intenção do governo e outra completamente diferente é como está sendo ministrado os cursos, dado por exemplo o curso de Engenharia da Computação que deixa nitidamente expresso que o enfoque principal são circuitos elétricos e digitais, em outras palavras hardware e que o curso de ciência da computação tem enfoque maior em software, o que atualmente é uma grande mentira já que no Brasil a produção de hardware caminha a passos lentos fazendo com que a maioria dos egressos de ambos os cursos optem pelo software. O texto é sem dúvida muito rico e preciso nas suas informações e acredito que esta deveria ser a maneira correta destes cursos procederem, mas infelizmente não o é.
A avaliação de cursos feito pela INFO condiz muito bem com a realidade das faculdades a nível nacional, mas reparem um pouco nos números de ciência e de engenharia na UNICAMP. A concorrência por vagas é próxima, a porcentagem de professores doutorados e com dedicação exclusiva também(em porcentagem), mas o que muda de um curso para o outro é o índice de alunos formados no tempo correto e a porcentagem de alunos que trabalham na área, basicamente os alunos de Engenharia Da Computação não tem emprego na área mas formam no período correto e os alunos de Ciência da Computação tem emprego na área e não formam no período correto em sua maioria. Pra mim pelo menos, isso diz que as empresas tem optado pelos profissionais de Ciência da Computação justamente por sua formação focada em software ao contrário dos alunos de Engenharia que tem uma formação focada em Hardware.
Olá Juxson!
Sua opinião é legítima e pertinente.
Apesar de concordar com seu relato – ancorado em minha experiência prática na UFRJ – o mesmo pode não ser verdade.
É preciso ter muito cuidado para não apressar-se com conclusões infundadas.
É extremamente desejável argumentar solidamente a opinião que emitimos, se possível, com números e evidências. Nada pessoal, estou apenas destacando um tipo de prática consagrada que deveria ser contemplada na educação de todos os engenheiros e demais profissionais.
Então, vamos a alguns números oficiais para auxiliar sua reflexão:
http://bit.ly/sj8SN
Os “Referenciais Curriculares” do MEC/SESU estão sendo compilados desde de 2009 visando a criação de padrões da excelência, para possibilitar garantia e controle da qualidade da graduação. Nesse sentido, é desejável os alunos tomarem ciência dos mesmos para formarem opinião mais consistente e poderem cobrar a implementação da qualidade em seus cursos.
Alunos conscientes, informados e críticos são uma forte contribuição para atacar problemas presentes na graduação, por exemplo (ancorado em minha experiência na UFRJ):
# Disciplinas sem qualidade: importantes, porém, parecem ser ministradas apenas pra cumprir “tabela” – podem ser encontradas no ciclo básico e no profissional;
# Disciplinas inúteis: não auxiliam os engenheiros a projetar soluções de problemas, aptidão mais desejada e que não fica obsoleta frente ao progresso tecnológico durante a carreira profissional – idem.
Caso entenda tais observações relevantes, então sinta-se livre para compartilhá-las entre seus pares e indispensáveis, pois é uma boa prática para planificar uma consciência pública crítica e pró-ativa.
Boa sorte!
Sucesso!
PS: Em tempo, a informação publicada em http://bit.ly/azGKYn pode ser do interesse dos interlocutores que acompanham está discussão e, parece ter correlação com a educação no Brasil.
Exato Juxson! Discussões como essas são interessantíssimas e sempre abrem nossa cabeça pra enxergar as coisas sob outra perspectiva.
Abraço
Caros,
encontrei esse site por acaso e este post mais ao acaso ainda e confesso que quando li o título fiquei realmente intrigado para ler até o final. Tudo isso justamente porque sou um representante da classe docente (e também do mundo corporativo).
Embora eu desconfie que em alguns casos as opiniões já estão tão arraigadas (que se tornaram auto-verdades), eu peço licença para emitir minhas considerações.
Sobre a inquietação inicial do José Eduardo, que aliás é extremamente válida e SAUDÁVEL, eu confesso que também busco há alguns anos encontrar um ponto de equilíbrio e poder colaborar para que a formação de uma área tão dinâmica quanto a nossa não seja uma verdadeira colcha de retalhos.
O Juxson lembrou bem sobre o contexto das Engenharias (faz parte das Exatas) e por esse motivo Cálculos e Físicas têm sim, ao meu ver, sua importância. No entanto, o que falta, o que realmente pecamos é como as direcionamos.
Se pararmos para observar que os asiáticos vêm (de forma espantosa) crescendo economicamente e consequentemente alterando perfis sociais antes desastrosos para situações de quase pleno êxito, teremos, então que fazer o caminho que (historicamente) era o inverso. Ao invés do mundo ocidental ser copiado, o “sub-mundo” ocidental é quem deveria copiar.
Os investimentos em pesquisa nestes países é espantoso. O resultado dessas pesquisas é tão saudável ao contexto social que países (tais como Cingapura) pularam de um IDH ridículo para algo antes inimaginável. E tudo isso porque conseguiram enxergar na universidade esse trampolim !
Será, então que a inquietação que tanto nos incomoda não advém do fato de que existe um mau direcionamento do conteúdo ministrado nessas disciplinas consideradas dispensáveis? Será que não nos falta compreender o real sentido da palavra inovação? (Coloco no plural porque considero que esse desconhecimento se dá em ambos os lados). E, se minha premissa for verdadeira, será que não falta valorizar o papel docente enquanto pesquisador? Não falo apenas de pesquisa básica, mas, principalmente de pesquisa aplicada que aí sim reverterá em um cálculo aplicado ou uma física aplicada! Será que estou tremendamente equivocado?
Olá Alexandre!
Bem, ratificando que estou alinhado apenas parcialmente com a opinião do signatário do artigo que fomentou a discussão em foco.
Me parece inteligente e sensato olharmos para os números (indicadores de desempenho), por exemplo:
http://bit.ly/pLxfFa CPC I
http://bit.ly/oq1gaY CPC II
http://bit.ly/rbRSbj CPC III
http://bit.ly/a3fDNB
http://bit.ly/sj8SN
Para tomarmos decisões corretas necessitamos de informação qualificada e confiável, e não de palpites, intuição ou suposição infundada.
As “estatísticas são como biquíni: o que revelam é sugestivo, mas o que escondem é fundamental”.
“Quem não mede, não gerencia. Quem não gerencia, não melhora.”
A educação no Brasil me parece carecer de um planejamento estratégico exclusivo e sólido, visando saber para onde ir e orientar seu povo.
Por exemplo, não é suficiente educar os engenheiros nas tecnologias imediatamente rentáveis e prontamente obsoletas. O autêntico desafio é educá-los para desenvolverem suas habilidades para projetar soluções de problemas, aptidão mais desejada e que não fica obsoleta frente ao progresso tecnológico durante a carreira profissional.
Nosso mundo é dinâmico, turbulento e às vezes hostil. “Máquinas” especializadas são frágeis e facilmente caem na obsolescência. É preciso desenvolver as aptidões certas (comunicação, liderança, solução de problemas, curiosidade, integridade, versatilidade, adaptação, flexibilidade, …) e estratégicas para ser competente e efetivo diante das adversidades, de agora e sempre.
Pense nisso!
Sucesso!
PS: Em tempo, a informação publicada em http://bit.ly/azGKYn pode ser do interesse dos interlocutores que acompanham está discussão e, parece ter correlação com a educação no Brasil.