mar 31, 2011
O Senador Fernando Collor de Mello “… tomou a palavra no Senado para falar do telefonema desaforado que, dias antes, dera à sucursal da revista Isto É, em Brasília, desancando um repórter… em seu discurso, chamou o jornalista de “apedeuta”, “aquele que não tem instrução, ignorante”. (Revista Língua Portuguesa, Ano cinco, no. 62, Dezembro de 2010, pág. 18).
Vivemos num mundo onde a rapidez da comunicação e a velocidade do entendimento tendem a ser compatíveis.
Quando vamos escrever alguma coisa, a regra número um é eleger o(s) leitor (es) ideal (is). A maioria tende a escrever para si, revisando – quando o faz – pela sua ótica o que escreveu. Se o Exmo. Sr. Senador quisesse se fazer entender em tempo hábil, fatalmente sairia frustrado da não menos ilustríssima tribuna.
Devemos nos abstrair enquanto autores, fazendo/simulando o papel de leitores. Fatalmente descobriremos afirmações, citações, jargões que são de conhecimento restrito. Feita a abstração, devemos reescrever o texto, retirando do nosso leitor a dura tarefa de entender, ou mesmo imaginar, o que estaríamos pretendendo.
Esta regra vale também, e principalmente, para o mundo corporativo, onde contratos podem ser contestados por falta de entendimento/clareza (o Cliente achou que estava clara determinada condição e o prestador de serviço achou que esta condição não cabia no que fora contratado). Quando um vendedor (TI) repassa o contrato para quem vai desenhar a solução, a clareza dever ser absoluta. Ou o prejuízo é certo e o culpado, prolixo.
Um simples e-mail requer o conhecimento do nosso amigo, o “leitor ideal”. Já vi exemplos de pessoas que enviam uma nota a seu superior como se estivesse “twitando”, que envia um currículo para seleção com erros grotescos de português, de gramática, ou concordância. Por melhor profissional que a pessoa seja, um texto é o seu retrato perante quem lê e toma decisões. E isso certamente pesará na decisão.
A idéia deve ser clara. Termos técnicos devem ser esclarecidos, quando necessário. Não seja prolixo (discurso longo e, muitas vezes, vazio), seja conciso (qualidade de dizer o máximo possível com o mínimo de palavras) e preciso (qualidade de utilizar a palavra certa para dizer exatamente o que se quer). Evite o excesso de “quês”, tornando o texto duro e desarmonioso. Fuja do mal do milênio: o gerundismo. “Vamos estar enviando isso na próxima quarta feira”. Prefira “enviaremos ou vamos enviar”. Dá mais confiança para o interlocutor. “Vamos estar marcando aquela reunião”. Será que ela vai ser marcada mesmo? Não é melhor – “vamos marcar aquela reunião”?
Uma boa dica é ler muito. De tudo. O cérebro guarda a grafia das palavras. Experimente colocar o sujeito, o verbo e o complemento. Se estiver seguro, use metáforas, elas valem mais do que mil palavras. Anote idéias. Elas poderão ser úteis.
Faça de seus textos o seu cartão de visita. Deixe o leitor se sentir atraído por ele, deslizar pelas palavras sem se esforçar. Verá que terá em suas mãos um grande aliado.
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Mais uma vez, show de bola o texto, concordo plenamente.
Valeu, meu amigo. Obrigado.
Muito bom!!!!! Feliz de quem tem esta habilidade. Vc demonstrou ter.
Oi, Eliane.
Que bom que gostou. Um texto só atinge seu objetivo quando o seu leitor, no caso, o meu leitor, consegue construir o sentido proposto. Valeu. Por favor, tenho outras duas publicações, gostaria também de receber seu comentário.
Grande abraço.
Isso ái Thalvaner. A comunicação é a base de todas as relações e nada se constrói sozinho. Por sinal, assim foi o fim de Collor – sozinho.
Abraço
Caro Roberto.
É disso que eu gosto quando escrevo. Novas leituras, novas descobertas. Cada nova inferência, desde que autorizada pelo texto, é a parte mais gostosa da produção.
Obrigado e continue me prestigiando. A gente acaba tomando gosto.
Fraterno abraço.
Fantástico.
Concordo plenamente com seu texto.
Um dos grandes “pecados” do uso de jargões, especialmente os técnicos, é que o alvo do texto (leitor ideal) quase nunca os entende.
Caro Dyego, bom dia.
Obrigado pelo retorno e pelo comentário. A idéia é essa mesma. Quando formos produzir textos, temos que pensar nas dificuldades daqueles que terão que construir os sentidos possíveis.
Grande abraço.