IT Fight Night – Funcionário vs. Consultor

por Thiago Casquilha
6 comentários 2 minutos leia

Mais uma noite, mais uma luta. Os combatentes: funcionário contra consultor.

O ringue já está montado, no meio do escritório!

O funcionário promete não dar moleza ao consultor, e já entra com um adicional de insalubridade.

O consultor promete cobrar cada minuto.

Começou!

O funcionário inicia saltitando pelo ringue, e já tenta ditar o ritmo, acertando diversos auxílio-refeição no consultor.

O mesmo revida, com um valor-hora que acerta em cheio nas costelas do funcionário. Este acusa o golpe, respondendo com uma carteira assinada na linha de cintura, aproveitando o bom momento, completa com um cruzado de férias, outro de décimo terceiro e um de PLR.

O consultor vai à lona! O juiz começa a contagem regressiva: Uma hora, duas horas, três…nove (hora aberta!) o consultor se levanta com novo fôlego, pronto para extender o combate o máximo possível!

Parte pra cima do funcionário acertando em cheio um direto de menos impostos, três jabs de maior salário líquido, mas perde o fôlego nas ausências não remuneradas e no salário pro contador! O CLT aproveita o momento, com dois upper de plano de carreira e um gancho de plano de saúde! O terceiro beeeeeija a lona! Soa o gongo, fim do primeiro round!

Reinicia o segundo round, soando o gongo da hora extra!

O PJ, cheio de fôlego parte pra cima com uma, duas, três três horas adicionais, que desnorteiam o funcionário! Ao cair, o mesmo responde rápido com contrato de horas fechadas no maxilar! Desaba no ringue o consultor!

Vinte e sete e meio por cento de Imposto de Renda? Cai sozinho o funcionário!

Os dois estão no chão! O juiz termina a contagem, e ninguém se levantou!

Enquanto os juízes se reúnem e demoram pra decidir, o consultor joga a toalha e vai de flyback procurar a luta seguinte, e o funcionário, preso no aviso prévio, fica aguardando a decisão.

Ao serem entrevistados, dias depois, o consultor diz que “fez o que foi pago pra fazer”, e o funcionário retruca que “pelo valor que esse consultor cobra, não podia nem perder tempo indo à nocaute”. De olho roxo, promete a si mesmo, no dia seguinte, tornar a vida do próximo consultor um inferno.

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6 comentários

João Estebanez 20 de outubro de 2010 - 16:12

Thiago,
Muito bom seu texto.
Conheço bem os dois lados da disputa e posso dizer que neste filme os dois são mocinhos, e que morrem no final.
Abraços e e felicidade na futura carreira de escritor.

Thiago Casquilha 21 de outubro de 2010 - 9:52

Olá João,
Que bom que curtiu o artigo!
Também já estive dos dois lados, por isso fica mais fácil entender, sem ser tendencioso. Acho que quem ler e já tiver passado por ambos, também vai se identificar mais.
Obrigado pela força!

Daniel Marigliano 25 de outubro de 2010 - 14:26

Thiago,

Muito bom o texto, só faltou a ilustração….

Parabéns e continue assim….

Abs,
Daniel Marigliano

Thiago Casquilha 26 de outubro de 2010 - 15:32

Fala Daniel,
Obrigado!

Ilustração? De uma luta, você diz?

Abraços

Monica Evelise de Mattos 17 de dezembro de 2010 - 21:47

Thiago,
simplesmente adorei. Aos vizinhos só restou imaginar que loucura assolava a vizinha de baixo gargalhando a altos brados quase meia-noite, rs.
Eu que também já passei pelas duas pontas, afirmo:
Ambos foram a nocaute…
abç, Mônica

PS.: Mais duas em comum, também sou quase fotógrafa e quase escritora.

Walmir Basevic 15 de março de 2012 - 15:20

Ótimo texto!
E esta luta tão comum no dia-a-dia demonstra o despreparo de ambos lutadores que se enfrentam e não percebem que os patrocinadores da luta é quem ganha com o embate de ambos, extraindo o máximo de seu suor, sangue e conhecimento…

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